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15 Março 2019

"Descrevendo o tema da mudança climática como 'complexa' faz-se uma manobra deliberada para continuar a marginalizar as vozes daqueles que estão mais em jogo. As crianças são particularmente boas em ver através desse tipo de ofuscação”, escreve Cristy Clark, pesquisadora na intersecção entre direitos humanos, neoliberalismo, ativismo e meio ambiente, e particularmente do direito humano à água, em artigo publicado por Eureka Street, 13-03-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Quando eu era uma criança, eu tinha pesadelos com Ronald Reagan. Eu estava aterrorizada, ele estava iniciando uma guerra nuclear e a destruição de todos nós. As pessoas riem quando eu conto essa história. Muitos veem isso como divertido, até fofo. Outros têm descrito meus medos como o produto da imaginação infantil ou lavagem cerebral dos pais. Mas o fato é que a guerra nuclear foi uma possibilidade genuína. O mundo não está em mãos seguras.

Embora eu fosse suficientemente sortuda por ter pais que me levaram a sério, o maior e deprimente aspecto dessa experiência foi como meus medos eram contados. Como uma criança, eu não tinha poder e pouca voz, apesar do fato de que adultos estavam arriscando a nossa própria vida.

Passados 35 anos, e meus próprios filhos estão de frente com um similar dilema em relação à mudança climática, mas agora tem uma diferença crucial: essa não é uma possibilidade genuína, essa é a realidade. Nós já estamos mudando o clima e criando devastadoras mudanças no planeta. A única questão que resta é como vão se tornar as mudanças dessa devastação? Como vários ecossistemas vão colapsar? Como muitos rios vão secar, espécies morrer, doenças se espalhar, fomes severas e furiosas guerras?

Você já ficou acordado na cama e se perguntou como isso poderia acontecer? Como nós vamos deixar isso acontecer? E por que não estamos nas ruas marchando furiosos e importando-se em quem selaria o nosso destino? Greta Thunberg estava. Aos oito anos, ela aprendeu sobre mudança climática e lutou para entender por que essa séria ação não era pauta número um na agenda global.

“Se a queima de combustíveis fósseis é tão ruim para nossa existência, como pudemos continuar fazendo como antes? Por que isso não teve restrições? Por que não foi tornado ilegal? Para mim, isso não adiciona. Isso era tão irreal”. Aos 11 anos, Thunberg disse que ela estava muito saturada e deprimida pelo que estava acontecendo ao nosso planeta, e sua sensação de incapacidade de parar isso a fez parar de comer e conversar.

Então, em agosto de 2018, aos 15 anos, ela decidiu agir. Greta se recusou ir à escola e, em vez disso, sentou-se em frente ao Parlamento Sueco para exigir ações sobre a mudança climática. Ela esteve sozinha só por um dia. Nessa sexta-feira, a School Strike 4 Climate Action (Greve Escolar para Ação Climática) será global pela segunda vez. Crianças em pelo menos 1.209 lugares por 92 países estão planejando sair das escolas para protestar a falta de ações reais sobre a mudança climática.

Previsivelmente, pessoas têm respondido argumentando que essas crianças sofreram lavagem cerebral – que eles estão “sendo usados como peões”. Gemma Tognini, executiva de relações públicas, zombou das crianças por “exigir ação” sobre uma temática que as vozes mais educadas do mundo não conseguem chegar a um acordo. Porém, como Thunberg eloquentemente apontou, vozes educadas alcançaram um acordo – “a crise do clima já deveria ter sido resolvida. Nós já temos todos os fatos e soluções”.

O que Tognini provavelmente quer dizer foi que as mais poderosas vozes do mundo – políticos e os interesses escusos que eles atendem (aka, seus clientes) – não podem alcançar um acordo. De fato, eles têm pequenos incentivos para agir e muito para investir na manutenção do status quo.

Em contraste, os adolescentes têm particularmente um forte incentivo para exigir mudanças. Não é somente o seu futuro que nós estamos destruindo, mas crianças são especificamente vulneráveis aos impactos da mudança climática. E essas vulnerabilidades fisiológicas e psicológicas à mudança climática são exacerbadas por sua exclusão dos processos de tomada de decisão.

Descrevendo o tema da mudança climática como “complexa” é uma manobra deliberada para continuar a marginalizar as vozes daqueles que estão mais em jogo. Crianças são particularmente boas em ver através desse tipo de ofuscação – particularmente aquelas, como Greta, que estão no espectro do autismo.

Na sexta-feira, meus filhos estarão caminhando para fora da escola. Minha mais velha disse que quer “protestar que alguns dos adultos deveriam realmente fazer algo sobre este planeta que está morrendo, porque todos nós vamos morrer com isso”. Como Greta, ela vê a mudança climática como um problema bastante preto e branco. “Eu acho que é importante salvar o planeta e não pensar apenas em dinheiro e poder”.

Quando contatamos suas escolas para deixá-las a par que nossos filhos estariam saindo mais cedo na sexta, eles responderam encorajando e dizendo que eles “amam engajamento cívico e as vozes das crianças sendo ouvidas.... Isso é, afinal de contas, para o seu planeta”.

Eu estou feliz que crianças em todo mundo estão sendo ouvidas, mas honestamente isso nunca deveria ter sido um fardo a se carregar.

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