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11 Março 2019

Cinquenta anos depois de realizar a primeira conferência internacional do mundo para examinar a ascensão do ateísmo e do secularismo, o Vaticano está unindo forças com uma iniciativa britânica de pesquisa para sediar uma conferência sobre as “Culturas da descrença”.

A reportagem é de Rosie Dawson, publicada em Religion News Service, 08-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No final de maio, estudiosos de várias disciplinas se reunirão na Universidade Gregoriana, em Roma, para discutir os resultados da iniciativa de pesquisa chamada Understanding Unbelief ” [mais informações aqui, em inglês], que, há dois anos, mapeia o surgimento e a natureza da não religião em todo o mundo.

O financiamento para o programa Understanding Unbelief”, no valor de 3 milhões de dólares, com sede na Universidade de Kent, na Inglaterra, veio da Fundação John Templeton.

De acordo com o Pew Research Center, o número de “nones” – aqueles que se descrevem como ateus, agnósticos ou de nenhuma religião em particular – chegarão a 1,2 bilhão em todo o mundo até 2060. Nos Estados Unidos, 23% da população atualmente não reivindica nenhuma filiação religiosa.

Os jovens são particularmente propensos a se identificarem como “nones”. No ano passado, um estudo do pesquisador Stephen Bullivant, do "Understanding Belief", revelou que 70% dos jovens entre 18 e 29 anos no Reino Unido se identificam como “sem religião”.

Entre os projetos de pesquisa que estão sendo realizados, encontra-se um estudo sobre a descrença em países onde a maioria da população é composta por não crentes. Estes incluem a Coreia do Sul, o Vietnã e o Japão, um desafio à suposição generalizada de que a descrença é um fenômeno exclusivamente ocidental. Outro grupo está examinando as motivações, experiências e problemas enfrentados pelos não crentes em sociedades religiosas como o Egito.

Outros projetos estão olhando para as infâncias não religiosas no Reino Unido, a persistência do pensamento mágico em sociedades incrédulas e as formas pelas quais a meditação da atenção plena [mindfulness] pode ser vista como uma religião secular.

A conferência anterior, “A cultura da descrença”, realizada em 1969, ocorreu no rastro do novo espírito de abertura trazido pelo Concílio Vaticano II, que havia se encerrado apenas quatro anos antes. A Cúria iniciou vários diálogos com outros cristãos, com judeus e pessoas de outras religiões. Também estabeleceu um secretariado pontifício para os não crentes (Secretariatus pro Non-Credentibus) para dialogar com eles.

A conferência foi convocada para abordar aquilo que o então Papa Paulo VI via como “uma das questões mais sérias do nosso tempo” – a saber, o ateísmo. O cardeal Franz Koenig, então arcebispo de Viena, escolhido pelo papa como chefe do secretariado, disse que isso representava uma “nova abordagem no modo de proceder da Igreja Católica, menos preocupada em defender sua posição do que em ir ao encontro dos mais graves problemas do mundo moderno”.

O problema era que poucos nos círculos católicos oficiais conheciam quaisquer não crentes. O cardeal perguntou ao eminente sociólogo estadunidense Peter Berger, que morreu em 2017, quem ele deveria convidar para a conferência.

“O Secretariatus pro Non-Credentibus estava ansioso para ter esse diálogo, mas não sabia com quem tê-lo”, escreveu Berger em suas memórias. “Ao contrário dos outros interlocutores, os não crentes não podem ser encontrados na lista telefônica.”

Havia um enorme interesse midiático, e cerca de 3.000 pessoas participaram da conferência para ouvir os principais sociólogos, historiadores e teólogos do mundo apresentando seus trabalhos. O evento encerrou com uma audiência papal. Entre os acadêmicos proeminentes reunidos estavam Harvey Cox, da Universidade de Harvard, Martin Marty, da Faculdade de Teologia da Universidade de Chicago, e o sociólogo britânico David Martin.

Harvey Cox era a estrela”, disse Martin ao Religion News Service. “Ele ficou impressionado ao saber que o papa lera seu livro”, o estudo seminal sobre a incredulidade “A cidade secular”. Martin recorda com satisfação como vários dos acadêmicos seculares e livre-pensadores presentes foram os que ficaram mais impressionados ao conhecerem Paulo VI.

Mas, de acordo com Berger, a conferência não teve um impacto duradouro, apesar do fato de os diálogos entre ateus e cardeais terem continuado no pontificado de Bento XVI, com o “Pátio dos Gentios”, um programa criado por Bento para promover o contato com o mundo sem Igreja, e o famoso encontro entre o cardeal Carlo Maria Martini e o filósofo e escritor italiano Umberto Eco [em 1995].

Atualmente, não há planos definitivos para o Papa Francisco discursar nessa conferência, mas os organizadores dizem que a possibilidade permanece em aberto. O importante, dizem, é construir um diálogo e uma colaboração entre crentes e não crentes, a fim de alcançar uma maior compreensão sobre as crenças metafísicas existenciais e morais dos outros.

“O crescimento de diferentes formas de não religião tem sido um desdobramento significativo em muitas sociedades em todo o mundo nas últimas décadas”, diz Gordon Lynch, professor da cátedra Michael Ramsey de Teologia Moderna da Universidade de Kent.

“Essa conferência”, acrescentou, “reunindo as descobertas dos mais importantes programas internacionais de pesquisa nesse campo, promete ser um evento genuinamente histórico ao levar adiante tanto a nossa compreensão sobre as variedades da não religião quanto as suas implicações sociais.”

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