Lideranças da Igreja e defensores das vítimas avaliam expectativas para a cúpula sobre os abusos no Vaticano

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07 Fevereiro 2019

Os católicos que participaram da missa na Arquidiocese de Chicago no último fim de semana ouviram uma mensagem gravada pelo cardeal Blase Cupich, atualizando-os sobre um encontro a ser realizado no Vaticano no fim deste mês, que deverá abordar o abuso sexual do clero. O cardeal também pediu desculpas aos fiéis que ficaram decepcionados com algumas de suas lideranças.

A reportagem é de Michael J. O’Loughlin, publicada por America, 05-02-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Eu sei o quão difíceis foram esses últimos meses para vocês”, disse o cardeal, que está ajudando a planejar a reunião de 21 a 24 de fevereiro. “Eu entendo a raiva e a decepção que muitos sentem quando a Igreja sofre com o escândalo dos abusos sexuais do clero e com a má gestão por parte de algumas lideranças da Igreja.”

Em setembro, após meses de revelações sobre a atual crise dos abusos sexuais nos Estados Unidos e em outros lugares, o Vaticano anunciou que o Papa Francisco havia convocado os chefes das Conferências Episcopais de 130 países ao Vaticano para o encontro deste mês.

O papa pediu cautela àqueles que esperam que o encontro traga novas políticas e protocolos relacionados à prevenção do abuso. Mas as expectativas para a reunião foram aumentadas em parte por autoridades da Igreja que há muito tempo pressionam as lideranças da Igreja a levar os abusos mais a sério.

O arcebispo maltês Charles Scicluna, especialista no combate aos abusos sexuais na Igreja, disse à Associated Press em outubro: “Sabemos que há uma grande expectativa por mais responsabilização”, e disse que os católicos “precisam confiar no Papa Francisco para desenvolver um sistema em que haja mais responsabilização”.

O arcebispo Scicluna, juntamente com o cardeal Cupich, o cardeal Oswald Gracias (que faz parte do conselho dos cardeais conselheiros do papa) e Hans Zoller, SJ (presidente do Centro de Proteção dos Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma) foram encarregados pelo papa de organizar a cúpula de fevereiro.

Em um artigo no Religion News Service, Thomas Reese, SJ adverte que o encontro “pode muito bem ser um fracasso antes mesmo de começar”.

O Pe. Reese, ex-editor-chefe da America, escreveu que não foi dado o tempo suficiente para planejar a reunião, que ela é ambiciosa demais e que um encontro global significa que é improvável que um conjunto comum de políticas seja estabelecido.

Francisco pode ter sucesso, mas temo que, quando o encontro terminar, ele seja visto apenas como um pequeno passo em um esforço que vai levar anos”, escreveu o padre Reese.

Mas Zach Hiner, líder da Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres (SNAP, na sigla em inglês), disse que seu grupo espera “algum tipo de plano de responsabilização para quaisquer bispos ou cardeais que possam ter algum tipo de papel no acobertamento ou na minimização das acusações de abuso”.

Um exemplo de reforma que a SNAP espera ver implementado são protocolos para responsabilizar os bispos por acobertar abusos que não exijam que o Vaticano investigue e tome medidas, o que os críticos dizem ser um processo complicado demais.

Hiner discordou da participação do cardeal Daniel DiNardo no encontro, que estará presente em Roma em seu papel como chefe da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos. O cardeal DiNardo enfrentou acusações de que ele lidou mal com casos envolvendo padres acusados de abuso na Arquidiocese de Galveston-Houston, acusação que ele nega.

Hiner disse que não prevê “quaisquer mudanças inovadoras, mas espero que elas sejam levadas em consideração”.

Em sua mensagem aos católicos da região de Chicago, o cardeal Cupich procurou assegurá-los de que a reunião será frutífera.

Chamando as vítimas de abuso sexual do clero de “corajosas”, o cardeal disse que o papa entende o problema dos abusos sexuais cometidos por padres e o acobertamento por parte de alguns bispos é um “problema global que precisa de uma solução global”.

“O objetivo do Santo Padre ao convocar a reunião no fim deste mês é certificar-se de que cada bispo no mundo assuma a sua responsabilidade pessoal e seja responsabilizado pelo modo como lida com esses assuntos”, continuou o cardeal Cupich. “Mas o papa também pretende deixar claro para todos os bispos os passos concretos para cumprir essa agenda.”

O cardeal Cupich disse que ouvir as vítimas e “tomar medidas para proteger as crianças e responsabilizar a todos é a única resposta a ser dada” à crise dos abusos sexuais. “A prioridade é fazer isso certo”, disse.

Organizações católicas em todos os Estados Unidos anunciaram eventos relacionados à cúpula sobre os abusos, incluindo uma oficina no dia 6 de fevereiro na Universidade Católica da América e uma teleconferência organizada pela Catholic Common Ground Initiative no dia 18 de fevereiro.

No último fim de semana, o grupo de reforma católico Leadership Roundtable, ao responder a pedidos de mais de 50 dioceses para ajudar na resposta à crise, recebeu mais de 200 lideranças da Igreja em Washington, incluindo o cardeal Cupich e o Pe. Zollner, junto com o cardeal de Boston, Sean O’Malley, e o cardeal de Newark, Joseph Tobin, assim como sobreviventes do abuso sexual do clero.

Os participantes discutiram “medidas concretas que podem ser tomadas no curto, médio e longo prazos que levem a uma necessária reforma e recuperação”, segundo Kerry Robinson, embaixadora global do grupo, que trabalhou para a Leadership Roundtable de 2009 a 2014.

Um relatório discutindo ideias sobre as causas profundas da crise e oferecendo melhores práticas em termos de responsabilização será divulgado antes da cúpula de Roma.

Robinson disse que a curta duração da reunião de Roma pode limitar o resultado possível, mas acrescentou que se sente encorajada pelo compromisso do papa de continuar se encontrando com as vítimas e com a natureza global da reunião.

“Eu posso atestar, a partir das minhas próprias viagens à Igreja no mundo inteiro, que esse é um problema sistêmico, mas o grau de conscientização sobre o fato de a sua urgência e prioridade serem um desafio para a Igreja é muito diferente de acordo com onde você está no globo”, disse ela. “Trazer todos ao mesmo nível de conscientização sobre a gravidade e a urgência disso é um componente crucial [da reunião].”

Os bispos dos Estados Unidos se propuseram a votar em uma série de propostas abordando os abusos sexuais durante a sua reunião de novembro em Baltimore, mas esses planos foram descartados depois que o Vaticano lhes pediu que esperassem até depois da reunião de fevereiro. Mais tarde, foi revelado que as diretrizes propostas só foram enviadas ao Vaticano poucos dias antes da data marcada para a votação, razão pela qual as lideranças da Igreja em Roma consideraram que não havia tempo suficiente para examinar as políticas.

Os quatro homens que estão planejando a cúpula divulgaram uma carta em 18 de dezembro aos chefes das Conferências Episcopais, pedindo-lhes para “aproximar-se e visitar as vítimas sobreviventes de abusos sexuais do clero em seus respectivos países antes da reunião em Roma, para apreenderem, assim, em primeira mão, o sofrimento que suportaram”.

E uma carta do Papa Francisco aos bispos dos Estados Unidos reunidos em janeiro para um retiro de uma semana em Chicago, para refletir sobre a crise dos abusos, condenou a “mentalidade de acobertar as coisas”.

“Combater a cultura do abuso, a perda de credibilidade, assim como o resultante desconcerto, confusão e descrédito da sua missão exigem de nós, urgentemente, uma atitude renovada e decidida para resolver o conflito”, escreveu o papa.

Mas, nos últimos dias, o papa tentou minimizar as grandes expectativas sobre o encontro deste mês.

Falando aos repórteres no dia 27 de janeiro durante uma coletiva de imprensa no voo de volta a Roma da Jornada Mundial da Juventude no Panamá, Francisco disse: “Eu me permito dizer que percebi uma expectativa um pouco ‘inflada’. É preciso ‘desinflar’ as expectativas em relação a esses pontos que eu lhes disse, porque o problema dos abusos continuará, é um problema humano, em todos os lugares”.

Em vez de criar novos protocolos, o encontro informará os bispos sobre o porte da crise dos abusos sexuais, disse o papa, e informará os bispos sobre como devem lidar com as denúncias de abuso.

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