Do grupo de iguais à trincheira da discórdia: a transformação dos grupos de WhatsApp. Entrevista especial com Carmen de Oliveira

Foto: Divulgação

Por: João Vitor Santos | 04 Dezembro 2018

Houve um tempo em que o maior problema dos grupos de família no WhatsApp era a sequência infindável de “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”. A polarização da campanha eleitoral de 2018 que tomou conta desses ambientes virtuais contaminou muitas pessoas, que passaram a ver a tia como fascista, o sobrinho como comunista. “A comunicação digital tem demonstrado os seus limites especialmente em contextos de polarizações de ideias em que se fazem mais necessários o jogo argumentativo e a escuta mútua para a formação de opinião e de acordos sociais”, avalia a psicanalista Carmen Oliveira. Para ela, compreender como se coadunam os grupos de WhatsApp é fundamental, porque é a partir disso que será possível apreender a transformação pela qual passam.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Carmen destaca que o WhatsApp tem uma lógica diferente das redes sociais. “Existe um menor distanciamento entre as pessoas que integram um grupo via WhatsApp, especialmente nos casos de agrupamento por contatos próximos”, explica. Isso, por um lado, atualiza a ideia de bolha, pois se tem aqui algo que já se constitui entre iguais. “Cada pessoa adicionada a esses grupos é um ‘alguém’ para os demais participantes. Neste caso, há mais chances de que os laços envolvam mais estabilidade, constância e continuidade”, completa.

Entretanto, há outros dois movimentos para os quais Carmen chama atenção. O primeiro diz respeito à contaminação que esses grupos sofrem. É quando há polarizações e, mesmo entre iguais, estes não se reconhecem mais. “Se rompe a ilusão de homogeneidade grupal mantida por uma fantasia de unidade ou de autoespelhamento. Portanto, as decepções mútuas podem ser vividas de forma mais intensiva quando os desencontros se dão no interior da própria bolha de ‘iguais’”, pontua.

O segundo é a forma como se dá essa contaminação, através das inserções das chamadas listas de transmissão, “sendo muitas delas criadas e agenciadas por robôs, o que despersonalizou a comunicação clássica neste meio”. É, segundo ela, o fim da comunicação descentralizada e sem mediação. “A mediação nas listas de transmissão foi usada como recurso de nucleamento e de propagação de mensagens e, além disso, foi profissionalizada, financiada e operada sem a devida transparência e mínimo controle social”, aponta. Ou seja, há uma apreensão da ferramenta, e tudo aquilo que se propunha como uma comunicação alternativa e plural na internet dos app cai por terra. “Infelizmente, as virtudes políticas das novas tecnologias de comunicação foram expropriadas por interesses comerciais e eleitorais. E esse é ponto que me parece ser mais importante de ser pautado nas eleições de 2018, pois a esquerda vacilou, como se diz na gíria”, sintetiza.

Carmen de Oliveira (Foto: João Vitor Santos | IHU)

Carmen de Oliveira é graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, com especialização em Saúde Pública pela Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul, mestrado em Psicologia Clínica pela PUCRS e doutorado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Na última entrevista que a senhora concedeu à IHU On-Line, destacou que as relações em redes sociais geram bolhas de iguais que impedem a relação com o outro, o diferente. Levando em conta que o WhatsApp é uma rede ainda mais endógena que outras, como Facebook e Twitter, como observa essas relações em bolha?

Carmen Oliveira – A configuração e o funcionamento de grupos pelo WhatsApp têm algumas características distintas de outras redes sociais como Facebook e Twitter, por exemplo. De um modo geral, uma das diferenças é que existe um menor distanciamento entre as pessoas que integram um grupo via WhatsApp, especialmente nos casos de agrupamento por contatos próximos (famílias, amigos, colegas de trabalho ou por afinidades específicas). Cada pessoa adicionada a esses grupos é um “alguém” para os demais participantes. Neste caso, há mais chances de que os laços envolvam mais estabilidade, constância e continuidade, o que pode exigir mais cuidado na comunicação das ideias para não gerar atritos e rompimentos indesejados.

Entretanto, justamente porque se supõe existir aí vínculos mais estreitos entre as pessoas é que as divergências podem provocar um mal-estar com maior intensidade. Freud [1] usou a expressão das unheimliche para designar a percepção do estranho que está entranhado no familiar e que suscita sensações de inquietação, confusão ou angústia. Isso acontece porque se rompe a ilusão de homogeneidade grupal mantida por uma fantasia de unidade ou de autoespelhamento. Portanto, as decepções mútuas podem ser vividas de forma mais intensiva quando os desencontros se dão no interior da própria bolha de “iguais”.

Destaco ainda dois outros tipos de configuração grupal via WhatsApp que pudemos observar no recente processo eleitoral no Brasil, que trazem outras consequências. O primeiro se refere ao uso de extensas listas de transmissão por este aplicativo, sendo muitas delas criadas e agenciadas por robôs, o que despersonalizou a comunicação clássica neste meio, transformando cada pessoa em um “alguém anônimo”. Por outro lado, esse processo veio desconstruir a ideia de que a comunicação digital seria descentrada e, portanto, não dirigida e filtrada por meio de mediadores. O que se observou é diferente: a mediação nas listas de transmissão foi usada como recurso de nucleamento e de propagação de mensagens e, além disso, foi profissionalizada, financiada e operada sem a devida transparência e mínimo controle social, a par da legislação eleitoral vigente, aliás, sem o devido acompanhamento da Justiça Eleitoral.

No caso de uma segunda modalidade, uma outra peculiar situação: somente o administrador do grupo podia enviar mensagens enquanto os seus integrantes operavam apenas como receptores e transmissores das informações. Ou seja, o grupo deixou de ser uma roda de conversa e de estabelecer trocas entre si e foi transformado em um repositório de dados a serem compartilhados por cada um dos integrantes. Neste formato, a bolha ficou hiperdimensionada em sua nova topologia, embora com baixa energia política, pois ganhou um alto poder de contágio (no sentido de viralização e disseminação rápida de informação entre os iguais) mas com mínima potência de polinização (enquanto poder de afetar o mais distante de si).

Esvaziamento e desconfiguração dessa rede

Em ambos os modos de operar o WhatsApp se observou o esvaziamento dos atributos anteriormente associados às redes sociais enquanto dispositivos de auto-organização para uma democracia conectada, participativa e transparente, tal como descrito pelos seus primeiros pensadores, como Pierre Lévy [2]. Infelizmente, as virtudes políticas das novas tecnologias de comunicação foram expropriadas por interesses comerciais e eleitorais. E este é o ponto que me parece ser mais importante de ser pautado nas eleições de 2018, pois a esquerda vacilou, como se diz na gíria. Não podemos evitar o sentimento de que perdemos as eleições, porque a disputa se deu num plano ao qual ainda não tínhamos acessado com prioridade e porque os ataques foram desencadeados em lugares em que conseguimos nos defender apenas tardiamente.

IHU On-Line – A campanha eleitoral de 2018 foi marcada por brigas e desavenças. Muitas dessas brigas foram geradas por posicionamentos políticos externados em redes sociais. Por que temos a impressão de que esses dispositivos potencializaram esse clima belicoso?

Carmen Oliveira – A comunicação digital tem algumas características que a diferem da comunicação escrita analógica. De um lado, envolve uma outra temporalidade, pois o ambiente on-line demanda uma expressão mais imediata e que, por isso, pode transportar mais afetos. Por isso, o filósofo coreano Byung-Chul Han [3] a denomina de “mídia de afetos”. Também favorece uma comunicação mais simétrica, com uma hierarquia pouco clara separando quem produz e quem consome a informação e esta situação pode inflar a probabilidade de uma comunicação mais informal e ruidosa. E, por último, os encontros agenciados por algoritmos favorecem a proteção contra surpresas, ruptura ou negatividade do outro. Tal sistema de filtro relacional e o evitamento do contato direto com pessoas reais enfraquecem a capacidade do sujeito de lidar com o negativo, empobrecendo o seu olhar sobre a diversidade do mundo.

Desta forma, a comunicação digital tem demonstrado os seus limites especialmente em contextos de polarizações de ideias em que se fazem mais necessários o jogo argumentativo e a escuta mútua para a formação de opinião e de acordos sociais. No caso da campanha eleitoral de 2018 isso ficou bem demarcado.

Destacaria três circunstâncias que possivelmente incidiram para esse resultado: o exíguo tempo para a campanha eleitoral, que imprimiu um caráter de urgência agônica, determinando que a impaciência fosse a tônica na comunicação entre as pessoas; a ausência de debate direto entre os candidatos no segundo turno provocou um modo de disputa a partir dos bastidores e de monólogos, sem enfrentamento direto; o predomínio de estratégias de culpabilização do outro, com fortes componentes paranoides, colocou o interlocutor como adversário ou até mesmo inimigo nato em lados diametralmente opostos, delimitados por fronteiras intransponíveis. Tais fatores fomentaram nas pessoas o erguimento de “barricadas mentais” e de confecção de “coquetéis molotovs verbais”, gerando conflitos com alta carga afetiva. Desta forma, o regime de argumentação foi substituído por um regime de verdade.

IHU On-Line – A ideia de esfera pública é reconfigurada a partir da popularização das redes sociais? E como isso incide na relação entre as pessoas?

Carmen Oliveira – É inegável que as redes sociais vêm transformando a percepção, o pensamento e o comportamento das pessoas. No livro No enxame: perspectivas do digital [4], Han afirma que o alicerce da vida pública é o respeito, definido como um olhar distanciado. Para ele, a mídia digital é parte da sociedade do espetáculo por favorecer um olhar indiscreto, voyeurístico e sem distância que expõe publicamente a intimidade. Dito de outra maneira, a mídia digital incide para que o privado se torne público. Assim sendo, a tela passou a ser também o lugar do engajamento político uma vez que as escolhas digitais ocorrem diariamente. “O botão de curtir é a cédula eleitoral digital”, diz Han. Os eleitores se comportam como consumidores e escolhem os governantes como fazem compras: seguindo inclinações individuais. Assim, não é de estranhar que as propagandas comerciais e o marketing político, bem como a pesquisa eleitoral e a pesquisa de mercado remetem o consumidor e o eleitor ao mesmo nível de decisão descompromissada e sem consequências.

Essa falta de distanciamento vai esvaziando a esfera pública e torna mais comum a falta de respeito, que são capazes de gerar ondas de indignação, mas não são apropriadas para organizar o discurso público por serem inconstantes e efêmeras. As ondas de indignação têm uma identificação fraca com a comunidade. Não formam nenhum “nós estável”, pois o cidadão enraivecido tem zelo por si mesmo e não necessariamente por toda a sociedade.

Por isso, apesar de toda a força de contágio e mobilização demonstrada pelas redes sociais não se pode descartar a ideia de que a esfera pública necessita do encontro físico dos corpos. Como refere o Comitê Invisível [5], não é o “povo” que produz o levante, é o levante que produz seu povo. Eles afirmam que as insurreições cotidianas continuam a se prolongar, molecularmente, na vida dos bairros, nos coletivos, nas ocupações, nos cafés. Há conspiração por todo o lado. O jogo não está jogado.

IHU On-Line – Por que, nas eleições de 2018, a internet e as redes sociais tiveram tamanha centralidade?

Carmen Oliveira – O documentário Driblando a democracia: como Trump venceu [6], dirigido por Thomas Huchon e produzido na França este ano, nos apresenta algumas pistas. O filme apresenta a metodologia de trabalho de Steve Bannon [7], que coordenou a campanha do então candidato à presidência dos Estados Unidos e também de Jair Bolsonaro no Brasil.

Fake News - “Driblando a democracia - Como Trump venceu" from Tuany de Paula on Vimeo.

A trama descrita não deixa dúvidas sobre a centralidade que a internet e as redes sociais tiveram nesses processos eleitorais. Mas o que mais surpreende é que esta foi uma decisão de empresários ultraconservadores, tendo a Cambridge Analytica [8] como suporte estratégico para a manipulação de dados dos eleitores, amplo alcance nas redes sociais e disseminação de fake news.

O que tornou possível esse processo foi a nossa abdicação da esfera privada em favor da autoexposição de nossas vidas. Os rastros digitais que deixamos por todo o lado possibilitam, hoje, um protocolamento massivo da vida. Eles abastecem essa espécie de panóptico digital que já não necessita do isolamento espacial e comunicativo dos sujeitos, mas, ao contrário, os agencia para que se conectem e se comuniquem intensamente uns com os outros. Operando como serviços secretos, as empresas como a Cambridge Analytica dispõem de uma gigantesca base de dados sobre os cidadãos que permitem rastrear modelos coletivos de comportamento e identificar prognósticos possíveis. Ou seja, acessam o que Han chama de inconsciente digital. Por isso, ele afirma que no lugar do biopoder descrito por Foucault [9] entra o “psicopoder” intervindo nos processos psicológicos e, assim, os recentes processos eleitorais estariam anunciando a era da “psicopolítica digital”.

IHU On-Line – Que relação podemos estabelecer entre o que chamamos hoje de fake news e a fofoca, as mentirinhas e “lendas urbanas” que circulavam pelas ruas das cidades? O que na natureza humana impele as pessoas a disseminar mentiras?

Carmen Oliveira – Uma característica da comunicação digital que favorece as fake news é o fato de que ela é capaz de um alto grau de contágio viral. Uma informação ou um conteúdo se espalham rapidamente nas redes digitais, ao contrário da mídia escrita que é lenta demais para isso. Isto imprime também uma diferença importante das fofocas propagadas pelo “boca a boca”, geralmente no formato de (quase) segredo, o que, por si só, já dificulta a sua propagação. Enquanto a fofoca compartilhada em segredo afirma o silêncio, as fake news são barulhentas e incontroláveis.

Por outro lado, a produção de fake news é um fenômeno de superfície, pois por trás ou abaixo delas circulam “fantasmas” que se furtam a toda transparência. Ou seja, esse tipo de produção de conteúdo não pode ser suficientemente compreendido sem o papel dos robôs. Eles agem a partir das duas principais estratégias do comportamento dissimulado – o anonimato e a pouca lisura – e encontram na internet o ambiente mais propício, pois o imenso volume de informações e de imagens que ali circula não permite que tudo isso seja filtrado com o devido cuidado, favorecendo a sua livre circulação sem barreiras. Os robôs e suas fake news encontram também seus propagadores ideais: os caçadores de informação que se sentem atraídos pela informação cumulativa e aditiva, mesmo que às custas de ver diminuída a sua capacidade analítica.

IHU On-Line – Quais os desafios para reatar laços, fazer reaproximações e superar atritos gerados a partir de discussões nos grupos de WhatsApp da família, dos vizinhos, do trabalho e dos amigos?

Carmen Oliveira – Deleuze [10] afirmou que em 1969 houve um “fenômeno de vidência: uma sociedade via de repente o que ela continha de intolerável e via também a possibilidade de algo diferente”. Creio que o processo eleitoral no Brasil este ano deixou rastros de visão semelhantes. E talvez a grande tarefa que temos é a de aumentar a capacidade de ver de uns e de outros em todos os domínios, pois aqueles que não querem ver só podem produzir desastres coletivos. Como refere o Comitê Invisível, é preciso se fazer vidente, para si mesmo assim como para os outros.

Gosto da ideia trazida por esses autores, no livro Motim e Destituição Agora [11], de que sem a experiência da comunidade nós morremos, nos tornamos cínicos, duros e desérticos. Temos uma necessidade imperiosa de comunidade e as redes sociais não deixam de ser uma promessa nesse sentido e, portanto, não podemos nos satisfazer com a ideia débil de que as pessoas são imbecis. Esses autores evocam a imagem de Schopenhauer [12] sobre a “insociável sociabilidade humana”, que reproduzo aqui:

“Num dia frio de inverno, um grupo de porcos-espinhos se apinhava para se garantir mutuamente contra o congelamento, por meio de seu próprio calor. Mas tão logo eles começaram a sentir as pontadas de seus próprios espinhos, começaram a se afastar uns dos outros. Quando a necessidade de se esquentar fez com que eles se reaproximassem, o mesmo inconveniente acontecia novamente, de modo que eles se mexiam para lá e para cá entre esses dois sofrimentos, até que acabaram por encontrar uma distância média que lhes deixava a situação suportável. Assim, a necessidade de sociedade, nascida do vazio e da monotonia de seu próprio interior, empurrou os homens uns em direção aos outros; mas suas numerosas qualidades repugnantes e seus defeitos insuportáveis os dispersaram novamente. A distância média que eles acabaram encontrando, e por meio da qual a vida se torna possível, é a polidez e as boas maneiras.”

Em síntese, o Brasil é composto de fragmentos que não formam um todo harmonioso, mas isso não é nenhum defeito. A palavra vida em hebraico é um plural, porque em uma vida há muitas vidas. Assim, não há outra escolha senão desenvolvermos uma arte da conversa entre mundos, com polidez e boas maneiras.

Notas:

[1] Sigmund Freud (1856-1939): neurologista nascido em Freiberg, Tchecoslováquia. É o fundador da psicanálise. Interessou-se, inicialmente, pela histeria e, tendo como método a hipnose, estudou pessoas que apresentavam esse quadro. Mais tarde, interessado pelo inconsciente e pelas pulsões, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre. Esses elementos tornaram-se bases da psicanálise. Desenvolveu a ideia de que as pessoas são movidas pelo inconsciente. Freud, suas teorias e o tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século 19 e continuam ainda muito debatidos. A edição 179 da IHU On-Line, de 8-5-2006, dedicou-lhe o tema de capa sob o título Sigmund Freud. Mestre da suspeita. A edição 207, de 4-12-2006, tem como tema de capa Freud e a religião. A edição 16 dos Cadernos IHU em formação tem como título Quer entender a modernidade? Freud explica. (Nota da IHU On-Line)

[2] Pierre Lévy (1956): filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação; estuda o impacto da Internet na sociedade, as humanidades digitais e o virtual. Vive em Paris e leciona no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-VIII. Foi incentivado e treinado por Michel Serres e Cornelius Castoriadis a ser um pesquisador. Especializou-se em abordagens hipertextuais quando lecionou na Universidade de Ottawa, no Canadá. (Nota da IHU On-Line)

[3] Byung-Chul Han (1959): pensador sul-coreano, teórico cultural e professor da Universidade de Artes de Berlim. É o autor de dezesseis livros, dos quais os mais recentes são tratados sobre o que ele chama de "sociedade do cansaço" (Müdigkeitsgesellschaft), uma "sociedade da transparência" (Transparenzgesellschaft) e seu conceito neologista de shanzhai, que procura identificar modos de desconstrução nas práticas contemporâneas do capitalismo chinês. O trabalho atual de Han se concentra na transparência como uma norma cultural criada pelas forças do mercado neoliberal, que ele entende como o impulso insaciável para a divulgação voluntária que beira o pornográfico. Segundo Han, os ditames da transparência impõem um sistema totalitário de abertura à custa de outros valores sociais, como vergonha, sigilo e confiança. (Nota da IHU On-Line)

[4] Petrópolis: Vozes, 2018. (Nota da IHU On-Line)

[5] Comitê Invisível: grupo anônimo de pensadores e ativistas sediados na França – convoca a todos para pensar sobre o caráter movediço do poder na atualidade e sua complexa rede de infraestruturas. Entre suas publicações mais recentes está o livro Aos Nossos Amigos: Crise E Insurreição (N-1 edições, 2016). (Nota da IHU On-Line)

[6] O vídeo está disponível aqui. (Nota da IHU On-Line)

[7] Steve Bannon (1953): é um assessor político estadunidense que serviu como assistente do presidente e estrategista-chefe da Casa Branca no governo Trump. Como tal, participou regularmente do Comitê de Diretores do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, entre 28 de janeiro e 5 de abril de 2017, quando foi demitido. Antes de assumir tal posição da Casa Branca, Bannon foi diretor executivo da campanha presidencial de Donald Trump, em 2016. (Nota da IHU On-Line)

[8] Cambridge Analytica: foi uma empresa privada que combinava mineração e análise de dados com comunicação estratégica para o processo eleitoral. Foi criada em 2013, como um desdobramento de sua controladora britânica, a SCL Group para participar da política estadunidense. Em 2014, a CA participou de 44 campanhas políticas. A empresa é, em parte, de propriedade da família de Robert Mercer, um estadunidense que gerencia fundos de cobertura e que apoia muitas causas politicamente conservadoras. A empresa mantinha escritórios em Nova York, Washington, DC e Londres. Em 2015, tornou-se conhecida como a empresa de análise de dados que trabalhou inicialmente para campanha presidencial de Ted Cruz. Em 2016, após a derrota de Cruz, a CA trabalhou para a campanha presidencial de Donald Trump e também para a do Brexit, visando a saída do Reino Unido da União Europeia. (Nota da IHU On-Line)

[9] Michel Foucault (1926-1984): filósofo francês. Suas obras, desde a História da Loucura até a História da sexualidade (a qual não pôde completar devido a sua morte), situam-se dentro de uma filosofia do conhecimento. Foucault trata principalmente do tema do poder, rompendo com as concepções clássicas do termo. Em várias edições, a IHU On-Line dedicou matéria de capa a Foucault: edição 119, de 18-10-2004; edição 203, de 6-11-2006; edição 364, de 6-6-2011, intitulada 'História da loucura' e o discurso racional em debate; edição 343, O (des)governo biopolítico da vida humana, de 13-9-2010, e edição 344, Biopolítica, estado de exceção e vida nua. Um debate. Confira ainda a edição nº 13 dos Cadernos IHU em formação, Michel Foucault – Sua Contribuição para a Educação, a Política e a Ética. (Nota da IHU On-Line)

[10] Gilles Deleuze (1925-1995): filósofo francês. Assim como Foucault, foi um dos estudiosos de Kant, mas tem em Bergson, Nietzsche e Espinosa, poderosas interseções. Professor da Universidade de Paris VIII, Vincennes, Deleuze atualizou ideias como as de devir, acontecimentos e singularidades. (Nota da IHU On-Line)

[11] N-1 Edições, 2017. (Nota da IHU On-Line)

[12] Arthur Schopenhauer (1788-1860): filósofo alemão. Sua obra principal é O mundo como vontade e representação, embora o seu livro Parerga e Paraliponema (1815) seja o mais conhecido. Friedrich Nietzsche foi grandemente influenciado por Schopenhauer, que introduziu o budismo e a filosofia indiana na metafísica alemã. Schopenhauer, entretanto, ficou conhecido por seu pessimismo. Ele entendia o budismo como uma confirmação dessa visão. (Nota da IHU On-Line)

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