Os religiosos no Sínodoː incentivar a participação do povo de Deus

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16 Outubro 2018

Uma "família de Deus", que inclua a todos, bispos, sacerdotes, homens e mulheres religiosos e laicos (Padre Bruno Cadoré, mestre geral dos dominicanos), capaz de "estimular formas de participação" (padre Marco Tasca, ministro geral da ordem franciscana dos frades menores conventuais), com estruturas que "reflitam mais o seu centro, que é o povo de Deus" (padre Arturo Sosa, superior geral dos jesuítas). É a imagem da Igreja que emergiu durante o Sínodo sobre os jovens no curso do briefing cotidiano no Vaticano em que, na segunda-feira, participaram "the big three" das ordens religiosas (copyright do Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke) e que foi uma ocasião para prospectar um maior envolvimento das mulheres religiosas no futuro.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 15-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

O prefeito do Dicastério vaticano para a comunicação, Paolo Ruffini anunciou que o documento final será votado parágrafo por parágrafo com uma maioria de dois terços, enquanto uma jovem ouvinte chilena falou da necessidade da Igreja ser mais inclusiva com as pessoas homossexuais, e elogiou o Papa Francisco em relação aos abusos sexuais na Igreja de seu país.

"Não se trata de fazer ou não fazer assembleias, a Igreja deve ser uma comunidade de pertencimento”, disse o padre Cadoré em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de uma grande assembleia eclesial que supere os limites do Sínodo dos Bispos, "os jovens não precisam de estruturas ou organizações, mas de um lugar a que eles pertençam, uma igreja família de Deus, como dizem na África, que, como todas as famílias, tem reuniões às vezes mais fácil e às vezes menos fáceis: não assembleias estruturais, mas celebrações da comunidade, presididas pelo bispo, mas com a participação de todos, dos sacerdotes, que obviamente serão mais do que o bispo, e dos leigos, que serão mais numerosos do que os sacerdotes".

A declaração foi repercutida pelo padre Tasca: "A imposição de uma assembleia geral da Igreja a partir do alto me causaria um pouco de medo", disse ele, “mas incentivar formas de participação que já existem seria um bom modo de ser Igreja e ser família”. O padre Sosa expressou uma "opinião pessoal" sobre o Concílio Vaticano II, que, segundo ele, "propôs um modelo eclesiológico que ainda não se tornou realidade". Ao longo dos últimos 50 anos fizemos progressos, às vezes mais, outras vezes mais lentamente, mas acredito que o modelo proposto pelo Concílio Vaticano II, com o povo de Deus no centro, porque a Igreja é o povo de Deus, ainda não se tenha concretizado completamente. O povo de Deus obviamente precisa dos ministros que o servem e o guiam, mas esse modelo ainda busca se encarnar na história. Eu comecei a vida religiosa quando o Concílio terminou, por isso acho que posso falar sobre toda uma vida, mas percebo que, por outro ponto de vista, do ponto de vista da instituição Igreja, 50 anos não são muitos: podemos dizer que estamos caminhando de modo que as estruturas da Igreja reflitam mais o seu centro, o povo de Deus, cada um com seu ministério.

Para perguntas específicas sobre a possibilidade - na esteira dos religiosos homens, que desde o último Sínodo elegeram membros da assembleia frades não sacerdotes, que, assim, mesmo sem ordenação têm o direito de voto – também das religiosas eleitas para o Sínodo poderem votar, o mestre geral da ordem dos frades pregadores, respondeu, ressaltando que a assembleia em curso é um "Sínodo dos bispos", mas observou que o Sínodo "integrou a ideia de que entre o grande número de bispos também estejam representantes da vida consagrada" e recordou que "80% da vida consagrada é feminina” e que em si o Sínodo não é um "órgão de governo” nem está ligado “à ordenação presbiteral”, pelo que "creio que no futuro - disse o superior dos dominicanos - haverá um Sínodo de bispos que dirá que queremos que aqueles que colaboram conosco na pastoral estejam presentes" na justa proporção.

Para aqueles que lembravam que algumas associações católicas femininas estão coletando nestes dias assinaturas on-line para uma petição que pede aos bispos, aos cardeais e ao Papa a possibilidade de que as religiosas superiores votem no Sínodo - iniciativa que provoca um certo "mal-estar" - o superior da Companhia de Jesus repetiu o padre Cadoré respondendo que, em primeiro lugar, “este é um Sínodo dos bispos, e isso deve ser compreendido na estrutura da Igreja: aos Sínodos da Igreja local participa todo o povo de Deus em igualdade de condições" Outro é o Sínodo dos Bispos, sobre a qual, no entanto, e é o segundo ponto, "nós podemos avançar: penso - continuou Padre Sosa - que uma das características da reforma que quer fazer o Papa Francisco na Igreja seja aprofundar a sinodalidade, e nessa direção serão produzidas mudanças que podem mudar essa maneira de entender o Sínodo. Espero que esse mal-estar ajude a se mexer. É um sinal de que algo não está certo, e então é preciso perceber o que é e seguir em frente na maneira possível no momento". O superior dos conventuais, por sua vez, disse que o objetivo dos franciscanos é "que cada irmão possa participar e possa ser superior local, provincial e geral: este é o nosso sonho, e estamos nos esforçando para chegar a essa conclusão. Hoje, é necessário pedir a permissão da Santa Sé para o superior local".

Na abertura do briefing, Paolo Ruffini anunciou que "o documento final será votado parágrafo por parágrafo com uma maioria de dois terços". A jovem ouvinte Silvia Teresa Retamales Morales, membro do Observatório Sócio-Pastoral dos jovens no Chile, falou sobre algumas questões atuais em resposta às perguntas dos jornalistas. Sobre a discriminação sofrida por pessoas homossexuais, disse que "em um país como o meu as pessoas homossexuais sofrem bastante discriminação" e que a discriminação ocorre "quando não se trata a pessoa homossexual na sua dignidade e, na Igreja, quando a pessoa homossexual em vez de se sentir acolhida, se sente um problema"; em vez disso, "a Igreja, cujo primeiro mandato é o amor, deve reconhecer esses irmãos como pessoas que precisam ser acompanhados: ser uma igreja mais inclusiva e como podemos ajudar nossos irmãos com orientação sexual diferente, mas que querem ser parte de Igreja, é uma questão que tem sido debatida no conjunto do Sínodo", disse ela. Quanto à crise dos abusos sexuais que está abalando a Igreja no Chile, "é uma oportunidade para repensar a estrutura" da Igreja, "não basta punir, é preciso se concentrar na prevenção" e "a ação do Papa Francisco foi muito importante, ele deu confiança ao povo chileno".

Padre Cadoré ressaltou, falando sobre o Sínodo em termos gerais, que "a Igreja quer passar da escuta à conversação" e, no que diz respeito aos jovens, deseja "acolher a notícia de que eles trazem não só para transmitir, mas também para mudar." Padre Tasca enfatizou que "não existe a Igreja" e "os jovens, existem jovens na Igreja e, juntos, devemos encontrar perspectivas para o futuro," acolhendo "o que dizem os jovens com a sua sensibilidade, seu estilo, suas modalidades”. Padre Sosa destacou que "o principal trabalho do Sínodo é contribuir ao discernimento dos sinais dos tempos para responder à chamada do Espírito na mudança de época que vive a humanidade."

Entre os temas sobre os quais o superior dos jesuítas se concentrou, lembrando em especial as atividades do Serviço Jesuíta para Refugiados, está o da migração: "A maneira como enfrentamos a questão dos migrantes é um sinal importante de qualquer sociedade", seja aquela que produz fluxos de emigrantes e de deslocados internos por pobreza, guerra, política, ou, por exemplo, pela exploração das mineradoras como ocorre na África, tanto para os países de destino dos imigrantes, onde está se verificando um enfraquecimento da democracia e um fortalecimento dos "nacionalismos egoístas”. Padre Sosa depois também mencionou o problema do trânsito: "Um número que me surpreendeu é o tempo de permanência em um campo de refugiados: no ano passado eram 17 anos", motivo pelo qual a Companhia de Jesus tenta proporcionar educação nos campos de refugiados para crianças, jovens e adultos, também tentando "imaginar como a transformação digital afeta a educação, que tipo de homem, mulher e criança cresce neste mundo digital, como formá-los para um mundo que ninguém hoje pode sequer imaginar”.

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