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18 Novembro 2017

Foram eles, os refugiados que se dirigiram à seção italiana do Serviço Jesuítas aos Refugiados (JRS, na sigla em inglês), o Centro Astalli, que abriram o encontro da última terça-feira, 14, na Pontifícia Universidade Gregoriana, sobre os 37 anos da fundação do órgão, com palavras e testemunhos reunidos em um vídeo de 20 minutos, em que contam a sua integração na sociedade, os problemas, as esperanças, os lugares onde são acolhidos, onde estudam e se formam, a contribuição que dão à vida econômica, humana e cultural da Itália.

A reportagem é de Riccardo Cristiano, publicada por La Stampa, 15-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Depois, o presidente do Centro Astalli, Pe. Camillo Ripamonti, chamou ao seu lado os dois convidados da noite: o vice-diretor da revista La Civiltà Cattolica, Pe. Giancarlo Pani, e a teóloga muçulmana Shahrzad Houshmand.

O Pe. Giancarlo Pani dedicou a sua reflexão ao papel dos migrantes e “à hospitalidade que forma a humanidade”. A história da humanidade, sublinhou, é uma história de migrações: “Vemos que os migrantes existem desde bem antes dos hominídeos, que apareceram há 120 mil anos, enquanto a primeira migração de que se tem registro remonta a 3,7 milhões de anos atrás, quando um macho, uma fêmea e o seu pequeno, depois de uma erupção vulcânica, deixaram a sua terra, na atual Tanzânia, já que lá não se podia mais viver, para ir a outro lugar: quem atesta isso, em Laoetoli, a 20 quilômetros do vulcão Sadiman, são as pegadas da fuga dessa família que ficaram impressas entre cinzas e lava: assim, uma família de que não sabemos mais nada adquiriu um papel simbólico e universal na história da humanidade”.

Essas pegadas “nos dizem que o migrante nasceu muito antes do homem que chegou à Europa há 40.000 anos, vindo da África, enquanto que aquela primeira migração – reiterou – remonta a nada menos do que 3,7 milhões de anos atrás”.

Depois dessa referência histórica, o Pe. Pani abordou o capítulo muito importante do papel dos migrantes nos textos sagrados. Anunciando que a Civiltà Cattolica publicará no próximo número um artigo intitulado “A Bíblia é uma biblioteca escrita por migrantes”, o religioso lembrou que Abraão, homem rico, certamente não foi um refugiado, mas se fez migrante, e Deus estreitou uma aliança com ele, definindo-o como “amigo”. Essa aliança, continuou, também se encontra na história de Jacó, de José, de Moisés, de Israel: “Israel se torna povo de Deus como povo de refugiados”, disse.

Depois de recordar que os Patriarcas na Bíblia são descritos não como nômades, mas como imigrantes, Pani citou diversas passagens bíblicas: começando pelo livro do Êxodo, onde se diz: “Não oprima o imigrante: vocês conhecem a vida do imigrante, porque vocês foram imigrantes no Egito”, chegando até o Levítico: “O imigrante será para vocês um concidadão: você o amará como a si mesmo, porque vocês foram imigrantes na terra do Egito”.

A sua reconstrução também foi minuciosa e detalhada em relação ao Novo Testamento. Do Evangelho de Mateus, o Pe. Giancarlo Pani lembrou o capítulo 25, onde o Senhor se identifica com aqueles que têm fome, têm sede, estão nus, estão doentes, são forasteiros.

E concluiu dizendo: “Cada povo, cada pessoa será julgada pela sua real capacidade de hospitalidade. Isso não é óbvio, mas fruto da inteligência. Fruto de uma decisão livre, corajosa e arriscada. Todos somos hóspedes, todos somos migrantes, mas, na nossa bagagem de mão, temos um livro, a Bíblia, um livro feito por migrantes, para migrantes”.

Depois, foi a vez da teóloga muçulmana Shahrzad Houshmand, que, depois de ressaltar a visão profética do Pe. Pedro Arrupe, que há 40 anos viu e entendeu o grande problema da emergência dos refugiados, disse: “A ele, todos devemos saber dizer obrigado”.

A professora também se concentrou na acolhida, referindo-se a Maria, à sua acolhida. Sem o “sim” dela, lembrou, não haveria a salvação cristã. Referindo-se à intervenção do Pe. Pani, Houshmand falou não apenas da raiz abraâmica comum, mas também da visão convergente, especialmente onde se afirma no Alcorão que não se reconhece o crente porque ele se volta para o Oriente ou para o Ocidente, mas porque oferece parte dos seus bens aos parentes, aos órfãos, aos pobres, aos viandantes e aos mendigos, e resgata os prisioneiros.

A professora Houshmand indicou o exemplo mais importante da cultura da hospitalidade no Papa Francisco, que, depois de ter se dirigido em visita aos refugiados que chegaram à ilha grega de Lesbos, trouxe consigo, no voo de volta, 12 refugiados: “Um número altamente simbólico”, ressaltou. O Papa Francisco, recordou, durante a sua visita ao Santuário de Fátima, quis os refugiados na primeira fila.

Mas há duas outras figuras que lhe pareceu necessário recordar em nome da hospitalidade e da acolhida: o Pe. Paolo Dall’Oglio, jesuíta comprometido há 30 anos com o diálogo na Síria, sequestrado há mais de quatro anos em Raqqa, sem que se saiba nada do seu destino e do qual citou o livro “Crente em Jesus, apaixonado pelo Islã”; e o Pe. Christian de Chergé, prior da Abadia de Tibihrine, morto com outros seis monges trapistas na Argélia, em maio de 1996, do qual citou o testamento, onde, ao falar da Argélia e do Islã, escreveu: “Eu conheço as caricaturas do Islã que encorajam um certo islamismo. É fácil demais ficar com a consciência tranquila ao identificar esse caminho religioso com os integrismos dos seus extremismos. A Argélia e o Islã, para mim, são outra coisa, são um corpo e uma alma”.

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