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01 Maio 2018

O debate entre os bispos alemães sobre conceder ou não ao cônjuge evangélico a eucaristia ainda não está totalmente concluído. Em fevereiro passado, a Conferência Episcopal, reunida em Ingolstadt, aprovou, por maioria de dois terços, um documento provisório em que se anunciava a possibilidade de admitir à eucaristia, sob determinadas condições, o cônjuge não católico.

A reportagem é de Antonio Dall’Osto, publicada por Settimana News, 29-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas a deliberação não havia encontrado o acordo de alguns bispos. Sete deles, liderados pelo cardeal de Colônia, Rainer Maria Woelki, tinham escrito uma carta às autoridades competentes vaticanas, pedindo para esclarecer se tal norma podia ser decidida por uma conferência episcopal individual.

Alguns dias depois, o Papa Francisco convidou a Roma o cardeal Marx, presidente da Conferência Episcopal, o cardeal Woelki, arcebispo de Colônia, e o bispo de Münster, Felix Genn, para um esclarecimento.

Nos ambientes vaticanos, correu um boato de que a deliberação do cardeal Marx, sem um acordo prévio com o Pontifício Conselho para a Unidade e sem a unanimidade da Conferência Episcopal, precisava de esclarecimentos.

Quem fez o balanço sobre a atual situação foi agora o Conselho Permanente da Conferência Episcopal da Alemanha, reunido em Würzburg em 23 de abril, no qual foi redigido o texto final, com alguns retoques (“modos”) em relação ao de Ingolstadt. A redação final foi preparada pelo presidente da Conferência Episcopal, cardeal Marx, pelo presidente da Comissão para a Fé, Dom Karl-Heinz Wiesemann, e pelo presidente da Comissão Ecumênica, Dom Gehrard Feige.

Agora, é tarefa do cardeal Marx informar todos os membros da Conferência Episcopal e os dicastérios competentes da Cúria Romana.

Enquanto isso, os bispos acolheram favoravelmente a possibilidade de poder esclarecer e aprofundar o problema em Roma. O objetivo do encontro será “discutir e avaliar os aspectos pastorais e também o contexto canônico do ponto de vista da Igreja universal”.

No encontro, além dos cardeais Marx e Woelki e do bispo Felix Genn, estarão presentes os bispos Feige (Magdeburgo) e Karl-Heinz Wiesemann (Speyer). Feige lidera a Comissão para o Ecumenismo, enquanto Wiesemann representa a Comissão para a Fé da Conferência Episcopal da Alemanha.

Também foi convidado o secretário da Conferência Episcopal, o padre jesuíta Hans Langendörfer. O convite foi dirigido a ele pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, o arcebispo Luis Ladaria. Por enquanto, não se sabe se haverá outros convidados.

Em relação à data, de acordo com rumores não confirmados, parece que a reunião irá ocorrer em maio próximo. No entanto, ainda não se sabe se o Papa Francisco estará presente.

“Amém. Sim, nisso eu creio”

Sobre a questão da comunhão ao cônjuge evangélico, no dia 23 de abril passado, o cardeal Walter Kasper escreveu para o site da Igreja alemã, Katholish.de, a seguinte reflexão:

“A disputa em torno da participação do cônjuge evangélico na comunhão provocou graves danos dentro da Conferência Episcopal da Alemanha. Todo cristão, mediante o batismo, é, de uma vez por todas, incorporado na única Santa Igreja de Cristo. Isso, já hoje, une cristãos católicos e evangélicos. Eles já constituem uma única Igreja, mesmo que não em plena comunhão.

“Para os casais de confissão diferente, acrescenta-se o fato de estarem unidos pelo vínculo sacramental do matrimônio. Mediante esse sacramento, eles são assumidos no mistério da aliança de Cristo com a sua Igreja (Ef 5, 32). Com seus filhos, são uma Igreja doméstica. Se realmente vivem o que são mediante o batismo e o sacramento do matrimônio, então eles claramente têm o desejo interior de participar juntos plenamente da eucaristia, que é a fonte e o ápice da vida cristã.

“A eucaristia, como todos os sacramentos, é um sacramento da fé. Sobre isso, em princípio, os católicos e os evangélicos concordam. Consequentemente, o sacramento da eucaristia só pode ser recebido na Igreja da qual se compartilha a fé eucarística. Um cristão evangélico, por isso, deverá se perguntar se pode compartilhar na fé com aquilo que os católicos fazem na fé na celebração da Eucaristia.

“A esse respeito, a barra, para os cristãos evangélicos, não deve ser posta mais acima do que a de um católico normal, suficientemente instruído na fé. Ninguém esperará que ele saiba explicar como a doutrina católica da transubstanciação difere da consubstanciação luterana. Ambos, recebendo a eucaristia, devem dizer com convicção: ‘Este é o corpo de Cristo’ e ‘Amém. Sim, nisto eu creio’.

“Um luterano que professa Cristo não tem nenhuma dificuldade a esse respeito; ele também crê e diz que os dons eucarísticos são o corpo e o sangue de Cristo. Muitas vezes, ele crê até de maneira mais decisiva do que muitos católicos que têm a certidão de batismo. Justamente, Agostinho disse a respeito da pertença à Igreja: ‘Muitos daqueles que estão fora, na realidade, estão dentro; mas muitos daqueles que estão dentro, na realidade, estão fora’.

“O que significa que, para poder receber a eucaristia, não existe um julgamento geral; tanto para os católicos quanto para os cristãos evangélicos, isso sempre depende do caso individual. Ambos devem examinar se podem comer o único pão e beber do único cálice; se o fazem indignamente, então comem e bebem a própria condenação (ver 1Cor 11, 27-28).

“Essa deveria ser a base para refletir sobre a participação na eucaristia, não só para os cristãos evangélicos, mas também para os cristãos católicos, de maneira ecumenicamente aberta e, sobretudo, sincera.”

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