Bergoglio, o “Papa negro” vestido de branco

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Por: André | 14 Junho 2013

Ele governa a Igreja como um geral dos jesuítas. Ouve, mas decide sozinho. Foi chamado um homem da McKinsey, empresa de consultoria, para estudar a reforma da Cúria, que Francisco quer limpar da corrupção e do “lobby gay”.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada no sítio Chiesa.it, 13-06-2013. A tradução é do Cepat.

Faltava apenas um guru da McKinsey para desenhar essa reforma da Cúria que todos esperam do Papa Francisco. E eis que já está aqui.

Chama-se Thomas von Mitschke-Collande, é alemão e foi diretor da filial de Munique, na Baviera, da empresa de consultoria mais famosa e misteriosa do mundo.

No que diz respeito à Igreja, sabe do que está falando. No ano passado, publicou um livro que trazia o pouco tranquilizador título: “Quer a Igreja eliminar-se a si mesma? Fatos e análises de um consultor empresarial”. A diocese de Berlim solicitou a ele que pusesse ordem em seus balanços e a Conferência Episcopal da Alemanha solicitou-lhe um plano de economia em custos e pessoal.

A ideia de que se pusesse mãos à obra para reformar a cúria romana veio de Reinhard Marx, arcebispo de Munique, um dos oito cardeais que o Papa Jorge Mario Bergoglio chamou para que fossem seus conselheiros.

A proposta foi feita ao interessado, que a acolheu com entusiasmo, pelo jesuíta padre Hans Langendörfer, o poderoso secretário da Conferência Episcopal da Alemanha.

Também Bergoglio é jesuíta e, por sua maneira de se comportar, já se entendeu que sua intenção é aplicar ao papado os métodos de governo típicos da Companhia de Jesus, onde o prepósito geral, o chamado “Papa negro”, tem um poder praticamente absoluto.

Sua reticência em atribuir-se o nome de Papa, e sua preferência em considerar-se a si mesmo como bispo de Roma, fez exultar os paladinos da democratização da Igreja. Mas eles estão equivocados, porque quando, em 13 de abril, o Papa Francisco nomeou oito cardeais “para aconselhá-lo no governo da Igreja universal e para estudar um projeto de revisão da cúria romana”, ele os escolheu pessoalmente.

Se tivesse seguido as sugestões do pré-conclave, o “conselho da coroa” teria sido formado na sequência, pois teria sido suficiente chamar para o seu lado os doze cardeais, três por continente, que são escolhidos ao final de cada sínodo, incluindo o último de outubro de 2012. Estes são escolhidos por voto secreto e representam a elite do episcopado mundial. Incluem quase todos os nomes de peso do último conclave: os cardeais Timothy Dolan, de Nova York, Odilo Scherer, de São Paulo, Christoph Schönborn, de Viena, Peter Erdö, de Budapeste, Luis Antonio Gokim Tagle, de Manila.

Mas, não foi o que aconteceu. O Papa Francisco quis pessoalmente, e não outros, escolher os seus oito conselheiros que, portanto, são chamados a responder apenas a ele, e não também a uma assembleia eletiva.

Quis um por cada região geográfica: Reinhard Marx, para a Europa; Sean Patrick O’Malley, para a América do Norte; Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, para a América Central; Francisco Javier Errázuriz Ossa, para a América do Sul; Laurent Monsengwo Pasinya, para a África, Oswald Gracias, para a Ásia; George Pell, para a Oceania; mais um de Roma, não da cúria propriamente dita, mas do Estado da Cidade do Vaticano, seu governador, o cardeal Giuseppe Bertello.

Praticamente todos os escolhidos ocupam, ou já ocuparam, cargos diretivos em organismos eclesiásticos continentais.

É exatamente isso que acontece na Companhia de Jesus. Bergoglio foi superior provincial e assimilou o estilo. No vértice da Companhia os assistentes que rodeiam o geral, e que são nomeados por este, representam as respectivas regiões geográficas. As decisões não são tomadas colegiadamente; só o geral decide, com poderes diretos e imediatos. Os assistentes não precisam colocar-se de acordo entre si e com o geral, mas que o aconselham um por um, com a máxima liberdade.

Um efeito deste sistema sobre a reforma da cúria romana anunciada pelo Papa Francisco é que não se criou nenhuma comissão de especialistas com a tarefa de elaborar um projeto unitário e acabado.

Os oitos cardeais estão pedindo, separadamente, a contribuição de pessoas de sua confiança, com os perfis mais diferentes. Além do homem da McKinsey recrutado pelo cardeal Marx, foram interpelados ao menos uma dezena de outros, provenientes de diferentes países.

Outros se ofereceram por própria iniciativa, como, por exemplo, o cardeal Francesco Coccopalmerio, presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, autor de um projeto de reforma que teria em seu centro um “moderator curiae”, que se ocuparia do funcionamento da máquina.

No começo de outubro, os oito se reunirão com o Papa e lhe entregarão um pacote de propostas. Mas quem vai decidir será ele. Só ele.

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