''Não se pode calar sobre o relatório da Cúria'', diz cardeal

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24 Fevereiro 2013

Embora a Relationem, o dossiê secreto dos três cardeais encarregados de investigar o Vatileaks e o vazamento de documentos confidenciais do apartamento papal, permanecerá na caixa-forte do papa dentro do seu apartamento e não será tornada pública, já é evidente que os venenos internos à Cúria Romana inevitavelmente entrarão no conclave.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 24-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não por acaso, surpreendentemente, foi o arcebispo papável de Sydney, George Pell – há dois anos, sua possível chegada a Roma à frente da Congregação dos Bispos foi impedida por rumores que circularam no Vaticano sobre os escândalos de pedofilia que se verificaram no clero da sua diocese –, que disse : "Depois de ter lido os bastidores dos jornais italianos sobre o dossiê secreto, cujo conteúdo me é desconhecido, acredito que é um dever que o Vaticano diga algo a respeito". E ainda: "Se o dossiê contém o que os jornais italianos afirmam, então é preciso uma profunda reforma de toda a Cúria Romana e do próprio Vaticano".

Palavras compartilhadas por outros barretes vermelhos, acima de tudo pelos cardeais norte-americanos que não parecem dispostos a passar pelos únicos "encobridores" dos casos de pedofilia no clero. Obrigados a depor perante tribunais seculares e a descobrir esqueletos talvez de anos de idade, eles pedem que Roma mostre dentro de todo o Colégio Cardinalício a mesma vontade de transparência.

Muitas coisas mudaram desde que, há dez meses, os três cardeais haviam começado a trabalhar com a indiferença de todo o Vaticano. "O que três purpurados com mais de 83 anos poderão descobrir de novo?", perguntavam-se, não sem ironia, alguns monsenhores da Cúria.

Mas, ao contrário, a partir do dia 24 de abril até hoje, o espanhol Julian Herranz, o esloveno Jozef Tomko e o italiano Salvatore De Giorgi – são eles que formam a comissão de investigação – fundamentaram toda a sua experiência de espiões experientes do mundo eclesial e redigiram um dossiê que se afirma ser volumoso e que, segundo os tormentos que provoca entre purpurados e bispos, parece ser explosivo.

Além dos três cardeais e do padre capuchinho Luigi Martignani, secretário da comissão que há muito tempo trabalha na Secretaria de Estado vaticana, o único que leu o dossiê é o Papa Bento XVI. Nessa segunda-feira, ele vai se encontrar com Martignani e os três cardeais em uma audiência que não será de rotina. Embora, de fato, estivesse agendada desde antes que Ratzinger anunciou a vontade de renunciar, ela não foi suprimida. Se se tratasse de uma simples despedida, de uma saudação de agradecimento, o papa teria adiado, mas isso não aconteceu.

Herranz, Tomko e De Giorgi oferecerão uma avaliação conclusiva sobre um trabalho que, ainda desde meados de dezembro passado, encontra-se sob a atenção do papa, se certificarão de que todo o dossiê permaneça nas mãos de Ratzinger e eventualmente do seu sucessor, mas que não chegue a outros.

Juntos, oferecerão a sua própria disponibilidade de falar durante as congregações gerais que precedem o conclave, se algum dos cardeais presentes pedir expressamente para conhecer o conteúdo do seu longo e minucioso trabalho.

Que fique claro: é "totalmente improvável", dizem fontes vaticanas, que os três cardeais revelem os nomes das personalidades que eles investigaram, assim como os nomes dos muitos que foram chamados, por várias razões, para depor durante os dez meses de trabalho.

Mas "não se exclui" que eles possam dar uma ideia aproximada do que o dossiê contém. Herranz, em particular, não teria nenhuma dificuldade, se solicitado, a oferecer uma síntese aproximada em benefício de todos os eleitores.

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