Ladaria: ''Carta 'Placuit Deo'? Alinhada com a 'Dominus Iesus' contra as novas heresias''

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02 Março 2018

Na era da internet, do 2.0, dos tuítes e do fluxo contínuo de "news”" (muitas vezes "fake"), o ser humano ainda está interessado na salvação cristã? “Certamente sim. A nossa experiência nos ensina que cada pessoa está em busca da própria realização e felicidade.” A certeza é do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Luis Francisco Ladaria Ferrer, que nessa quinta-feira, 1º, na Sala de Imprensa vaticana, apresentou o documento Placuit Deo, (disponível aqui, em português) dirigido pelo ex-Santo Ofício a todos os bispos da Igreja Católica e dedicado a “alguns aspectos da salvação cristã”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 01-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Justamente na web, explicou o prefeito, corre-se o risco de alimentar e fazer proliferar as duas “antigas” heresias do pelagianismo e do gnosticismo, reapresentadas em novas formas como “autossuficiência em salvar a si mesmos” e “isolamento” daquela dimensão comunitária fundamental no processo salvífico. Uma espécie de “salvação meramente interior, fechada no subjetivismo”.

Observando essas “transformações culturais”, 18 anos após a publicação da Dominus Iesus, assinada em 2000 pelo então prefeito da Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, “diversos teólogos pediram à Congregação que aprofundasse alguns aspectos já enunciados naquela declaração, sugerindo um novo documento acerca da salvação cristã”, explicou Ladaria.

Portanto, não é uma “iniciativa direta” do papa, que, no entanto, aprovou em 16 de fevereiro a publicação da carta – decidida na Plenária da Congregação, de 23 a 26 de janeiro de 2018 – pedindo para “publicá-la o quanto antes”.

A gênese da Placuit Deo, portanto, não está estreitamente ligada a este pontificado: “Não há nenhuma razão especial para publicá-la agora, neste momento e não em outro”, sublinhou o arcebispo espanhol. “Nós o fizemos quando o documento estava maduro e pronto. O processo de preparação foi muito longo: o estudo interno, os pareceres dos consultores, as aprovações finais dos cardeais membros da Congregação para a Doutrina da Fé, a aprovação do Santo Padre.”

Nessa quinta-feira, portanto, foi a apresentação ao mundo com o objetivo de “combater esses reducionismos, porque lembram velhos problemas, embora não os reproduzam. Seria impossível a séculos de distância”, afirmou Dom Ladaria.

Mas como os reproduzem? “Nós não damos exemplos concretos de pelagianismo e gnosticismo, não é nossa tarefa”, esclareceu, “não se quer apontar o dedo” contra algo ou alguém, mas simplesmente advertir contra essas “tendências perigosas” da “autossuficiência” e do “isolamento” e reiterar que “só há um Salvador: Cristo”.

Ou seja, “a universalidade salvífica de Cristo”, que era “o ponto fundamental” da Dominus Iesus. A carta apresentada nessa quinta-feira, de fato, está perfeitamente “alinhada” com a declaração do ano 2000: “Não há nenhuma mudança, nenhuma refutação”, observou Ladaria.

O que se deseja obter mediante esse texto, reiterou Dom Giacomo Morandi, secretário da Doutrina da Fé, é “ajudar os fiéis a redescobrirem a beleza, o fascínio de pertencer à Igreja, que é a essência de todo o caminho de evangelização”, tendo em mente que “ninguém está isento de riscos, dos reducionismos da experiência de fé”.

Em outras palavras, observou Morandi, “devemos nos perguntar: onde e como podemos receber essa salvação? ‘O lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja – disse ele, citando a carta –, comunidade daqueles que, tendo sido incorporados à nova ordem de relações inaugurada por Cristo, podem receber a plenitude do Espírito de Cristo’. Compreender essa mediação salvífica da Igreja é uma ajuda essencial e indispensável para superar toda tendência reducionista”.

Além disso, lembrou o secretário, “a visão individualista neopelagiana e a visão meramente interior neognóstica também contradizem abertamente a economia dos sacramentos, por meio dos quais Deus quis salvar cada pessoa humana”.

Pode-se falar, então, de um aprofundamento do magistério da Igreja que olha para as exigências do tempo presente, com uma atenção especial às questões ecumênicas. Precisamente aquelas que foram objeto de forte contestação pela Dominus Iesus. Mas a Placuit Deo, logo esclareceu o prefeito Ladaria, “não pretende entrar diretamente nas questões das objeções que foram postas em campo ecumênico”.

O vínculo é muito mais antigo e diz respeito à segunda parte da Lumen gentium, a constituição conciliar em que se afirma, entre outras coisas, que “fora” da Igreja Católica “encontram-se muitos elementos de santificação e de verdade, que, pertencendo propriamente por dom de Deus à Igreja de Cristo, levam à unidade católica”. O prelado citou literalmente essas palavras durante a coletiva para reiterar que “a Igreja não volta atrás em relação a essa afirmação. Ela está comprometida e estará comprometida com o ecumenismo a partir dessa convicção”.

Não há nenhuma questão de “superioridade”, acrescentou, respondendo aos jornalistas, “que não me parece ser a palavra certa a se usar... A Igreja Católica subsiste – eis a palavra certa – na Igreja de Cristo. E reconhece de bom grado a presença de elementos salvíficos também nas outras confissões cristãs. São valores apreciados. Não fazemos nenhuma concessão”.

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