Papa Francisco avança na reforma da Cúria Romana

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19 Julho 2017

Ele nomeou nessa terça-feira, 18, o bispo italiano Giacomo Morandi, 51 anos, como secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.

A reportagem é de Elisabetta Piqué, publicada no jornal La Nación, 18-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Embora esteja teoricamente “de férias” – algo que, na verdade, ele nunca tirou em sua vida – o papa continua avançando na reforma da Cúria Romana.

Duas semanas depois de ter deposto o cardeal alemão Gerhard Müller, ao qual, no início deste mês, não renovou o seu mandato de cinco anos à frente da Congregação para a Doutrina da Fé – algo que caiu como uma bomba –, Francisco nomeou o bispo italiano Giacomo Morandi, 51 anos, como secretário dessa congregação, uma das mais importantes do Vaticano.

Morandi, que já trabalhava como subsecretário (isto é, como o número três) do ex-Santo Ofício desde o fim de 2015, também recebeu a dignidade de arcebispo. E se tornou o número dois da Congregação para a Doutrina da Fé, liderada há duas semanas pelo arcebispo espanhol Luis Francisco Ladaria Ferrer, a quem o papa nomeou no lugar de Müller no dia 1º de julho passado.

Até então, Ladaria Ferrer, 73 anos, tinha sido secretário da Congregação, ou seja, o segundo de Müller. Ladaria Ferrer se tornou o primeiro jesuíta que dirige a Congregação mais antiga do Vaticano, que guarda a ortodoxia católica, também chamada de “a Suprema”.

Além de ser de linha conservadora, ao contrário do cardeal Müller que também remava contra Francisco, Ladaria é considerado totalmente leal ao papa e conhece bem a Congregação para a Doutrina da Fé, já que trabalha lá desde 2008.

Dom Morandi, biblista nascido em Modena – no centro-norte da Itália – tinha sido nomeado pelo Papa Francisco como terceiro na Congregação no dia 27 de outubro de 2015 e é considerado uma pessoa de confiança de Jorge Bergoglio.

De acordo com fontes vaticanas, Morandi, que, além de altos estudos acadêmicos, também tem experiência pastoral, tem uma ótima relação com Ladaria, com quem trabalhou de perto por mais de 20 meses.

A ascensão de ambos a número 1 e número 2, respectivamente, reafirma a influência do papa em uma Congregação-chave, na qual, agora, ele tem duas pessoas que lhe respondem. E isso se dá em uma estratégia de continuidade.

“Nenhum dos opositores do papa pode criticá-lo por causa dessas designações, porque ele colocou duas pessoas que já estavam na Congregação para a Doutrina da Fé. Ele não colocou outsiders”, comentou uma fonte vaticana.

A saída de Müller da Congregação foi considerada pela ala mais conservadora da Igreja, que se opõe às aberturas pastorais de Francisco e teme um colapso da doutrina, como um duro golpe. Ninguém esperava que o papa não renovaria o seu mandato de cinco anos, algo sem precedentes para um titular da Congregação para a Doutrina da Fé nos tempos modernos.

No seu quinquênio, Müller, que tinha sido nomeado à frente da Congregação para a Doutrina da Fé por Bento XVI, papa emérito, não fez nada mais do que confrontar o papa. Na verdade, ele foi um dos signatários de uma famosa carta que 13 cardeais escreveram ao papa antes do início do segundo Sínodo sobre a família, criticando os procedimentos de tal reunião e acusando o pontífice de manipulação, algo sem precedentes.

Assim como a ala mais conservadora da Igreja, Müller nunca pôde aceitar o capítulo oitavo da exortação apostólica Amoris laetitia, sobre o amor na família, que abriu as portas dos sacramentos aos divorciados em segunda união, depois de um discernimento, caso a caso.

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