“Que Deus proteja a Igreja do poder, da imagem e do dinheiro”, pede o Papa Francisco

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Por: André | 11 Novembro 2015

“Que Deus proteja a Igreja italiana do poder, da imagem e do dinheiro”. Francisco dirigiu aos católicos italianos, reunidos no Congresso da Igreja  italiana em Florença, um amplo e programático discurso. O Papa pede à Igreja para que seja humilde, desinteressada e que viva as bem-aventuranças evangélicas. Convida-a para fugir das tentações do gnosticismo e do pelagianismo. Pede que ajude os pobres e que seja capaz de um diálogo sincero com todos para construir juntos o bem comum.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 10-11-2015. A tradução é de André Langer.

O que é o humanismo

Francisco explica que podemos falar de humanismo apenas “a partir da centralidade de Jesus, descobrindo n’Ele o verdadeiro rosto do homem... Jesus é o nosso humanismo”. Ao ver seu rosto, explicou o Papa, vemos “o rosto de um Deus ‘esvaziado’, que assumiu uma condição de servo”, semelhante ao rosto de “muitos de nossos irmãos humilhados, escravizados, esvaziados”. Sem nos abaixar, “não seremos capazes de ver seu rosto” e, portanto, “não compreenderemos nada do humanismo cristão, e nossas palavras serão belas, cultas, refinadas, mas não serão palavras de fé. Serão palavras que ecoam no vazio”.

Humilde, desinteressada e beata

Francisco apresentou “pelo menos três” sentimentos de Jesus que descrevem o novo humanismo. O primeiro é a humildade. “A obsessão de preservar a própria glória, a própria dignidade, a própria influência não deve fazer parte dos nossos sentimentos. Devemos buscar a glória de Deus, e esta não coincide com a nossa”.

Um segundo sentimento de Jesus é o desinteresse, ou melhor, “a felicidade daqueles que estão ao nosso lado. A humanidade do cristão está sempre em saída. Não é narcisista, auto-referencial”. “Nosso dever – acrescentou – é trabalhar tornar este mundo um lugar melhor e lutar. Nossa fé é revolucionária por um impulso que vem do Espírito Santo”.

Um terceiro sentimento “de Jesus Cristo é o da beatitude. O cristão é um beato, leva em si a alegria do Evangelho. Nas bem-aventuranças, o Senhor nos indica o caminho”. Estes sentimentos “dizem que não devemos ficar obcecados pelo ‘poder’, mesmo quando isto pode parecer útil e funcional para a imagem social da Igreja. Se a Igreja não assume os sentimentos de Jesus, fica desorientada, perde o sentido. Os sentimentos de Jesus nos dizem que uma Igreja que pensa em si mesma e nos próprios interesses é triste”.

As tentações pelagiana e gnóstica

O Papa apresentou duas tentações. “Não farei um elenco das tentações, como as 15 que explicitei na cúria...”. A primeira é a pelagiana, que “leva a Igreja a não ser humilde, desinteressada nem beata. E o faz com a aparência de um bem. O pelagianismo nos leva a confiar nas estruturas, nas organizações, nos planejamentos perfeitos porque são abstratos. Muitas vezes nos leva a assumir um estilo de controle, de dureza, de normatividade. A norma dá ao pelagianismo a segurança de sentir-se superior”.

Francisco explicou que “diante dos males ou dos problemas da Igreja é inútil buscar soluções em conservadorismos ou fundamentalismos, na restauração de condutas e formas superadas que nem mesmo culturalmente têm capacidade de ser significativas. A doutrina cristã não é um sistema fechado incapaz de provocar perguntas, dúvidas, interrogações, mas está vivo, sabe inquietar e animar. Tem um rosto não rígido, tem um corpo que se move e se desenvolve, tem carne tenra: chama-se Jesus Cristo”.

A Igreja deve ser livre

A reforma da Igreja “não termina no enésimo plano para mudar as estruturas. Significa, pelo contrário, arraigar-se em Cristo, deixando-se guiar pelo Espírito”. A Igreja italiana deve “deixar-se levar por seu sopro poderoso e, por isso, às vezes, inquietante. Deve ser uma Igreja livre e aberta aos desafios do presente, nunca na defensiva por medo de perder alguma coisa”. A segunda tentação “que deve ser derrotada é a do gnosticismo. Ela leva a confiar no raciocínio lógico e claro, mas que perde a ternura da carne do irmão. O fascínio do gnosticismo é a de uma fé fechada no subjetivismo”.

Pastores, centrem-se no essencial

O Papa Bergoglio pediu aos bispos italianos para que sejam “pastores, nada mais: esta é a sua alegria. Serão as pessoas, seu rebanho, que sustentarão vocês”. “Que nada nem ninguém – acrescentou – tire de vocês a alegria de ser sustentados por seu povo. Como pastores, não sejam pregadores de complexas doutrinas, mas anunciadores de Cristo, morto e ressuscitado por nós. Centrem-se no essencial, no kerigma. Não há nada mais sólido, profundo e seguro que este anúncio. Mas que todo o povo de Deus seja o proclamador do Evangelho, povo e pastores”.

Francisco recomendou a toda a Igreja italiana o que indicou na exortação Evangelii Gaudium: a inclusão social dos pobres e a capacidade de encontro e de diálogo para favorecer a amizade social no país, buscando o bem comum. “Os pobres conhecem bem os sentimentos de Jesus Cristo porque, por experiência, conhecem o Cristo que sofre... Que Deus proteja a Igreja italiana de qualquer substituto, como o poder, a imagem ou o dinheiro. A pobreza evangélica é criativa, acolhe, sustenta e é repleta de esperança”. O Papa recorda que “o Senhor derramou seu sangue não por alguns, nem por poucos, nem por muitos, mas por todos”.

Diálogo e confronto

Bergoglio, na sequência, recomendou “a capacidade de diálogo e de encontro. Dialogar não é negociar”, mas “buscar o bem comum para todos. Discutir juntos, pensar nas melhores soluções para todos”. “Não devemos ter medo do diálogo – disse o Papa. Mais, justamente o confronto e a crítica nos ajudam a preservar a transformação da teologia em ideologia”. Francisco recordou que “a melhor maneira para dialogar não é falar e discutir, mas fazer algo juntos, construir juntos, fazer projetos: não sozinhos, entre católicos, mas junto com todos os que têm boa vontade”.

Apelo aos jovens e à Igreja inquieta

O Papa fez um apelo aos jovens, convidou-os a superar a apatia: “Peço-lhes que sejam construtores da Itália, que ponham mãos à obra por uma Itália melhor. Não contemplem a vida da sacada, mas comprometam-se, mergulhem no amplo diálogo social e político” e “onde quer que estejam, não construam nunca nem muros nem fronteiras, mas praças e hospitais de campanha”.

“Gosto muito de uma Igreja italiana inquieta, cada vez mais próxima dos abandonados, dos esquecidos, dos imperfeitos. Desejo – prosseguiu o Papa – uma Igreja alegre com o rosto de mãe, que compreende, acompanha e acaricia. Sonhem também vocês esta Igreja, acreditem nela, inovem com liberdade”.

Finalmente, o Papa Francisco propôs: “em cada comunidade, em cada paróquia e instituição, em cada diocese e circunscrição, procurem fazer, de maneira sinodal, um aprofundamento da Evangelii Gaudium, para extrair dela os critérios práticos e colocar em prática suas disposições”.

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