Papa Bento XVI, a renúncia como progresso

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14 Fevereiro 2018

Há cinco anos, Bento XVI renunciou à sua posição como líder da Igreja para preservá-la, levando-a a um período de ressurgimento. Dessa maneira, Bento XVI nos ensinou sobre a dignidade da velhice.

A reportagem é de Christoph Strack, publicada por Deutsche Welle, 11-02-2018. A tradução é de André Langer.

O termo “sensação” é insuficiente para descrever o ocorrido. Foi, na verdade, um choque, um momento de paralisia. Quando o Papa Bento XVI, na época com 85 anos, anunciou inesperadamente sua renúncia em 11 de fevereiro de 2013, em pleno carnaval, os olhos do mundo voltaram-se para Roma. A mídia alemã demorou a fazer o anúncio da notícia; todos queriam ter a certeza de que não se tratava de uma brincadeira de carnaval.

Com esse passo histórico, o primeiro papa alemão depois de quase 500 anos, gerou imagens que comoveram o mundo inteiro. E redefiniu o cargo, mostrando-nos o seu lado mais humano. No obstante, seu antecessor, João Paulo II, extremamente debilitado no final de seu papado, declarou que um papa nunca deve renunciar. E após o anúncio de Bento XVI, seu ex-secretário, o cardeal polonês Stanislaw Dziwisz, dissera que o Papa Wojtyla cumprira sua missão como papa até a morte, apesar da grave doença. E até havia dito: “Não se desce da cruz”.

Revitalizar o papado

Apesar das críticas, Bento decidiu de maneira diferente de seu antecessor. E assim, reconectou e revitalizou o papado: ganhou importância em tempos de globalização, de busca internacional de significado e de uma nova relevância para a diplomacia do Vaticano. “Quando um papa chega à clara compreensão de que física, mental e espiritualmente não está mais em condições de exercer o seu trabalho, então tem o direito e, em algumas circunstâncias, o dever de renunciar”, já tinha declarado Bento em 2010 em uma entrevista que concedeu para um livro. E só mesmo um teólogo tão grande como o Papa Bento XVI poderia dar esse passo com tanta serenidade.

Mesmo depois de cinco anos, para muitos especialistas em direito eclesiástico, muitas perguntas sobre a renúncia de Joseph Ratzinger ainda permanecem abertas. Como se dirigir a um papa que renunciou? (o termo “papa emérito” é amplamente criticado) Como ele deve se vestir? De branco papal ou de vermelho como os cardeais? Além disso, a questão da residência de Bento XVI com o seu sustento monástico nos Jardins do Vaticano foi resolvida, mas não definitivamente. Nenhuma lei eclesiástica proibiria um fim de vida em clausura. E muitos se irritaram com o fato de que “a vida de oração” como um serviço para a “santa Igreja de Deus”, de que Bento XVI falou quando anunciou sua renúncia, tenha incluído também, desde então, algumas locuções políticas sobre a Igreja.

Em decorrência de sua decisão, Bento possibilitou a eleição de um reformador (francamente conservador). Ele se tornou o Papa da transição, e, no entanto, entrará para a história da Igreja por muito mais do que isso. Nenhum outro ato em séculos passados, incluindo a codificação da questão longamente discutida da infalibilidade papal, mudou tanto o papado, transformando a Igreja católica. Quanto? Somente o tempo dirá.

“Peregrinando para casa”

A decisão de Bento e sua vida em clausura desde a sua renúncia, na noite de 28 de fevereiro de 2013, corresponde a diferentes razões. Não tem nada a ver com a Igreja e o poder, mas sim com questões existenciais, que, em última instância, nos ensinaram sobre a dignidade e, ao mesmo tempo, sobre o ônus da velhice. Há alguns dias, Bento escreveu aos leitores de um jornal italiano, dizendo que muitos de seus seguidores queriam saber “como eu passo esta última fase da minha vida”.

“Tudo o que posso dizer é que, à medida que as forças físicas estão diminuindo lentamente, estou interiormente peregrinando para casa. É positivo para mim estar cercado de amor e bondade nesta última fase do meu caminho, às vezes trabalhoso, como não poderia ter imaginado”, disse.

Qualquer pessoa que já acompanhou um idoso que se encaminha para a morte sabe o que isso significa.

O Papa Bento XVI segue sendo um grande teólogo. E é até hoje, e sempre será, um ser humano profundamente religioso.

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