"Um testemunho de amizade muito estranho". Padre Lombardi comenta declarações de arcebispo sobre a renúncia de Bento XVI

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09 Março 2017

Sobre as recentes declarações de Dom Luigi Negri sobre a renúncia de Bento XVI há quatro anos, contatamos o Pe. Federico Lombardi, presidente do conselho administrativo da Fundação Vaticana Joseph Ratzinger-Bento XVI e porta-voz vaticano em fevereiro de 2013, ano da renúncia do papa emérito.

A íntegra da nota de Federico Lombardi é publicada por Il Sismografo, 08-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a nota.

Ler as declarações de Dom Negri é sempre interessante e, em certo sentido, agradável, já que ele gosta de dizer o que pensa “fora dos dentes”. Assim também em relação a boa parte da sua última entrevista, publicada no sítio Rimini 2.0. Mas, às vezes, é lícito se interrogar sobre a apropriação daquilo que se diz.

Refiro-me àquilo que ele afirma na terceira resposta da entrevista, prontamente retomada no título do artigo: “Graves responsabilidades dentro e fora do Vaticano pela renúncia de Bento XVI”. Afirmações que não passaram despercebidas e foram prontamente relançadas em várias publicações, suscitando interrogações e – a meu ver – uma inútil confusão.

Dom Negri, que fala de boa vontade sobre a sua “forte amizade” com Bento XVI, diz: “Tenho pouco conhecimento – por sorte – dos fatos da Cúria Romana, mas estou certo de que, um dia, surgirão graves responsabilidades dentro e fora do Vaticano. Bento XVI sofreu pressões enormes”. Depois, refere-se a supostas pressões exercidas pelo governo Obama e conclui: “Continua sendo um mistério gravíssimo, mas estou certo de que as responsabilidades vão vir à tona. Aproxima-se o meu ‘fim do mundo’ pessoal, e a primeira pergunta que vou fazer a São Pedro será justamente sobre esse caso”.

Acima de tudo, observo que – por sorte – Dom Negri reconhece que conhece pouco os fatos, o que, em parte, permite relativizar as suas afirmações, que, no entanto, nos são apresentadas como uma “certeza”.

Agora, o que Bento XVI afirmou publicamente perante os cardeais reunidos em Consistório e ao mundo, e o que reiterou mais uma vez claramente nas respostas a Peter Seewald publicadas nas Ultime Conversazioni, publicadas pela editora Garzanti, é absolutamente diferente daquilo que Negri afirma. Bento XVI, de fato, afirma que tomou a decisão da renúncia em plena liberdade e responsabilidade, e que não há nenhum mistério a ser revelado. Eu sempre estive convicto que Bento XVI é um homem que colocou a verdade em primeiro lugar. Como é possível contradizer tão descaradamente aquilo que ele disse solenemente e, depois, reiterou?

Parece-me um estranho testemunho de “amizade” de Dom Negri, que contradiz triunfalmente o que seu amigo diz. Observo ainda que eu tenho praticamente a mesma idade de Dom Negri e eu também me preparo para o meu “fim do mundo” pessoal: mas não vou fazer a São Pedro a mesma pergunta de Dom Negri, porque a resposta já me foi dada por Bento XVI, e, pessoalmente, eu acredito nela. Portanto, eu vou pensar em outra.

Para concluir, é muito verdade – como diz Dom Negri – que o papa emérito está “muito lúcido no pensamento”, mas também “fragilizado fisicamente”. Por isso, há quatro anos, ele não teria mais sido capaz de presidir longas celebrações públicas, longas audiências, complexas reuniões, assembleias sinodais, muito menos fazer viagens, nem mesmo visitas a paróquias etc... Na sua perfeita lucidez, há quatro anos, ele já estava totalmente consciente disso e, evidentemente, pensou que isso seria um problema para a comunidade da Igreja... Como dizer que ele estava errado?

Não me parece que seja necessário pensar, justamente, em terríveis pressões do outro lado do oceano. Podemos pensar tranquilamente que a sua decisão foi muito sábia e razoável, diante de Deus e diante dos homens. Somos-lhe gratos por isso. Eu acredito que diversos dos seus sucessores também lhe serão gratos.

F. Lombardi S.I.

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