Bento XVI a Francisco: “Prometo minha total obediência”

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11 Fevereiro 2018

“Eu estava com o telefone sem fio, e quando o telefone tocou passei-o ao Papa Bento, e o ouço dizer: ‘Sua Santidade, prometo desde já a minha total obediência e minhas orações’. Não posso me esquecer daqueles momentos...” Estas foram as primeiras palavras que o Papa emérito dirigiu ao seu sucessor Francisco, no dia da sua eleição. Ele as pronunciou imediatamente após a janta, com um telefone sem fio. E Ratzinger pôde comunicar ao bispo recém-eleito de Roma as palavras que havia pronunciado no último encontro com os cardeais antes de deixar a Sé Apostólica, quando, sem saber quem seria seu sucessor, disse: “Entre vocês está também o futuro Papa, a quem prometo minha incondicional reverência e obediência”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 09-02-2018. A tradução é de André Langer.

Quem revelou de maneira pormenorizada o que aconteceu em Castel Gandolfo no 13 de março de 2013 foi mons. Alfred Xuereb, atual secretário-geral da Secretaria de Economia, e na época secretário particular de Bento XVI (2007-2013), e depois durante os primeiros meses de Francisco. Xuereb foi entrevistado por Alessandro Gisotti para o Vatican News, o portal que reúne todos os meios de comunicação da Santa Sé.

“Quais foram os momentos mais fortes? Obviamente – disse Xuereb –, os momentos relacionados à sua renúncia. Sim, lembro-me perfeitamente de 5 de fevereiro de 2013, quando o Papa Bento XVI me convidou para ir à sua sala e me anunciou a grande decisão de sua renúncia. Naquela hora, quase me ocorreu espontaneamente perguntar-lhe: ‘Mas, por que não pensa nisso um pouco?’ Mas não o fiz, porque estava convencido de que já tinha pensado muito nisso. Além disso, precisamente naquele momento me lembrei de um detalhe. Durante um longo tempo, ele se detinha na sacristia, antes de começar a celebrar a missa na capela privada, em oração. E, apesar das batidas do relógio, que anunciavam o início da missa. Ele as ignorava e permanecia recolhido diante do crucifixo que está na sacristia. Eu estava convencido de que ele estava rezando por algo muito importante. Nesse 5 de fevereiro, enquanto ouvia a grande decisão do Papa Bento, pensei: ‘Então, muito provavelmente rezava por isso!’”

“Evidentemente – prossegue Xuareb –, outro momento forte foi o anúncio público durante o Consistório de 11 de fevereiro. Eu chorei o tempo todo e inclusive durante o almoço. Ele entendeu que eu estava muito emocionado; e eu lhe disse: ‘Santo Padre, mas o senhor está tranquilo?’ E ele me respondeu com firmeza: ‘Sim’, porque o seu trabalho já estava feito. Ele estava sereno precisamente porque sabia que tinha avaliado tudo e que estava em paz, na vontade de Deus!”

“Um momento muito intenso – disse o prelado maltês na entrevista – para mim foi o momento da sua despedida, porque ele me repetiu: ‘Você vai com o novo Papa’. E depois, quando o Papa Francisco foi eleito, escreveu-lhe uma carta insistindo na sua vontade de me deixar livre, caso precisasse de mim. E quando chegou o dia para deixar Castel Gandolfo para ir com o Papa Francisco, a Secretaria de Estado me avisou: ‘Corre, arrume suas malas, porque o Papa Francisco está abrindo a correspondência sozinho!’ Entrei no escritório do Papa Bento XVI para comunicá-lo e pedi-lhe, chorando, sua bênção. Ele levantou muito serenamente, eu fiquei de joelhos e ele me deu a bênção com a qual ele me deixou ir”.

Xuereb também diz que se encontrou recentemente com o Papa emérito: “Ele me convidou para o meu aniversário (14 de outubro, ndr.), para celebrar a missa e tomar o café da manhã. Eu o vi bastante lúcido e me perguntou várias coisas... Depois, os olhares que me dirigiu durante o café da manhã me fizeram pensar: ‘Mas, como estou contente em poder vê-lo novamente’. Ele se lembrava perfeitamente de detalhes da minha família, da minha mãe e até dos gatos da minha mãe! Obviamente, está muito frágil fisicamente. Já está com quase 91 anos. Minha mãe, que tem ‘apenas’ 82, não tem as condições físicas que ele tem!”

Sobre o gesto da renúncia, Xuereb disse que se tratava de um gesto “grandioso” e “heroico”. “Ele compreendeu especialmente durante o voo para o México que não poderia mais fazer viagens longas. E em breve chegaria a Jornada Mundial da Juventude, no Brasil, e ele compreendeu que não poderia mais viajar, e fazer esforços como aquele... Sua atitude foi heroica, a meu ver, porque pensou sobretudo na Igreja, no amor pela Igreja que era muito maior do que o amor por si mesmo, por seu ego. Ele não se incomodou com o que algumas pessoas ou ambientes poderiam pensar sobre ele, que não tinha coragem para prosseguir... Ele sempre esteve sereno; tendo compreendido que Deus lhe havia pedido aquele gesto de governo, amando mais a Igreja do que a si mesmo”.

Em relação à relação cordial entre Bento XVI e seu sucessor, Xuereb disse: “Ainda antes de se apresentar ao mundo, na sacada da Basílica de São Pedro, [o Papa Francisco] tentou ligar para o Papa Bento XVI para cumprimentá-lo. Nós estávamos na sala de televisão, onde o telefone sempre está com o volume baixo e por isso não o ouvimos tocar. E este é o motivo pelo qual o Papa Francisco chegou atrasado na sacada. Mais tarde ligaram novamente, durante o jantar, e perguntaram: ‘Mas, onde vocês estavam?’ ‘Estávamos assistindo TV!’ ‘O Papa Francisco vai telefonar depois da janta’. Eu estava com o telefone sem fio, e quando o telefone tocou passei-o imediatamente ao Papa Bento, e o ouço dizer: ‘Sua Santidade, prometo desde já a minha total obediência e minhas orações’. Não posso me esquecer daqueles momentos...”.

Para concluir, o ex-secretário do Papa Ratzinger enfatizou que a decisão de “viver uma vida retirada” surgiu “precisamente para se preparar para o encontro final com o Senhor”, mas “enquanto o faz, vive esta fase com profunda espiritualidade, oferecendo orações e oferecendo também a fragilidade de sua condição de saúde em favor da Igreja, pelo Papa e pela Igreja”.

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