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27 Junho 2017

Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia, e Andres Pastrana, ex-presidente da Colômbia, reuniram-se com o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, em 23 de junho. Os homens agradeceram pelo pedido de ajuda humanitária de Parolin, eleições livres e libertação de prisioneiros políticos, e disseram ter esperança de que a comunidade internacional "insista e persista" nas recomendações do Vaticano.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada por Crux, 26-06-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Os dois ex-presidentes latino-americanos disseram que o tempo do mundo para encontrar soluções para a crise na Venezuela está acabando, enquanto o presidente Nicolas Maduro tenta consolidar seu poder sobre o país.

Apesar dos protestos generalizados, o empenho de Maduro em "colocar seu grupo de amigos na chamada 'assembleia constituinte' seria o fim da democracia e da República da Venezuela", disse Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia.

Essa eleição "instalará um estado soviético na Venezuela, liquidará a democracia, encerrará o Congresso, cancelará as eleições e transformará a Venezuela em uma espécie de 'Coreia do Norte' do Caribe", disse ele.

Junto com o ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, Quiroga falou aos jornalistas no Vaticano, no dia 23 de junho, sobre a piora da situação na Venezuela e as tentativas de acabar com a crise após o encontro com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano.

Os protestos começaram depois de 29 de março, quando o Supremo Tribunal Venezuelano decidiu dissolver o parlamento do país, em que a oposição tinha uma maioria de dois terços após as eleições de 2015. A decisão sem precedentes transferiu poderes legislativos para o Supremo Tribunal, composto por juízes nomeados por Maduro.

Quiroga disse estar grato pelo pedido de ajuda humanitária de Parolin, de eleições livres e de libertação de prisioneiros políticos. Ele também espera que a comunidade internacional "insista e persista" nas recomendações do Vaticano.

"O Vaticano tem um enorme peso moral e político, e sua posição - em nome do Cardeal Parolin e do Santo Padre - seria um fator determinante para que a Venezuela voltasse para o caminho da democracia", afirmou.

No entanto, Quiroga acrescentou, o empenho de Maduro em prol de uma assembleia constituinte em 30 de junho, composta principalmente por seus apoiantes e visando mudar a constituição do país, "acabaria com a Venezuela e destruiria o país".

Ambos denunciaram o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero e Ernesto Samper, ex-presidente colombiano e atual secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas, por apoiarem Maduro indiretamente, apesar de seus papeis de negociadores imparciais entre o governo e a oposição.

Em uma reunião de 21 de junho sobre imigração em Cochabamba, o presidente boliviano Evo Morales - acompanhado por Zapatero, Samper e o ex-presidente equatoriano Rafael Correa - expressou seu apoio às ações do governo venezuelano contra os manifestantes.

"Dale duro, Maduro" ("Vá com força, Maduro"), disse Morales enquanto ele, Samper e outros levantaram os punhos em solidariedade. Correa e Zapatero, no entanto, não levantaram os punhos.

"O que significa quando ex-presidentes pedem que uma ditadura como a da Venezuela 'vá com força'?" Eles querem dizer "continue matando, continue matando jovens que estão levantando a voz na Venezuela?", perguntou Pastrana.

O ex-presidente colombiano condenou o apoio indireto de dois negociadores após a divulgação de imagens mostrando as forças do governo atirando e matando um manifestante de 22 anos, dizendo que seu apoio diminui a probabilidade de uma solução pacífica.

"Eu acho que o diálogo terminou na Venezuela, essa palavra foi riscada do dicionário venezuelano. Não há diálogo, não há possibilidade de diálogo e menos ainda, quando Zapatero, Samper e Correa dão as mãos a Evo Morales e gritam: "Vai com força, Maduro", disse ele.

Quiroga acrescentou que estava "profundamente triste" pelo apoio de Morales a Maduro, que continua "reprimindo e matando jovens nas ruas da Venezuela; continua prendendo e julgando civis em tribunais militares; continua dissolvendo o Congresso e pressionando a imprensa".

Ele também acusou Zapatero de atuar como "um agente estrangeiro do governo Maduro", alegando que o ex-primeiro-ministro espanhol tentou agir em nome de Maduro para "assustar" os membros da oposição antes das eleições parlamentares nas quais eles ganharam uma maioria de dois terços.

"Conhecemos sua posição e sabemos que ele está fingindo ser um negociador", disse Quiroga sobre Zapatero.

Quiroga descreve a situação atual na Venezuela como uma "distopia surrealista" e afirma que os pedidos do Vaticano apoiando a democracia devem prevalecer. No entanto, ele disse, o tempo está correndo.

"Pode ser que no dia 30 de junho Maduro decida dar seu golpe final, votando pela assembleia constituinte, mas na realidade é o golpe final na democracia venezuelana", disse ele.

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