O abraço de Francisco: paz com o "inimigo" Caffarra

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04 Abril 2017

Bastou um prato de capeletes fumegantes para fazer desaparecer toda teoria da conspiração cismática. Sim, porque, durante meses e meses, o refrão interno, nos blogues católicos mais radicais, nos bastidores curiais, o pontificado de Francisco era ciclicamente submetido a boatos de iminentes motins inspirados na linha do cardeal Carlo Caffarra, até hoje apontado como o mais renomado e orgulhoso opositor das ideias inovadoras contidas na Amoris laetitia, o documento papal que trata de amor e matrimônio, mas que, inicialmente, levantara temores e desconfianças.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 03-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na viagem à Emília-Romanha, na Itália, algo mudou. Bastou um almoço, um abraço benevolente, uma missa celebrada com intensidade. Em suma, fizeram-se as pazes. Sentado à direita do Papa Bergoglio, na mesa aparelhada pelos aspirantes a padre do seminário de Carpi, um dos muitos edifícios restaurados depois do terremoto, estava sentado um dos quatro cardeais das dubia: o arcebispo emérito de Bolonha, Caffarra.

Como na melhor tradição familiar, também neste caso a paz chegou no almoço, simbolicamente, entre um prato de capeletes com caldo e um bom copo de Lambrusco di Sorbara.

O clima entre os comensais foi descrito unanimemente como familiar, alegre, relaxado, um pouco como se fosse o reencontro de velhos amigos, que, sem embaraços nem timidez, tinham a intenção de trocar considerações, fazendo piadas, entregando-se a risadas espontâneas.

A reconstrução dos corações também foi essa e, às vezes, passou de momentos de descontração, como aquela alegre mesa, enquanto o bispo de Carpi, Francesco Cavina, fazia as honras da casa, preparando o terreno para a reconciliação entre Bergoglio e Caffarra, seu bom amigo. Degustaram juntos os tortellini doces ao Savur, uma pasta feita com uma geleia especial de maçãs cozidas durante uma noite inteira, sem açúcar, em uma panela grande.

Junto com o almoço no seminário, houve também uma foto-símbolo. Ela foi tirada na catedral de Carpi e logo começou a dar a volta ao mundo nas redes sociais e nos sites católicos. Ela mostra, em toda a sua intensidade, o abraço amigo entre o papa e Caffarra.

Ela foi tirada por um fotógrafo pouco antes da missa, na qual também concelebraram os outros bispos da Emília-Romanha, incluindo aqueles que, nos últimos anos, causaram mais problemas para o papa.

De um lado, Caffarra, de outro, Dom Negri, ex-arcebispo de Ferrara, crítico ferrenho não só da reforma do processo canônico matrimonial, mas também das nomeações episcopais. O cardeal Caffarra, um dos quatro cardeais das dubia (junto com o estadunidense Burke, do austríaco Brandmüller e do alemão Meisner), tinha dirigido  a Francisco interrogações teológicas, convocando-o a responder. Pela maneira como tinham sido formuladas, Francisco evitou dar espaço para reflexões públicas.

Caffarra, há um ano, em uma entrevista ao jornal Il Foglio, explicou que, para “os cardeais, existe o dever grave de aconselhar o papa no governo da Igreja. É um dever, e os deveres obrigam. Depois, há o fato de que só um cego pode negar que, na Igreja, existe uma grande confusão, incerteza, insegurança causadas por alguns parágrafos da Amoris laetitia”.

Hoje, tudo parece atenuado, distante, já nuançado. Talvez, as dúvidas permaneçam, mas, em Carpi, foi virada uma página importante.

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