Cardeal Caffarra: "Schönborn está errado, e o Santo Padre deve desfazer a confusão"

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13 Julho 2016

O cardeal Carlo Caffarra concedeu à estudiosa alemã-americana Maike Hickson uma fulgurante entrevista sobre a Amoris laetitia (11 de julho), publicada no blog OnePeter5.

A nota é de Sandro Magister, publicada no seu blog Settimo Cielo, 11-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ela começa assim:

Pergunta – O senhor já falou, em uma recente entrevista, sobre a exortação papal Amoris laetitia e disse que, especialmente o capítulo 8, não é claro e já causou confusão até mesmo entre os bispos. Se o senhor tivesse a possibilidade de falar sobre isso com o Papa Francisco, o que lhe diria? Qual seria a sua sugestão sobre o que o Papa Francisco poderia e deveria fazer agora, já que há tanta confusão?

Carlo Caffarra – Na Amoris laetitia 308, o Santo Padre escreve: "Compreendo aqueles que preferem uma pastoral mais rígida, que não dê lugar a confusão alguma". A partir dessas palavras, entendo que Sua Santidade se dá conta de que o ensinamento da exortação pode produzir confusão na Igreja. Pessoalmente, eu quero – e é isto que muitos dos meus irmãos em Cristo, cardeais, bispos e fiéis leigos pensam – que a confusão seja removida, mas não porque eu prefira um cuidado pastoral mais rígido, mas porque, ao contrário, simplesmente prefiro um cuidado pastoral mais claro e menos ambíguo.

Dito isso – com todo o devido respeito, afeto, devoção que eu sinto a necessidade de nutrir pelo papa – eu gostaria de lhe dizer: Santidade, eu lhe peço, esclareça estes pontos:

a) Quanto do que o senhor disse na nota 351 ["Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos"] do parágrafo 305 é aplicável também aos casais divorciados e recasados que querem, no entanto, continuar vivendo como marido e mulher? E, portanto, quanto do que foi ensinado pela Familiaris consortio n. 84, pela Reconciliatio et poenitentia n. 34, pela Sacramenttum unitatis n. 29, pelo Catecismo da Igreja Católica n. 1.650 e pela doutrina teológica comum deve ser considerado revogado hoje?

b) O constante ensinamento da Igreja – assim como foi recentemente reiterado pela Veritatis splendor n. 79 – é que existem normas morais negativas que não admitem exceção alguma, porque proíbem atos que são intrinsecamente maus e desonestos, como por exemplo o adultério. Esse ensinamento tradicional ainda deve ser considerado verdadeiro, mesmo depois da Amoris laetitia?

Isso é o que eu gostaria de dizer ao Santo Padre. Se o Santo Padre, no seu supremo juízo, tivesse a intenção de se pronunciar publicamente a fim de remover essa confusão, ele teria à disposição muitas maneiras diferentes para fazer isso.

* * *

Mas, naturalmente, o restante da entrevista deve ser totalmente lido.

Por exemplo, quando o cardeal Caffarra diz que se dirigiria deste modo a um fiel católico confuso sobre a doutrina do matrimônio:

"Eu simplesmente lhe diria: leia e reflita sobre o Catecismo da doutrina católica, nos números 1.601-1.666. E, quando você ouvir discursos sobre o matrimônio – até mesmo por parte de padres, bispos, cardeais – e verificar que não estão em conformidade com o Catecismo, não lhes dê ouvidos. São cegos guiando outros cegos".

Ou quando define o exercício da homossexualidade como "intrinsecamente irracional e, portanto, desonesto", argumentando, depois, com cuidado, sobre esse julgamento afiado, especialmente à luz da "profética" encíclica de Paulo VI Humanae vitae.

Mas de grande interesse também é a refutação que Caffarra faz de uma passagem-chave da recente entrevista à revista La Civiltà Cattolica do cardeal Christoph Schönborn, o exegeta da Amoris laetitia predileto pelo Papa Francisco:

Pergunta – Como o senhor comentaria a recente afirmação do cardeal Christoph Schönborn segundo o qual a Amoris laetitia é uma doutrina obrigatória e que todos os documentos anteriores do magistério sobre o matrimônio e a família devem agora ser lidos à luz da Amoris laetitia?

Carlo Caffarra – Eu respondo com duas observações simples. A primeira observação é que não se deve ler apenas o magistério anterior sobre o matrimônio à luz da Amoris laetitia, mas também ler a Amoris laetitia à luz do magistério anterior. A lógica da tradição viva da Igreja é bipolar: tem duas direções, e não uma. A segunda observação é a mais importante. Na sua entrevista à Civiltà Cattolica, meu caro amigo cardeal Schönborn não leva em conta o que aconteceu na Igreja depois da publicação da Amoris laetitia. Bispos e inúmeros teólogos fiéis à Igreja e ao magistério constatam que, especialmente em um ponto específico e verdadeiramente importante, não há continuidade, mas, ao contrário, oposição entre a Amoris laetitia e o magistério anterior. Além disso, esses teólogos e filósofos não dizem isso com um espírito de desprezo e de revolta contra o Santo Padre. E o ponto é o seguinte: a Amoris laetitia diz que, em algumas circunstâncias, a relação sexual entre divorciados e recasados civilmente é moralmente lícita. E também diz que aquilo que o Concílio Vaticano II disse dos esposos – em relação à sua intimidade sexual – também se aplica aos divorciados recasados (veja-se a nota 329). Consequentemente, quando se diz que uma relação sexual fora do matrimônio é lícita, essa é uma afirmação contrária à doutrina da Igreja sobre a sexualidade; e quando se diz que o adultério não é um ato intrinsecamente desonesto – e que, portanto, pode haver circunstâncias que podem torná-lo não desonesto – essa também é uma afirmação contrária à tradição e à doutrina da Igreja. Em uma situação como essa, o Santo Padre, na minha opinião – como eu já escrevi – deve, portanto, esclarecer a matéria. Porque quando eu digo: "S é P", e depois digo: "S não é P", a segunda proposição não é um desenvolvimento da primeira proposição, mas, ao contrário, é a sua negação. Quando alguém diz: a doutrina permanece, mas se trata apenas de cuidar de alguns poucos casos, eu respondo: a norma moral "Não cometerás adultério" é uma norma negativa absoluta que não permite exceção alguma. Há muitos modos de fazer o bem, mas há apenas um modo de não fazer o mal: não fazer o mal.

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