Trump mantém funcionário do Departamento LGBT e frustra conservadores cristãos

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17 Fevereiro 2017

Na presidência há menos de um mês, Donald Trump frustrou o número expressivo de conservadores religiosos que ajudaram a colocá-lo no cargo - mas não tanto a respeito de questões LGBT.

Os cristãos conservadores, particularmente, aplaudiram a nomeação de Neil Gorsuch para o Supremo Tribunal e a promessa de Trump de "resolver" a Emenda Johnson, que restringe a possibilidade de os pastores discutirem política no púlpito.

A informação é de Lauren Markoe, publicada por Religion News Service, 15-02-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Mas, pela segunda vez desde a sua posse, Trump decidiu manter uma iniciativa da época de Obama que protege as minorias sexuais.

O Departamento de Estado anunciou na segunda-feira (13 de fevereiro) a continuidade de Randy Berry, enviado especial dos direitos humanos das pessoas LGBTI. Em 2014, o governo Obama criou o seu cargo para apoiar esforços internacionais de proteção dos homossexuais à violência e à morte.

O conservador Conselho de Investigação Familiar tinha colocado como prioridade a exclusão desses "ativistas" e em dezembro pediu que o Departamento de Estado demitisse funcionários “contrários à família e à vida".

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Tony Perkins, presidente do conselho e importante apoiador evangélico de Trump, afirmou que a notícia da permanência de Berry era "um acontecimento decepcionante". Em uma declaração na terça-feira, ele disse que o governo deveria se concentrar em lutar contra "a perseguição e o genocídio a cristãos" em vez de promover os direitos dos homossexuais.

"A decisão de manter Berry demonstra para o mundo que o posicionamento da era Obama ainda está profundamente enraizado no Departamento de Estado", concluiu Perkins.

Rod Dreher, um cristão ortodoxo e escritor do The American Conservative, disse que o anúncio pode levar conservadores religiosos a questionarem seu apoio a Trump.

"Será que Donald Trump quer continuar financiando estes mercenários da cultura estadunidense no exterior?", escreveu ele. "Não é um bom sinal... Em algum momento, os conservadores cristãos vão acordar e perceber que foram feitos de bobo".

A continuidade de Berry foi o segundo golpe a conservadores religiosos em relação a questões LGBT. Eles se revoltaram
quando, no mês passado, Trump decidiu manter as proteções para os trabalhadores federais LGBT, também propostas por Obama. Essa decisão veio com uma declaração amigável da Casa Branca aos homossexuais.

"O presidente Trump continua respeitando e se solidarizando com os direitos LGBT, assim como na campanha eleitoral", disse o comunicado. "O presidente se orgulha de ter sido o primeiro republicano a mencionar a comunidade LGBTQ em seu discurso de posse, comprometendo-se com sua proteção contra a violência e a opressão."

Esta afirmação, porém, teve* indícios de que os funcionários de Trump optaram por uma abordagem diferente da do governo de Obama e darão seu apoio - ou pelo menos não vão prejudicar - aos projetos de lei do "banheiro", que exigem que transexuais usem o banheiro correspondente ao seu sexo biológico, e não ao gênero com que se identificam.

E, como Trump aceitou a lei do casamento gay, os líderes LGBT não colocam fé no vice-presidente Mike Pence, um cristão conservador que se opôs ao casamento homossexual e defendeu uma lei de "liberdade religiosa" quando era governador de Indiana, sendo amplamente criticado e tido como anti-gay. Após críticas de empresários, Pence assinou uma emenda de lei para proteger gays e lésbicas.

A revista Foreign Policy, que primeiro noticiou a decisão do governo sobre Berry, disse que os líderes gays estavam "chocados" com a notícia e que alguns conservadores estariam indignados.

"Isto é muito surpreendente", disse Ross Murray, diretor de programas do GLAAD, grupo pró-LGBT, à Foreign Policy. "Acredito que não posso aplaudi-lo até ver como será o seu mandato."

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