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21 Maio 2015

Gráfico mostrando a relação entre protestantes evangélicos (em preto) e protestantes convencionais (de vermelho).

"A igreja nos Estados Unidos está se tornando mais evangélica.", escreve Ed Stetzer, em artigo publicado pelo jornal The Washington Post, 14-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Em 2013, a megaigreja NewSpring Church, da Carolina do Sul, nos EUA, batizou mais de 6.500 pessoas enquanto que o comparecimento aos seus cultos viu quase 10 mil fiéis a mais do que no ano anterior. No mesmo período, a toda Igreja Episcopal nos Estados Unidos produziu apenas cerca de 12 mil confirmações adultas com uma queda na frequência aos seus cultos de mais de 27.400 pessoas em relação à redução no ano anterior.

Estes números gritantes de uma igreja comparados com uma denominação inteira sugerem tendências dignas de nota e o escopo de uma igreja cambiante neste país.

Embora às vezes exista um foco excessivo sobre o número de fiéis que abandonam o cristianismo, raramente se pergunta o que tais dados, de fato, dizem. O mais recente estudo do Pew Research Center, divulgado esta semana, e o General Social Survey, divulgado a um mês atrás, revelam aquilo que chamei de a “evangelicalização” do cristianismo americano.

A igreja nos Estados Unidos está se tornando mais evangélica.

Quem são os evangélicos?

Infelizmente, não há uma definição oficial da palavra evangélico, mas isto aqui é verdadeiro: os evangélicos não são um subconjunto do partido republicano; os evangélicos são um subconjunto dos cristãos protestantes. Trata-se de uma descrição religiosa, não de um movimento político.

O historiador David Bebbington sugere um paradigma respeitado para aqueles que se identificam como evangélicos: uma vida transformada através do seguimento de Jesus, uma fé demonstrada através de esforços missionários e de uma reforma social, uma consideração pela Bíblia como a autoridade última e um foco central sobre a morte sacrificial de Jesus.

No seu mais recente último, os pesquisadores do Centro Pew identificaram os evangélicos de duas formas. Na maior parte dos dados levantados, consideraram-se as afiliações de denominações que, historicamente, foram evangélicas. Usando esta medida, os evangélicos caíram, em porcentagem da população geral, de 26% em 2007 para 25% em 2014. Em termos de números brutos, no entanto, mais americanos são evangélicos hoje do que sete anos atrás – de 59,8 para 62,2 milhões.

Não se deve ver um pequeno aumento nos números e concluir que o “evangelicalismo” está prosperando. Há muito espaço para melhorias. Não obstante, com o cristianismo declinando e o evangelicalismo perseverando, acabamos vendo um cristianismo com um rosto distintamente evangélico.

Em outras palavras, enquanto que o número de cristãos autoidentificados encolhe e o de evangélicos continua relativamente estável, o cristianismo americano se mostra, a cada ano, mais evangélico.

Quando os pesquisadores do Centro Pew consideram a forma como os respondentes se autoidentificam, uma porcentagem maior descreveu-se, hoje, como evangélicos (ou nascido de novo) do que em relação a sete anos atrás – de 34% para 35%. Quando perguntados, um terço de todos os americanos se autodescreveram como evangélicos ou nascidos de novo.

Os números são ainda mais reveladores quando os vemos isoladamente. Hoje, a metade dos cristãos americanos se chamam evangélicos ou nascidos de novo. Juntamente com cada subgrupo cristão, mais católicos e protestantes históricos definem, pessoalmente hoje, a religião deles em termos evangélicos.

Não se pode deixar de notar as ironias: um movimento religioso cujas origens remontam à Reforma Protestante agora constituem 22% dos católicos americanos modernos. E uma parcela ainda maior de protestantes históricos (27%) se identifica com um movimento que, praticamente, se definia nos EUA pela sua rejeição das mudanças teológicas à esquerda em denominações como os episcopalianos e a Igreja Unida de Cristo.

Passamos de uma época em que ninguém sabia sobre o que o ex-presidente Jimmy Carter estava falando quando mencionava ter “nascido de novo” para uma outra em que a metade de todos os cristãos usam esta frase – ou a palavra “evangélico” – para se descreverem.

Portanto se o evangelicalismo tem, cada vez mais, influência no cristianismo americano, incluindo aqueles do lado de fora de sua tradição, quem está perdendo influência?

Obviamente, é o protestantismo histórico na maior parte, que continua em queda vertiginosa.

Evangelicalismo X protestantismo histórico

Os números recém-divulgados da General Social Survey 2014 confirmam a mudança crescente de influência: diminuindo dos protestantes históricos e aumentando para os evangélicos. Em 1972, os frequentadores regulares dos bancos das igrejas – aqueles que as frequentam uma vez por semana ou mais – em cada grupo eram em número quase igual à porcentagem da população americana: 8,6% para os protestantes históricos e 7,9 para os evangélicos.

Nas quatro décadas que se seguiram desde então, os evangélicos subiram para 12,5%, enquanto que os protestantes históricos caíram para 3,6%: uma porcentagem total semelhante de protestantes (15-16% no total) porém tipos diferentes de protestantes (o tipo evangélico em vez do tipo histórico).

Em outras palavras, 1 em cada 8 adultos nos EUA regularmente frequenta uma igreja evangélica, mas menos de 1 em cada 25 americanos vai a um culto protestante histórico pelo menos uma vez por semana.

E, segundo a pesquisa do Pew Center, tanto os católicos quanto os protestantes históricos perderam mais adeptos do que ganharam. Para cada novo protestante histórico, 1.7 abandonou a igreja. Por outro lado, os evangélicos ganharam 1.2 membros novos para cada pessoa que saiu.

O cenário religioso dos Estados Unidos continuará mudando com a ascensão dos não filiados a igreja nenhuma e com o declínio geral da identificação cristã. Mas parte do atual quadro em foco é uma igreja americana que se parece muito mais com a NewSpring Church, megaigreja evangélica, do que uma igreja protestante tradicional histórica.

Para alguns, esta tendência trará consigo um grande cenário de horror. Porém, o futuro do cristianismo americano e a sua evangelicalização estão acontecendo diante dos nossos olhos.

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