Zapatistas irão lançar uma candidata indígena à presidência do México

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Por: João Flores da Cunha | 27 Outubro 2016

MÉXICO: O Exército Zapatista de Libertação Nacional – EZLN e o Conselho Nacional Indígena – CNI anunciaram que pretendem apresentar uma candidata às eleições presidenciais de 2018 no México. Ela será necessariamente uma mulher indígena, que será escolhida a partir de uma consulta com povos indígenas, e que irá concorrer em nome dessas duas organizações. O anúncio foi realizado no dia 14-10, no encerramento do 5º Congresso Nacional Indígena, realizado em Chiapas.

Os grupos se declararam em “assembleia permanente” para a escolha de um conselho indígena de governo e da candidata que o irá representar. O objetivo, de acordo com o comunicado emitido pelas organizações no fechamento do evento, é “desmontar de baixo o poder que nos impõem de cima e que nos oferece um panorama de morte, violência, despejo e destruição”.

Se confirmada, a candidatura se daria de forma independente, ou seja, desvinculada de partidos políticos. A eleição presidencial de 2018 será a primeira em que será possível lançar um candidato independente.

Formado na década de 1980, o EZLN é um grupo revolucionário de esquerda que ganhou notoriedade ao se insurgir contra o Estado mexicano em janeiro de 1994. Durante o conflito, os zapatistas tomaram o controle de cidades em Chiapas, no sul do México, mas acabaram sendo derrotados pelo Exército do país.

Após um armistício, foi assinado um acordo com o governo para dar maior autonomia para os povos indígenas da região. Desde então, os zapatistas, liderados pelo subcomandante Galeano – antes conhecido como subcomandante Marcos –, não pegaram mais em armas.

Ainda hoje, os zapatistas controlam uma pequena parcela do estado de Chiapas, em sete municípios. Esses territórios constituem os autodenominados Municípios Autônomos Rebeldes Zapatistas – MAREZ.

“Nossa luta não é pelo poder, não o buscamos; mas chamaremos os povos originários e a sociedade civil para nos organizarmos para deter esta destruição, fortalecer-nos em nossas resistências e rebeldias, ou seja, na defesa da vida de cada pessoa, cada família, coletivo, comunidade ou bairro”, afirmou o grupo no comunicado em que manifestou a intenção de lançar a candidata à presidência. “É o tempo da dignidade rebelde, de construir uma nova nação por e para todas e todos, de fortalecer o poder de baixo e a esquerda anticapitalista, de que paguem os culpados pela dor dos povos deste México multicolor”, diz ainda o texto.

Após o anúncio, o EZLN foi criticado pelo provável candidato da esquerda à eleição de 2018, Andrés Manuel López Obrador, conhecido como AMLO, do partido Morena. Ele fez referência ao pleito de 2006, em que perdeu por uma pequena diferença para Felipe Calderón. Naquele ano, os zapatistas fizeram uma campanha paralela, em que percorreram o país denunciando a injustiça social e o tratamento dos povos indígenas, o que, na visão de AMLO, teria lhe prejudicado na eleição.

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