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“Entre os indígenas do Chiapas, para não esquecer quem está às margens”

“Mas então ele vem realmente?” A anciã tseltal pronuncia as palavras num espanhol forçado, com ar preocupado, temendo que a resposta seja um “não”. O bispo Felipe Arizmendi Esquivel a olha com um sorriso e a tranquiliza. Amanhã (15-02-2016) o Papa Francisco chegará a San Cristóbal de las Casas, em Chiapas, coração indígena do México. E, por isso, por demasiado tempo esquecido: a região foi alçada sobre a ribalta mundial por ocasião da revolução zapatista de 22 anos atrás. Depois retornou à invisibilidade. Pelo menos até agora.  

A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 14-02-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

A presença de Francisco ilumina uma realidade ainda marcada pela pobreza e a marginalização. Onde, porém, há cinquenta anos a Igreja está em marcha para a realização de uma evangelização encarnada na realidade e promotora de mudança. Foram tantos os que se surpreenderam que o Pontífice tenha escolhido precisamente San Cristóbal.

“O primeiro, eu”, graceja D. Arizmendi.

Sabe as razões que trarão para cá Francisco?

Disse-lhe ele mesmo no dia 12 de dezembro passado. Ele veio ao México para orar a Nossa Senhora de Guadalupe e para estar próximo a quantos se encontram em condições difíceis. Por conseguinte, os últimos, isto é, os indígenas. Fiel ao Evangelho, Francisco escolhe os marginalizados. A opção pelos pobres é a opção de Cristo.

O que representa a viagem de Francisco para Chiapas?

Sua presença é um forte apelo à política, à sociedade, à própria Igreja, a todos nós para não esquecer os indígenas. A tomar em consideração os seus problemas. Mas, sobretudo o Papa traz uma carícia de Deus aos nativos. E estes últimos parecem gratos e entusiastas. Acima de tudo entre os indígenas a encíclica “Laudato sí” conseguiu um sucesso sem par... Não só pelo fato de serem mencionados explicitamente pelo Papa como importantes custodes da criação. A encíclica exprime de modo inequívoco a raiz evangélica do cuidado pela casa comum. A conservação da mãe terra tem “a ver com Deus”.

Tal visão está em sintonia com a sensibilidade indígena. Eles se aproximam do Senhor através do contato com a terra, a água, o sol. Não são usos pagãos. É uma forma de prece que parte da cotidianidade. Como a dança ritual. A propósito, veremos uma delas no final da Missa de amanhã. Sim. Não é um momento folclórico. Os indígenas rezam com todo o corpo. Na celebração daremos amplo espaço à cultura nativa.

A primeira leitura, por exemplo, será em língua ch’ol, o salmo em tsotsil, o Evangelho em tseltal e a prece dos fiéis, de forma comunitária, cada um poderá recitá-la no seu idioma.

No ofertório será apresentado simbolicamente quanto foi colhido nas semanas precedentes para a construção de duas novas casas dos migrantes em Mazapa e Salto de Agua. A passagem de centro-americanos pela região em viagem para os EUA é contínua. Temos, assim, escolhido este gesto por ocasião do Ano da misericórdia. Também está previsto um almoço entre Francisco e oito indígenas.

Quando lhe propus este almoço, o Papa aceitou com alegria.

As pessoas foram designadas pela comunidade diocesana de modo que o grupo fosse o mais representativo possível. Durante o banquete a conversação será espontânea.

O que permanecerá da viagem de Francisco ao Chiapas?

Esta viagem não é somente uma festa. É uma ocasião de reflexão e de assunção de responsabilidades. Temos, por isso, procurado prepará-la como diocese com uma série de catequeses para conhecer melhor o pensamento e o magistério do Papa. Estou certo que Francisco sacudirá “evangelicamente” Chiapas.

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