Vaticano retarda aprovação de padre alemão possivelmente por apoio a pessoas LGBT

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01 Novembro 2018

Um padre jesuíta alemão eleito para a reitoria de uma universidade ainda não recebeu a aprovação do Vaticano para assumir o cargo. Observadores especulam que essa demora pode ser devido às opiniões progressistas do sacerdote sobre o diaconato feminino e questões LGBT. O apoio ao jesuíta continua crescendo, e a situação pode estar prestes a ser resolvida.

O padre Ansgar Wucherpfennig, SJ, foi eleito pela terceira vez para ser reitor da faculdade de teologia e filosofia Sankt Georgen Graduate School of Theology and Philosophy, em Frankfurt, pelo período de dois anos. Mas a Congregação para a Educação Católica, em colaboração com a Congregação para a Doutrina da Fé, informou ao superior do jesuíta que ele ainda não receberia o nihil obstat, uma credencial das autoridades da Igreja dizendo que não há nada a que se opor em relação à vida do teólogo ou o trabalho necessário para que assuma a liderança da universidade.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 31-10-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A revista America relatou que estão em jogo as objeções do Vaticano a comentários sobre homossexualidade e o diaconato feminino feitos por Wucherpfennig em uma entrevista de 2016:

"Em entrevista a um jornal em 2016, o padre Wucherpfennig disse que as referências à homossexualidade na Bíblia eram 'frases às vezes incompreendidas'. As declarações foram dadas em resposta ao entrevistador, Thomas Remlein, ao dizer que o padre Wucherpfennig tinha dado a bênção a casais gays e perguntar por que a Igreja tinha posicionamentos negativos em relação às pessoas LGBT. O padre Wucherpfennig afirmou também que o diaconato feminino não seria suficiente para resolver a escassez de vocações sacerdotais e disse que tem "sérias dúvidas" sobre apenas os homens poderem ser confessores.

"'Para mim, meus comentários sobre a homossexualidade e a bênção de casais homossexuais estão dentro dos limites da doutrina católica', disse o padre aos jornais das dioceses de Limburg, Mainz e Fulda, no dia 9 de outubro. Ele se recusou a retirar suas declarações e disse: 'Eu não quero ser reitor a este preço'".

Wucherpfennig desafiou publicamente as preocupações atuais do Vaticano, dizendo que "rejeitar fortemente casais homossexuais é muito doloroso para quem muitas vezes se vê dentro da comunidade católica e é profundamente ligado à sua igreja.... Considero as objeções de Roma um mal-entendido de declarações totalmente fundamentadas na doutrina católica. Portanto, espero que o 'Nihil obstat' seja concedido."

A rejeição do Vaticano chegou a Wucherpfennig através do provincial jesuíta Johannes Siebner, que apoia o padre. Ele declarou, em um comunicado:

"Dou meu apoio sem reservas ao reitor eleito Pe. Wucherpfennig; ele tem minha total confiança. Sua administração dos últimos quatro anos, sua teologia, sua eclesialidade indiscutível e sua integridade pessoal não permitem a menor dúvida sobre se ele é adequado para a função. Honestamente, não consigo imaginar nada além de mal-entendido. Caso contrário, seria escandaloso. Estou otimista de que a nomeação aconteça em breve."

Siebner também sugeriu ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger que a questão precisa ser resolvida porque as declarações acolhendo pessoas LGBT feitas por Wucherpfennig "hoje podem vir do próprio Papa". Em entrevista ao Katholisch.de, Siebner explicou que os comentários de Wucherpfennig sobre homossexualidade questiona "a questão científica plenamente justificada do que Paulo quis dizer quando sobre a homossexualidade na Epístola aos Romanos.... Como estudioso e professor, é seu trabalho fazer essas perguntas."

Várias autoridades religiosas também estão apoiando Wucherpfennig, inclusive o bispo da região. Kölner Stadt-Anzeiger explicou:

"[O bispo de Limburg, Georg Bätzing] aprovou a reeleição sem reservas, afirmando através de seu porta-voz. Bätzing também deixou claro para Roma que 'dioceses e ordens jesuítas já foram aconselhadas a manter a gestão comprovada da universidade'. Portanto, o bispo continua buscando uma solução amigável.

"O reitor de cidade de Frankfurt, Johannes zu Eltz, reagiu com raiva e incompreensão às ações de Roma. 'Ansgar Wucherpfennig é um sacerdote puro e um cientista incorruptível. O questionamento de sua integridade e o castigo totalmente injustificado me doem', disse ao FR. Além disso, Roma viola, 'sem sentido nem razão', o “princípio da subsidiariedade, que é pregado em todas as igrejas'".

O La Croix também relatou que o bispo de Mainz, Peter Kohlgraf, que já foi teólogo, falou abertamente em uma entrevista para o site oficial da Igreja alemã sobre a necessidade de haver um debate teológico e uma revisão da interpretação das palavras de Paulo sobre a homossexualidade. Ele disse ao entrevistador que "[se as passagens da Bíblia fossem] diretas, reveladas literalmente, uma verdade irrevogável, teríamos de apedrejar adúlteros, blasfemos, cartomantes, filhos e filhas desobedientes e as pessoas que lavam o carro no domingo".

O vigário geral da Diocese de Essen, Klaus Pfeffer, já escreveu o seguinte: "Quando finalmente vai acabar esse comportamento autoritário na nossa Igreja?" O canonista Thomas Schüller disse que a ação do Vaticano foi "única e preocupante", porque um reitor não é negado o nihil obstat há décadas, principalmente um reitor que já tinha a credencial. A La Croix vai além:

"A “Fakultätentag” (uma organização guarda-chuva que abarca as 18 faculdades teológicas católicas de universidades públicas alemãs e os 33 institutos de capacitação de professores católicos de educação religiosa), o Sindicato de Associações Teológicas Católicas e o gabinete alemão da Sociedade Europeia de Teologia Católica (com fundação em 1989) expressou apoio ao padre Wucherpfennig no dia 14 de outubro em um comunicado de duas páginas, em Berlim.

Declarações de apoio também vieram das faculdades de teologia católica da Universidade de Erfurt e da Universidade de Mainz.

O grupo religioso reformista We Are Church da Alemanha disse que estava "indignado" com o tratamento dispensado a Wucherpfennig e que o Vaticano estava fazendo pressão sobre "ideias reacionárias com métodos autoritários". Thomas Andonie, presidente da Confederação da Juventude Católica Alemã e delegado do Sínodo sobre a juventude declarou, de acordo com o Katholisch.de, que:

"Aqui em Roma, a pedido explícito do Papa Francisco, compartilhamos abertamente nossas opiniões no Sínodo da juventude. Os comunicados de imprensa de ontem [sobre Wucherpfennig] mostraram como lidar com clérigos que corajosamente demonstram o que os jovens querem da Igreja."

O Sínodo sobre a juventude está discernindo como a Igreja pode ser mais acolhedora, mas toda palavra positiva será severamente minada se o Vaticano punir os próprios trabalhadores pastorais que estão tentando implementar essa acolhida. As congregações de Roma precisam ouvir não só Wucherpfennig, mas também os muitos funcionários católicos envolvidos nessa questão que sabem que ele é um teólogo qualificado e um bom padre. Não é tarde para impedir uma injustiça de acontecer e para mostrar que o Vaticano está verdadeiramente escolhendo um caminho diferente para a Igreja.

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