Por trás da venda de dados sigilosos pelo Facebook. Desinformação para orientar a política

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22 Março 2018

Já não se fala mais apenas de "notícias falsas", mas de verdadeira desinformação, através de uma miríade de posts ad hoc para influenciar a orientação política de milhões e milhões de usuários das redes sociais. Este é o quadro que emerge da venda de dados sigilosos para a empresa anglo-estadunidense Cambridge Analytica por parte de maior rede social do mundo: o Facebook (FB). Os títulos do Fb perderam no mercado de ações cerca de nove mil bilhões de dólares em dois pregões. O fundador e CEO, Mark Zuckerberg, divulgou as primeiras declarações alegando ter sido enganado. Londres, Bruxelas e Washington solicitaram esclarecimentos sobre o gerenciamento dos dados. Após a publicação das primeiras investigações, há dois dias, pelo "Guardian" e pelo "New York Times", foi revelado que quem admitiu e confirmou a compra de dados por parte da empresa Cambridge Analytica foi justamente Christopher Wylie, 29 anos, fundador da empresa em 2014. Em seguida, a direção passou ao britânico Alexander Nix, 42 anos, que hoje foi afastado. O financiamento da operação parece ter ficado a cargo do magnata Robert Mercer. De acordo com Wylie, esses são os protagonistas que conduziram todo o episódio, juntamente com o estadunidense Steve Bannon, estrategista-líder da equipe de Donald Trump até agosto de 2017.

A reportagem é publicada por L’Osservatore Romano, 21/22-03-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ficou esclarecido como foi possível o desvio de dados. Na origem de tudo estaria Aleksandr Kogan, 31 anos, criador do aplicativo digital "Thisisyourdigitallife", que oferecia conselhos e que foi autorizado pelo Facebook para alcançar seus usuários, "sugando" automaticamente todos os seus dados sigilosos.

O Parlamento Europeu convidou formalmente Zuckerberg para se apresentar, em uma reunião da Assembleia que representa diretamente os cidadãos europeus, para explicar o que realmente aconteceu. O presidente da assembleia, Antonio Tajani, em entrevista concedida ontem ao jornal "La Stampa", afirmou: "Parece que o Facebook tivesse conhecimento das práticas não corretas da Cambridge Analytica desde 2016 e por isso decidimos questionar a cúpula do Facebook sobre a questão". Tajani salientou que "no respeito aos direitos fundamentais de liberdade de expressão solicita-se que o Facebook explique as relações com a Cambridge Analytica e esclareça diante dos representantes dos 500 milhões de europeus como são usados os dados pessoais que eles gerenciam". Tajani focalizou o aspecto mais perturbador a ser esclarecido: "Se no caso da votação sobre o Brexit ou outras eleições, os dados foram usados para manipular a democracia". Facebook, Twitter "e outros gigantes são instrumentos de liberdade em países democráticos, e também em países autoritários, mas sem regras e com um uso distorcido, coloca-se em risco a liberdade de expressão de todos", acrescentou.

Enquanto isso, a direção da Cambridge Analytica anunciou ter suspendido Nix "com efeito imediato" e ter convocado para substituí-lo no cargo Alexander Tayler, até o momento responsável pelo setor de dados da empresa.

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