Alguns tópicos da estratégia de desinformação negacionista

Revista ihu on-line

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Mais Lidos

  • Vaticano, roubadas da igreja estátuas indígenas consideradas “pagãs” e jogadas no Tibre

    LER MAIS
  • A peleja religiosa. Artigo de José de Souza Martins

    LER MAIS
  • Começa a hora da decisão para os bispos da Amazônia na semana final do Sínodo. Artigo de Thomas Reese

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

02 Dezembro 2017

"Há, ainda, aqueles que afirmam suas convicções e conclusões, sem qualquer estudo, pesquisa ou artigo publicado que as amparem. Neste caso, suas convicções são mais relacionadas a fé do que a ciência. A desinformação negacionista consegue ampla divulgação na web por força e empenho de seus militantes. Um estudo interessante [Internet Blogs, Polar Bears, and Climate-Change Denial by Proxy] coloca isto em discussão, demonstrando o empenho e a eficácia da desinformação", escreve Henrique Cortez, jornalista e ambientalista, editor da revista Cidadania & Meio Ambiente e do portal EcoDebate, em artigo publicado por EcoDebate, 01-10-2017. 

Eis o artigo.

O negacionismo militante abusa da anticiência em uma bem-sucedida campanha de desinformação, ignorando qualquer estudo ou pesquisa contrária, com o objetivo de negar as mudanças climáticas e o aquecimento global antropogênico

Em geral, insistem em desrespeitar e desqualificar autores e comentaristas. Frequentemente ocultos pelo anonimato, abusam da lógica perversa de que é mais fácil desqualificar o outro do que qualificar a si mesmo.

Além disto, insistem na desinformação e na confusão de conceitos.

A desinformação deliberada apenas contribui para alimentar a confusão de conceitos e temas relacionados ao aquecimento global / mudanças climáticas. E desinformação, em qualquer tema, é algo inaceitável.

Senão vejamos alguns pontos da estratégia da desinformação negacionista:

* Criticam e desqualificam a opinião de autores alegando falta de base científica, mas fundamentam suas posições com opiniões que também não apresentam fundamentos/fontes científicas, com destaque para Patrick Moore, que foi dirigente do Greenpeace de 1981 a 1986, mas desde 1991 dedica-se a consultoria corporativa. Clicando aqui é possível conhecer uma interessante lista de alguns de seus clientes.

* Questionam a credibilidade de instituições e organizações internacionalmente reconhecidas e valorizadas, a partir de críticas de blogues anônimos, como o Real Science, supostamente de Steven Goddard. Digo supostamente porque a identificação apenas acontece no endereço web do blogue, que nada informa sobre o autor. Então, quem é Steven Goddard e qual a sua credibilidade? Uma rápida pesquisa no Google indica que é um pseudônimo, ou seja, Real Science é um blogue anônimo. Existem poucas citações deste ‘autor’, além de seus próprios textos e uma das poucas indicações sobre o suposto Steven Goddard está no site Desmogblog . Amplamente denunciado, este blogue foi desativado em maio de 2016.

* No mesmo modelo de dupla lógica, acusam pesquisadores de serem ‘propagandistas com caneta de aluguel’, mas recorrem à opinião de negacionistas profissionais, financiados pela indústria da energia fóssil.

* No mesmo sentido, destacam supostos bilionários interesses econômicos nas energias verdes, como se os interesses econômicos nas energias sujas não fossem de vários trilhões… Na mesma vertente, ressaltam os danos da energia solar e eólica, omitindo os imensos danos sociais, ambientais e de saúde das energias fósseis.

* Questionam recentes pesquisas e estudos, usando referências com mais de uma década. Qualquer estudo de 1980, 1990 ou 2000 usou a melhor metodologia disponível, com os melhores recursos técnicos e tecnológicos da época e de acordo com o conhecimento científico acumulado até aquele momento. Mas a metodologia, os protolocos, os recursos e o conhecimento avançam e por isto o processo de conhecimento também avança. Fixar-se em dados/resultados/análises ultrapassados, como se eles fossem inquestionáveis, na prática, nega que o conhecimento científico está em permanente construção.

* Põe em dúvida estudos publicados em revistas científicas e submetidos a revisão por pares, mas uma das fontes mais citadas pelos negacionistas, Popular Technology.net, não identifica adequadamente seu ‘editor’ e colaboradores, o que impede a definição das responsabilidades legais e acadêmicas. No outro sentido, o blogue Skeptical Science, que questiona o negacionismo, é editado por John Cook, que honestamente é identificado e que explica não ser um cientista climático. Ou ainda, o blogue RealClimate, editado por cientistas climáticos, cita correta e adequadamente a lista de colaboradores. O anonimato é majoritariamente negacionista.

* Afirmam que os estudos e pesquisas que indicam o aquecimento global / mudanças climáticas, são apenas hipóteses, como de fato são. Mas omite que os eventuais e raros estudos / pesquisas negacionistas também são hipóteses. Duplo novamente, tratam corretamente os estudos e pesquisas que indicam o aquecimento global / mudanças climáticas como hipóteses, mas empoderam os estudos, pesquisas ou opiniões negacionistas como se fossem teorias comprovadas.

* ‘Pinçam’ informações de relatórios do IPCC fora de seus contextos, o que impede a correta compreensão. Além disto, ao citar o IPCC não dizem o que ele realmente é e o que faz.

O IPCC não ‘‘produz’’ ciência. Seus mais de 2000 pesquisadores, em vários grupos de trabalho e análise, consolidam e sistematizam dados de pesquisas / estudos. Cada relatório do IPCC é resultado da sistematização de centenas de estudos e pesquisas. Assim, cada relatório também revisa o relatório anterior e seus fundamentos, confirmando ou rejeitando conclusões. É natural portanto, que existam diferentes conclusões em seus relatórios, porque, cada um deles espelha sistematização das pesquisas do momento em que foi elaborado. E isto não é um defeito, ao contrário, é um mérito exatamente porque é assim que o conhecimento científico avança.

O processo permanente de revisão do conhecimento é uma das bases fundamentais da ciência e, daí, cabe perguntar se os trabalhos/estudos/pesquisas negacionistas também são revisados e atualizados.

* Usam e abusam da falácia do espantalho, que, aliás, é uma estratégia comum quando não há argumentos a apresentar.

* E, sempre rápidos em acusar os outros de estarem a serviços de interesses econômicos, nunca dizem a que interesses econômicos servem.

* Há, ainda, aqueles que afirmam suas convicções e conclusões, sem qualquer estudo, pesquisa ou artigo publicado que as amparem. Neste caso, suas convicções são mais relacionadas a fé do que a ciência. A desinformação negacionista consegue ampla divulgação na web por força e empenho de seus militantes. Um estudo interessante [Internet Blogs, Polar Bears, and Climate-Change Denial by Proxy] coloca isto em discussão, demonstrando o empenho e a eficácia da desinformação.

Muitos cientistas, sites de notícias e blogues científicos se esforçam em divulgar informações confiáveis sobre as mudanças climáticas. Um ótimo exemplo a ser citado é o Prof. Alexandre Costa, Dr. em Ciências Atmosféricas, Professor Titular da Universidade Estadual do Ceará, em seu blogue O que você faria se soubesse o que eu sei?, bem como seus ótimos vídeos que se contrapõe à desinformação negacionista.

Mas, um fator indicado na pesquisa, é que o negacionista é militante. Um post negacionista anônimo, em um blogue obscuro, recebe milhares de compartilhamentos e retuítes.

No nosso caso, por exemplo, uma matéria sobre pesquisa climática talvez receba um retuíte ou um compartilhamento. Então, um grande diferencial está no comprometimento do(a) leitor(as), que no caso dos negacionistas é muito efetivo, resultando em ampla divulgação na web, do mesmo modo que acontece com as ‘fake news’.

Como demonstração adicional, vejam, abaixo, uma amostra das matérias exclusivas que publicamos, nos últimos meses, tratando de mudanças climáticas / aquecimento global, nas quais citamos e destacamos as pesquisas publicadas que deram origem às matérias.

Matérias publicadas 

Os oceanos estão se aquecendo rapidamente, diz estudo

Plantas e animais na Inglaterra provavelmente serão significativamente afetados pela mudança climática

Novo estudo indica que o aquecimento do planeta provavelmente será maior do que 2°C até o final do século

Desastres relacionados ao clima podem afetar cerca de dois terços dos europeus até o final deste século

Aquecimento causado por humanos provavelmente causou a recente tendência de temperaturas recordes

Mudanças Climáticas: Estudo estima a tendência de inundações mais intensas nas cidades e secas nas áreas rurais

Regiões áridas podem enfrentar aquecimento de 4°C sob o objetivo do Acordo de Paris

Aumento da temperatura associada às mudanças climáticas acelera a evaporação do Mar Cáspio

Feedback do albedo é um dos principais impulsionadores no recuo do gelo marinho do Ártico

Mudanças Climáticas: Declínio das regiões frias, chamadas zonas periglaciais, agora é inevitável, dizem pesquisadores

Monitoramento do calor oceânico registra o aquecimento global

O Mar Vermelho está se aquecendo mais rápido do que a média global

Emissões globais de dióxido de carbono (CO2) aumentaram novamente após um hiato de três anos

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Alguns tópicos da estratégia de desinformação negacionista - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV