''A recusa à obstinação terapêutica é uma doutrina consolidada da Igreja.'' Entrevista com Vincenzo Paglia

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21 Novembro 2017

“Esclareçamos uma coisa: a recusa à obstinação terapêutica e, portanto, a suspensão dos tratamentos desproporcionais já são uma doutrina consolidada da Igreja.” O arcebispo Vincenzo Paglia é presidente da Pontifícia Academia para a Vida, e o texto do papa era dirigido a ele. “Sobre esses temas, de Pio XII à Evangelium vitae de João Paulo II, até o Catecismo, não há um documento papal que não tenha recordado isso.”

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 17-11-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Mas Francisco convida a considerar o “bem integral da pessoa” e faz uma anotação interessante: hoje, o desenvolvimento da técnica permite prolongar a vida de modos inimagináveis anos atrás, e, portanto, é preciso um “suplemento de sabedoria”. Distinguir entre obstinação e eutanásia tornou-se mais complicado, não?

Por isso, o papa fala de discernimento das situações concretas. A novidade do progresso tecnológico é evidente. O risco é de que a medicina se transforme apenas em técnica, e, no fim, a máquina se torne o absoluto, seja quase divinizada.

O filósofo católico Giovanni Reale disse, na época, que considerar como eutanásia os casos de Eluana e Welby era um “erro hermenêutico”. Hoje, a Igreja faria considerações diferentes sobre esses casos?

Para fazer um julgamento adequado, os casos individuais devem ser julgados no seu tempo e na realidade concreta, não abstratamente e a posteriori. Estou convencido de que nunca se deve abandonar ninguém, nem antes, nem durante, nem depois. Por isso, pessoalmente, eu celebro os funerais de todos.

Mas que ensinamento pode ser tirado, a partir de histórias semelhantes?

Que é preciso evitar, todos, de fazer uma batalha ideológica em nome da verdade. Às vezes, prevalece a rigidez abstrata. A verdade não é um bastão.

Sobre Welby, em particular, Giovanni Reale observava que ele era “refém de uma máquina” e advertia: “Ai de transferir a sacralidade da vida a uma máquina!”.

Para além do caso individual, o ponto é este: a técnica corre o risco de desumanizar a morte, assim como a vida. Há quem tenha definido a técnica como uma nova religião. Pense na pesquisa sobre a crioconservação, a tentativa de derrotar a morte. É preciso discernir. Nós nos movemos em um terreno muito delicado, que envolve também a aceitação do limite. A morte faz parte da existência. Pode parecer paradoxal, mas é o sentido do mistério do ser humano que o papa sugere.

Quando o DJ Fabo optou por morrer, o senhor falou de “uma derrota amarga para todos”.

Entre aceitar a morte e entregar-se à morte, há uma diferença abissal, radical. Nesse sentido, o suicídio assistido, um dos temas do congresso, também é rejeitado com determinação. lembra a imagem evangélica do Samaritano e até Kant, o “imperativo categórico” de nunca abandonar o doente. A linguagem também é importante: expressões como “desligar as máquinas” são totalmente inadequadas. O cuidado continua, mesmo que não se possa curar: os tratamentos paliativos são fundamentais.

E a autodeterminação?

O papa explica que, acima de tudo, é o paciente que têm título para decidir, mas em diálogo com os médicos. Ninguém é uma ilha, também há os familiares, os amigos. É preciso uma aliança terapêutica. Eu prefiro chamá-la de aliança de amor.

Francisco convida a abordar esses argumentos “com serenidade” e buscar, também nas leis, soluções “compartilhadas”.

É uma passagem importante: precisamente porque se fala de situações complexas, que não podem ser abordadas em preto e branco, é bom que haja uma discussão o mais ampla possível também na sociedade civil e que se escutem todas as visões, para além das batalhas e das simplificações ideológicas. Por exemplo, na Itália, isso aconteceu quando culturas diferentes escreveram juntas a Constituição.

E agora, sobre o fim da vida, estamos fazendo isso?

Discutimos, mas poderíamos ter feito ainda melhor.

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