Das Cruzadas de Ruini aos tons suaves de Bagnasco: assim o Papa inspira uma virada a respeito do fim da vida

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02 Março 2017

Passaram-se 11 e 8 anos, respectivamente, desde a morte de Piergiorgio Welby e Eluana Englaro, mas na Igreja Católica, considerando as reações que se seguiram ao suicídio assistido de Fabiano Antoniani, parece ter passado um século.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 01-03- 2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em 2006, a Igreja negou um funeral religioso a Welby, imobilizado em sua cama por causa da distrofia muscular: "Com seus gestos e suas palavras o Dr. Welby colocou-se em desacordo com a doutrina católica", escreveu sucintamente o Vicariato. Em 2009, a respeito da morte de Eluana Englaro por desidratação em decorrência da interrupção da alimentação artificial, diversas autoridades religiosas falaram em "uma sentença de morte", um "assassinato", com todo o apoio de "grupos pró-vida" que tentaram de todas as formas prevenir o que foi considerado um "assassinato de Estado". Enquanto hoje, um dia após a morte do Dj Fabo, tetraplégico e cego, as palavras são bem diferentes: "Este triste episódio deve nos levar a uma reflexão", é a essência do pensamento que expressa o presidente da Academia para a Vida, Vincenzo Paglia. "É uma derrota grave e dolorosa para toda a sociedade, para todos nós, porque a vida humana busca inspiração, força e valor inclusive por viver relações de amor e de afeto, onde cada um pode receber e pode doar amor" fala, pesando as palavras, o cardeal Angelo Bagnasco.

E ontem, também o jornal Avvenire, em seu editorial, apesar de destacar o temor de que a morte de Fabo “seja manipulada para defender a legitimidade do suicídio assistido e da eutanásia”, fala ao mesmo tempo em "devido respeito". Em primeiro lugar para Fabo, sobre quem "o único comentário cabível seria o silêncio". Dom Maurizio Patricello, no jornal da CEI (Conferência Episcopal Italiana), usa essas palavras: "Obrigado, Fabo" porque "você nos obriga a refletir sobre o que nós gostaríamos de ignorar: o sofrimento humano, o seu peso, a sua graça, o seu mistério".

Diz Gianni Gennari, teólogo e jornalista: "Parece-me evidente que há um novo clima na Igreja. O clima é o de integrar, de dar assistência, de estar perto mesmo daqueles que eventualmente tenham decidido morrer, sem que isso signifique aprovar o seu gesto. Estar perto, em suma, mas não julgar, como disse o Papa Francisco há poucos dias, referindo-se ao acolhimento que os padres devem reservar aos casais que vivem juntos. Não nos esqueçamos de que Jesus pediu um beijo a Judas. Por que motivo? Porque ele não julgava, apenas amava. É um clima que Francisco trouxe para a Igreja como legado do Papa João, do Concílio e, em última análise, do próprio Evangelho. Reside aqui, também, a razão das críticas que ele recebe daqueles que pensam ter o direito de decidir quem deve ficar dentro ou fora da Igreja. Enquanto Nosso Senhor veio para os pecadores e o caminho da salvação está aberto a todos”.

As resistências dentro da Igreja não faltam. O caminho indicado por Francisco para avaliar caso a caso e evitar batalhas frontais nos debates sobre os temas éticos mais espinhosos, põe suas cartas na mesa. E, ao mesmo tempo, sugere-se o máximo de cautela nesse ínterim que precede a assembléia geral da CEI que, em maio, depois de dez anos de presidência de monsenhor Bagnasco, irá eleger um novo guia. Luca Diotallevi, sociólogo da Universidade Roma Tre, explica que "em relação ao passado, em matéria de doutrina, não surgiu nenhuma mudança significativa, nem existem setores da Igreja que possam dispor a seu bel-prazer da própria doutrina. Existe sim uma clara diferença de estilos, de orientação e de senso de oportunidade. Porém, antes de atribuir a essa diferença maiores significados, deve-se reconhecer que ela depende da dificuldade de interpretar o novo contexto eclesial de modo correto para assumir um posicionamento, seja esse favorável ou contrário. Nesse sentido, provavelmente, também a proximidade do prazo final de maio induz a um comportamento que é de prudência, mas, também, de espera".

No pano de fundo existe ainda a vontade de respeitar, embora sem compartilhar, o que os italianos pensam. De acordo com uma pesquisa recente da Eurispes, de fato, 60 por cento é favorável à eutanásia, enquanto o 40,6 por cento acredita que a Igreja interfere mais do que deveria sobre questões éticas. Não por isso a Igreja irá parar de dizer o que pensa. Mas a renúncia a batalhas frontais permanece um fato que marca uma virada de época.

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