Leonardo Boff. O olhar de um teólogo da libertação sobre o Papa

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Por: Jonas | 26 Julho 2013

Em um de seus primeiros momentos, em seu dia de descanso no Brasil, antes de se dirigir ao Santuário de Aparecida e se encontrar com os participantes da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, o Papa recebeu o livro “Francisco de Assis e Francisco de Roma”, escrito pelo teólogo e ex-franciscano Leonardo Boff. Nele, Boff analisa a ruptura que o Sumo Pontífice está realizando na Igreja. “Entreguei o livro para o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, e ele já o ofereceu ao Papa”, confirmou Boff para o jornal “El País”, da Espanha, momentos antes de viajar para dois encontros com mais de mil jovens, em Santa Catarina e em São Paulo. Boff, um dos pais da Teologia da Libertação, estará no Rio de Janeiro no sábado, coincidindo com a vigília de oração em Guaratiba.

A reportagem é publicada no jornal Página/12, 24-07-2013. A tradução é do Cepat.

Boff definiu o novo papa como alguém que traz esperança, alívio e alegria de viver e pensar a fé cristã. “A Igreja voltou a ser uma casa espiritual”, apontou o teólogo, que pendurou os hábitos, em 1992, por desavenças com o Vaticano.

“Não pude abrir mão de um compromisso que tinha, há tempo, com os jovens com quem vou falar. Por isso, somente estarei no Rio de Janeiro no sábado, último dia da visita do Papa”, explicou o teólogo, frente à possibilidade de ter um encontro com o papa Francisco. “Uma amiga do Papa, de quando era arcebispo em Buenos Aires, com quem Francisco conversa todas as semanas por telefone, disse-me que perguntou ao Papa se ele tinha a intenção de me receber e sua resposta foi: ‘Quero fazer isso, mas somente depois de ter concluído a reforma da Cúria”, revelou Boff ao jornal espanhol. Seria, então, uma visita oficial, algo que Boff não conseguiu durante o pontificado de Bento XVI. No entanto, não se descarta um encontro extraoficial, caso ambos concordem, no próximo sábado, no Rio de Janeiro.

Por outro lado, Boff disse ao jornal "O Globo", que Francisco poderia reabilitar os mais de 500 teólogos condenados pela Igreja, durante os anos de Joseph Ratzinger e Karol Wojtyla, embora considere que ele não fará isto enquanto Bento XVI viver.

“Ele (o Papa) fará um chamado para que os governos escutem as ruas, escutem os jovens”, afirmou Boff, que opinou que o Pontífice exortará os jovens para inaugurar uma nova fase da Igreja. Segundo o brasileiro, sua esperança no pontificado de Francisco se deve ao fato de que, antes de ser eleito papa, o cardeal Jorge Bergoglio “era adepto de uma das vertentes da Teologia da Libertação, própria da Argentina, que é a teologia do povo, a teologia da cultura popular”.

“A Teologia da Libertação possuía muitas variantes. Na Argentina predominou essa, a que vem do justicialismo”, expressou Boff. “Francisco sempre entendeu a si mesmo como um peronista, um justicialista. Ele defendia ter os pobres como participantes, e que não há solução para os pobres sem sua própria participação. Isto é a Teologia da Libertação, e talvez seja até bom que ele, como papa, não esteja filiado com teologia alguma”, acrescentou Boff.

“Podemos dizer que Francisco é um teólogo da teologia da libertação elaborada por Scanone, que foi aquela que, de alguma forma, sustentou algumas atitudes do peronismo”, afirmou Boff, ao lembrar que quem ensinou a Teologia da Libertação na Argentina foi Carlos Scanone, professor de Bergoglio. “Scanone elaborou uma Teologia da Libertação que estava ligada à ‘teologia popular’, de alguma forma diferente daquela que, em seguida, foi desenvolvida pela corrente que se inspirou na tese do marxismo, que pretende o resgate dos pobres e excluídos por meio das mudanças de estruturas políticas”, acrescentou.

“São seus novos ares, nova música e novas palavras para velhos problemas, que nos permitem pensar numa nova primavera da Igreja”, estimou Boff, que foi condenado ao silêncio pelo papa João Paulo II, em razão de suas posições radicais, numa coluna publicada no jornal brasileiro “O Estado de São Paulo”. Boff destacou que os papas anteriores davam centralidade à Igreja reforçando suas instituições e doutrinas. “O papa Francisco coloca o mundo, os pobres, a proteção da Terra, e o cuidado da vida como questões essenciais”, diferenciou.

Os dois pontificados anteriores se caracterizaram pela disciplina e controle das doutrinas, destacou Boff, ao enfatizar que essa estratégia criou um inverno que congelou muitas iniciativas. “Esta nova Igreja, que ainda não pode ser avaliada de forma suficiente, por seu pouco tempo de existência, deixou de ser uma fortaleza para se transformar numa casa aberta, próxima do povo”, considerou Boff.

Sobre a possibilidade de que a Cúria utilize qualquer meio para se manter no poder e de que possa boicotar a ruptura que Francisco quer implementar, Boff não descartou, ao jornal “El País”, de que tente. “Porém, Francisco também é jesuíta, sendo também filho de Inácio de Loyola, o grande estrategista da Companhia de Jesus, que até hoje resistiu, passando por todos os vendavais que vieram contra ela, não apenas da Cúria, mas vindos de mais de um papa, que acabou dissolvendo-a, para que ressuscitasse sempre com maior força”, acrescentou.

“O novo papa não se apresenta como um doutor, mas como um pastor. Fala a partir do sofrimento humano sobre a fome do mundo, os imigrantes da África que chegam à ilha de Lampedusa, e denuncia o sistema financeiro mundial que martiriza países inteiros - destacou -. Acredito que é muito corajoso. Colocou-se junto aos pobres e contra a injustiça. Temos uma Igreja que tem hábitos palacianos e principescos. Este Papa transmitiu sinais de que quer outro estilo de Igreja, dos pobres para os pobres, e esta é a grande herança da Teologia da Libertação. Ele colocará em xeque os hábitos tradicionais de cardeais e bispos”, manifestou o teólogo.

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