É proibido esquecer Auschwitz e o maior roubo da história

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22 Janeiro 2022

 

"Por isso não é inútil, enquanto se espera o Dia da Memória, lembrar alguns dados de impressionante eloquência e olhar para o abismo de nossa desumanidade: a cada vinte segundos, durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas matavam um judeu; a cada quinze segundos hoje uma criança morre de fome; a cada três segundos, um ser humano é obrigado a fugir de sua terra devido a guerras, perseguições e pobreza; a cada dois segundos, uma garota menor de idade é obrigada a se casar; a 258 milhões de crianças no mundo é negado o direito à escola todos os dias; todos os dias, 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável", escreve Valerio De Cesaris, em artigo publicado por Domani, 20-01-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

"Quantos anos roubados", dizia Settimia Spizzichino, uma judia romana que sobreviveu a Auschwitz, quando alguém lhe perguntava sobre os campos de concentração. Quantos anos roubados de milhões de mulheres, homens, crianças.

Quanto tempo ainda teriam vivido? Quanto futuro lhes foi negado? Ela chamava o Holocausto de "o maior roubo da história".

Incontáveis anos roubados, seis milhões de vidas destruídas. As vítimas do genocídio judaico foram tão numerosas que, se quiséssemos observar um minuto de silêncio para cada uma delas, teríamos que ficar em silêncio por onze anos e meio.

Isso é três vezes o tempo que os carrascos levaram para exterminá-las. De fato, do início da “solução final” até a libertação de Auschwitz, ocorrida em 27 de janeiro de 1945, os nazistas e colaboradores mataram em média três pessoas por minuto. Muitas outras foram assassinadas depois, até a rendição da Alemanha.

Os dados sozinhos nem sempre conseguem explicar a realidade, e seis milhões de mortes são uma enormidade que a mente humana não consegue colocar em foco. A frase cáustica atribuída a Stalin não é desprovida de sentido: "A morte de um homem é uma tragédia, a morte de milhões de homens é uma estatística". Há um dado, porém, de eloquência impressionante: na Europa desfigurada pela guerra, com a sombra sinistra do nazismo pairando sobre muitos países, a cada vinte segundos um judeu era morto por ódio racista.

Nada importava para os assassinos que fosse uma criança indefesa, um idoso indefeso, uma mulher, um homem. Não importava se o judeu fosse praticante, convicto de sua própria identidade religiosa e de povo, ou, ao contrário, se fosse completamente secularizado e nem mesmo soubesse ter origem judaica.

A "lei do sangue", para retomar o título de um belo livro de Johann Chapoutot, impunha uma classificação férrea: a pessoa era judia por descendência, por "sangue" de fato, independentemente de sua vontade.

De acordo com a ideologia nazista, o inimigo definido com base racial, deveria ser exterminado, em uma visão apocalíptica em que o Terceiro Reich teria dado início a um novo mundo, governado pela superior raça ariana. Os judeus, os ciganos, os eslavos, os africanos e, gradualmente, todos aqueles que eram considerados inferiores, representavam para Hitler um obstáculo no caminho para a construção de um povo perfeito, incontaminado, que reconquistasse a pureza do mítico "povo original" alemão.

A máquina industrial de extermínio nazista, articulada em um sistema de concentração localizado principalmente nos territórios da Europa central, teve seu coração negro no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, próximo à cidade polonesa de Oświęcim. Mais de um milhão de pessoas, a maioria judeus, foram mortos lá.

Não existe outro lugar no mundo de tamanho tão modesto - todo o complexo de Auschwitz-Birkenau cobre uma área de cerca de 191 hectares - que tenha visto engolir um número tão alto de vidas, inclusive em um lapso de tempo bastante curto.

“Meditem que assim foi”, alertava Primo Levi. O Dia da Memória, 27 de janeiro, é um aviso: nos lembra que tolerar o racismo, em qualquer de suas expressões, permitir sua difusão, abre fatalmente o caminho para a violência assassina.

Auschwitz mostra o abismo em que cai a humanidade quando é negada a pertença comum à família humana e não é reconhecida a necessidade de salvaguardar a vida de cada pessoa. Sua memória, portanto, também nos leva a nos deter sobre os sofrimentos de tantas pessoas privadas em nosso tempo de direitos fundamentais, por racismo, por motivos de religião, de sexo e de convicções políticas.

Por isso não é inútil, enquanto se espera o Dia da Memória, lembrar alguns dados de impressionante eloquência e olhar para o abismo de nossa desumanidade: a cada vinte segundos, durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas matavam um judeu; a cada quinze segundos hoje uma criança morre de fome; a cada três segundos, um ser humano é obrigado a fugir de sua terra devido a guerras, perseguições e pobreza; a cada dois segundos, uma garota menor de idade é obrigada a se casar; a 258 milhões de crianças no mundo é negado o direito à escola todos os dias; todos os dias, 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável. A cada dia, a cada minuto, são roubados anos do futuro aos mortos nas guerras, aumentando o cálculo impossível daquele colossal roubo de vida de que falava Settimia Spizzichino.

 

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