Israel monta o tribunal que pode ordenar a morte de 400 palestinos

Fonte: Unsplash

Mais Lidos

  • El Niño deve intensificar eventos extremos e fazer de 2027 o ano mais quente da história

    LER MAIS
  • Revelação sobre Vorcaro é um ‘desastre’ para Flávio Bolsonaro, mas abre espaço para outras candidaturas da extrema direita

    LER MAIS
  • A centralidade do padre/pastor na Igreja, a nova direita e o detergente Ypê. Artigo de Jung Mo Sung

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Mai 2026

O Parlamento israelense aprovou a formação do tribunal militar que pode ordenar a pena de morte para 400 palestinos acusados de participar da operação Inundação de Al-Aqsa. Em Gaza, o Exército israelense aumentou em 35% os ataques, desde o início do cessar-fogo com o Irã.

A reportagem é publicada por Naiz, 14-05-2026. A tradução é do Cepat.

Cerca de 400 presos palestinos poderão ser executados nos próximos dias, após o Parlamento israelense ter aprovado, na segunda-feira, a lei que estabelece o tribunal militar especial com autoridade para impor a pena de morte aos acusados de participar da operação Inundação de Al-Aqsa, o ataque de 7 de outubro de 2023.

A lei foi aprovada pelos 93 membros do Kneset presentes na votação (de um total de 120), sem abstenções, o que demonstra que o apoio às políticas de extermínio vai muito além do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ou dos ministros classificados habitualmente como “ultras”, e é compartilhada por políticos de oposição, militares, juízes e a esmagadora maioria da sociedade israelense.

As acusações apresentadas abarcam um amplo leque de crimes: assassinato, estupro, sequestro, saque... Os processos contra os palestinos estão repletos de irregularidades, carecem de provas ou se baseiam em longos períodos de isolamento e torturas.

Os meios de comunicação israelenses destacam que aproximadamente 400 prisioneiros comparecerão ao tribunal, que pode condená-los à morte, uma sentença que não foi aplicada em Israel desde a execução do criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann, em 1962.

Esta nova legislação difere da lei de “pena de morte para terroristas” aprovada em março, mas que não possui caráter retroativo, portanto, será aplicada aos palestinos detidos a partir do momento que se tornar vigente. No entanto, ainda pode ser anulada pela Suprema Corte israelense, quando receber ações que denunciam o texto como inconstitucional e discriminatório, dado seu caráter racista por ter sido concebida especificamente para ser aplicada apenas aos palestinos.

A trégua no Irã impulsiona o genocídio na Palestina

Além do extermínio dos presos palestinos, longe da atenção mundial, o Exército israelense segue com o extermínio da população de Gaza. Nas cinco semanas posteriores à suspensão de seus bombardeios junto com os Estados Unidos contra o Irã, intensificou drasticamente seus ataques contra a sitiada Faixa de Gaza, segundo o observatório de conflitos ACLED, que constatou um aumento de 35% nos ataques em abril, em comparação a março.

O Exército israelense matou pelo menos 120 palestinos, entre eles, oito mulheres e treze crianças, desde o cessar-fogo de 8 de abril, o que significa um aumento de 20% em comparação com as cinco semanas anteriores, quando Israel e Estados Unidos atacavam o Irã. O ACLED constatou que abril foi o mês mais mortífero do ano na Faixa de Gaza.

O próprio representante do Conselho de Paz de Donald Trump, Nikolay Mladenov, reconheceu, ontem, que há violações “todos os dias” do suposto cessar-fogo e “algumas são muito graves”. Recordou que as famílias ainda precisam lutar para alimentar seus filhos e viver deslocadas em acampamentos, um pesadelo muito distante do que o plano de Trump prometeu. Israel ainda não permite a entrada de ajuda com normalidade, aumenta a ocupação militar do território e permanece destruindo infraestruturas.

Na Cisjordânia, o mesmo observatório ACLED constatou que 2026, só nos primeiros meses, já ocorre a violência mais intensa por parte dos colonos judeus contra os palestinos, desde que começou a ser registrada, há uma década.

Um grupo de colonos matou ontem Yusuf Kaabneh, um adolescente de 15 anos, em um ataque contra Sinjil e Jaljuli, na Cisjordânia, ao norte de Ramallah. O menor recebeu um tiro no peio em um ataque que deixou ao menos outras quatro pessoas feridas por balas de borracha e espancamentos.

A ONG israelense B’Tselem denunciou que os agressores roubaram centenas de cabeças de gado e tratores durante o pogrom, e que tropas do Exército israelense, em vez de impedir o ataque, detiveram ao menos três pastores palestinos.

Somente em março, colonos e soldados realizaram 1.819 ataques na Cisjordânia, e até o momento do ano mataram ao menos 37 palestinos.

Ao menos 12 mortos no Líbano

Nem mesmo na véspera da reunião em Washington com o governo libanês, Israel deixou de bombardear o Líbano. Ao menos doze pessoas, entre elas duas crianças, morreram em bombardeios contra veículos em diferentes partes do país. O Exército também atacou vários locais e voltou a ordenar evacuações. Desde 2 de março, Israel já matou 2.896 pessoas no Líbano.

Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, revelou ontem que visitou secretamente os Emirados Árabes Unidos e se reuniu com seu presidente, o xeique Mohamed bin Zayed al-Nahyan, em plena ofensiva contra o Irã. Isto confirma o envolvimento dos Emirados Árabes Unidos com a guerra conduzida por Israel e Estados Unidos. O país recebeu o sistema antimíssil israelense Domo de Ferro e acolheu tropas israelenses durante o conflito.

Flotilha

Cinquenta e quatro barcos com mais de quinhentos ativistas da Flotilha Global Sumud, assaltada por Israel em águas internacionais, no dia 30 de abril, partirão hoje do litoral turco para seguir navegando para Gaza.

Leia mais