Contexto. Artigo de Giovanni De Mauro

Destruição em Gaza. (Foto: Emad El Byed/Unplash)

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15 Mai 2026

Israel desenvolveu um sistema de inteligência artificial que integra enormes quantidades de dados para identificar e alvejar os supostos inimigos. O sistema foi usado na guerra em Gaza e agora está sendo usado no Líbano.

O artigo é de Giovanni De Mauro, jornalista italiano, publicado por Internazionale, 15-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Israel desenvolveu um sistema de inteligência artificial que integra enormes quantidades de dados para identificar e alvejar os supostos inimigos. O sistema foi usado na guerra em Gaza e agora está sendo usado no Líbano. Os dados provêm de telefones celulares, câmeras de vigilância, Wi-Fi, drones, redes sociais e bancos de dados governamentais e comerciais. Os algoritmos identificam padrões de movimento, redes de relações e desvios da rotina. Depois comparam esses dados com aqueles de pessoas já classificadas como perigosas para gerar um "perfil de ameaça". O sistema permite que o que antes exigia semanas de análise seja feito em poucos segundos.

Baseia-se no monitoramento de atividades e hábitos corriqueiros, quem fala com quem, onde e quando uma pessoa se desloca. Não utiliza a "lógica", mas dados, que, no entanto, não levam em conta o contexto e podem amplificar erros preexistentes: se os dados forem incompletos ou ambíguos, o sistema repete os mesmos erros, cada vez mais rapidamente e com maior convicção. Essencialmente, transforma correlações estatísticas em assassinatos seletivos, no total desrespeito a qualquer lei ou direito. E como se isso não bastasse, há a crueldade daquela que é chamada de "ligação da morte".

No início de maio, o Los Angeles Times noticiou um caso recente. Ahmad Turmus tem 62 anos e no passado foi um combatente do Hezbollah. Nos últimos meses, ele vinha coordenando a reconstrução de Talloussah, uma pequena vila na fronteira com Israel. Certo dia, em fevereiro, Turmus estava em casa. Ele atendeu a uma ligação e uma voz lhe perguntou simplesmente: "Ahmad, você quer morrer com as pessoas que estão ao seu redor ou sozinho?". Turmus respondeu que preferia morrer sozinho e desligou. Ele explicou à família o que estava prestes a acontecer e saiu. Ao sair, viu a esposa voltando, mas a evitou para não parar. Entrou no carro e se afastou. Morreu trinta segundos depois, atingido por dois mísseis israelenses.

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