15 Mai 2026
O encontro com funcionários do Ministério do Interior na ilha ocorre em um momento de tensão crescente entre os dois países e após repetidas ameaças de Donald Trump.
A informação é de EFE, publicada por elDiaro.es, 15-06-2026.
O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, reuniu-se nesta quinta-feira em Havana com altos funcionários do governo cubano, em um encontro incomum de alto nível entre os dois países, confirmou a agência.
Segundo um comunicado da CIA, Ratcliffe viajou para a capital cubana para manter conversas diretas com funcionários do Ministério do Interior e com os responsáveis pelos serviços de inteligência da ilha.
Durante a reunião, foram discutidos temas relacionados à cooperação em inteligência, segurança regional e a situação econômica de Cuba, em um contexto de tensões persistentes entre Washington e Havana, segundo o comunicado.
A visita incluiu encontros com Raúl Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro e conselheiro de segurança, bem como com o Ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas.
A versão americana indica que o diretor da CIA transmitiu a mensagem de que os Estados Unidos estão dispostos a explorar um diálogo mais amplo sobre questões econômicas e de segurança, embora condicionado a "mudanças fundamentais" por parte do governo cubano.
Em comunicado divulgado pela mídia oficial, o governo cubano afirma que “em um contexto caracterizado pela complexidade das relações bilaterais, a fim de contribuir para o diálogo político entre as duas nações, como parte dos esforços para lidar com o cenário atual”.
O comunicado explicou que a “liderança da revolução”, designação que inclui o ex-presidente Raúl Castro e outros líderes que não necessariamente ocupam cargos governamentais, “aprovou esta visita”, que, segundo eles, foi solicitada por representantes do governo dos EUA. As autoridades cubanas indicaram que seus representantes na reunião forneceram informações que “demonstraram categoricamente” que a ilha “não constitui uma ameaça à segurança nacional dos EUA, nem há razões legítimas para incluí-la na lista de países que supostamente patrocinam o terrorismo”.
“Mais uma vez, ficou demonstrado que a ilha não abriga, apoia, financia ou permite organizações terroristas ou extremistas; tampouco existem bases militares ou de inteligência estrangeiras em seu território, e jamais apoiou qualquer atividade hostil contra os Estados Unidos, nem permitirá que Cuba tome qualquer ação contra outra nação”, enfatiza o texto. A declaração conclui afirmando que, na reunião, ambas as partes expressaram seu interesse “em desenvolver a cooperação bilateral entre as agências de segurança pública, para o benefício de ambas as nações, da segurança regional e da segurança internacional”.
O encontro ocorre em um momento de crescente pressão diplomática de Washington sobre a ilha e abre um novo capítulo de reaproximação entre os dois governos após anos de relações tensas.
Desde janeiro, Washington vem pressionando o governo cubano para implementar reformas profundas em seu sistema econômico e regime político, o que Havana se recusa a fazer, argumentando que essas áreas estão dentro da soberania nacional e não são negociáveis.
Para aumentar a pressão sobre a ilha, Washington impôs um embargo de petróleo que está agravando a crise energética que já afeta Cuba, e emitiu uma Ordem Executiva que amplia ainda mais o emaranhado de sanções econômicas, financeiras e comerciais contra a ilha, que já dura décadas, incluindo medidas extraterritoriais.
Os dois países iniciaram um diálogo, com pelo menos um encontro presencial marcado para 10 de abril em Havana, mas até o momento não foram divulgados avanços ou detalhes.
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