O custo bilionário da guerra dos EUA contra o Irã

Foto: Adam Nir/Unplash

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25 Março 2026

A guerra contra o Irã vem custando cerca de 1 bilhão de dólares por dia aos Estados Unidos, segundo a estimativa de especialistas. O orçamento não só supera expectativas iniciais de observadores como também levanta questionamentos sobre quanto tempo deverá ainda durar a ofensiva, que há quase um mês deu o pontapé para a guerra no Oriente Médio.

A reportagem é publicada por DW, 24-03-2026.

Nesta terça-feira (24/03), o Centro para Progresso Americano estimou que o custo chegaria a 25 bilhões de dólares até o fim desta semana, quando o conflito completará um mês. Apenas as primeiras horas da operação envolveram 20 sistemas de armas contra mais de mil alvos, com custo estimado de mais de 4 bilhões de dólares, de acordo com o instituto.

O valor superou 11 bilhões no sexto dia de guerra, conforme teria reportado o Pentágono ao Congresso, segundo a imprensa americana. Já no décimo segundo dia, os gastos ultrapassaram os 16 bilhões, calculou, por sua vez, o Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).

"Embora os custos diários tenham diminuído à medida que os Estados Unidos adotaram um ritmo mais lento nas operações e passaram a utilizar munições mais baratas do que nos primeiros dias da guerra, o custo ainda é elevado", segundo o Centro para Progresso Americano.

Desde o início do conflito, cerca de 1,5 mil pessoas já morreram no Irã, e outras 1 mil no Líbano. Outras dezenas morreram em Israel, Cisjordânia e outros países do Golfo.

Perda de equipamentos

Embora haja pouca informação oficial disponível sobre os custos da guerra, especialistas sabem que a perda de equipamentos em ataques é um dos itens mais caros da conta aos cofres americanos, podendo já ter alcançado 2,5 bilhões de dólares.

Apenas um sistema de radar, que foi atingido por um míssil iraniano numa base aérea dos EUA no Qatar, custou 1,1 bilhão de dólares. Mais equipamentos militares espalhados em Bahrein, Kuwait e Jordânia também foram acertados. Outros custos incluem bombas, artilharia, munição e mísseis.

As forças militares dos EUA desfrutam do maior financiamento do mundo, superando o Irã. Ao mesmo tempo, os custos para os americanos no conflito têm se mostrado significativamente maiores.

O Irã gasta estimados 20 mil dólares por um drone, que os EUA interceptam com mísseis avaliados entre 1,3 milhão e 4 milhões de dólares. Cada interceptação costuma exigir dois ou três mísseis.

Para o CSIS, os EUA não enfrentavam risco de ver seus inventários de munição chegarem a zero, com base no uso esperado para sustentar a operação. "Esses gastos, no entanto, geram riscos em outros teatros de operações, como a Ucrânia e o Pacífico Ocidental, uma vez que munições de alta demanda estão sendo desviadas para a guerra atual com o Irã."

Orçamento militar recorde

O governo americano tem sido ambíguo quanto aos seus próximos passos no conflito. O presidente Donald Trump já indicou nos últimos dias tanto que a operação poderia estar se aproximando do fim quanto que se tornaria ainda mais intensa.

Em dezembro, o Congresso aprovou um orçamento militar anual de 901 bilhões de dólares, apontado como recorde pela imprensa americana. Isto é, pouco menos de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, ou o equivalente a pouco mais de 10 mil dólares per capita.

Questionado por jornalistas, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, indicou nesta terça-feira (24/03) que o Pentágono pediu um valor próximo de 200 milhões a mais para manter a guerra contra o Irã.

"Acredito que a cifra possa variar,” ele afirmou numa entrevista coletiva, acrescentando que o Pentágono recorreria ao Congresso para obter "financiamento adequado".

Para Daniel Schneiderman, diretor de programas de políticas globais do Penn Washington, ligado à Universidade da Pensilvânia, o montante soa verossímil. "A quantidade de munições de precisão e interceptores utilizados, o número de saídas aéreas, o combustível consumido e o custo de operação de dois grupos de combates de porta aviões, tudo levado em conta, resultaria numa fatura muito elevada."

Quem paga a conta?

Ao comentar os custos, o governo Trump vem afastando possíveis críticas. Segundo o republicano, é um "pequeno preço a pagar” para garantir a posição americana. Já Hegseth disse que "é necessário dinheiro para lutar contra os maus.”

Mas críticos argumentam que cruzar as fronteiras do orçamento anual significa reduzir os gastos domésticos.

"Antes de o Congresso decidir conceder US$ 200 bilhões em novos recursos para o Departamento de Defesa dos EUA, ele deve considerar seriamente outras formas de utilizar esses recursos, incluindo a melhoria da qualidade de vida das pessoas", segundo o Centro para Progresso Americano.

O valor seria o suficiente para cobrir os custos do Medicaid, programa público que oferece cobertura de saúde a baixo custo, para quase 25 milhões de pessoas, estimou ainda o instituto.

Além dos custos militares, o conflito elevou os preços do petróleo em razão do fechamento do Estreito de Ormuz, onde transita um quinto da produção petrolífera global. 

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