Um ano a mais para o Sínodo

Sínodo dos Bispos (Foto: Vatican News)

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17 Outubro 2022

 

“Em 10 de outubro do ano passado iniciou-se a primeira fase da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema 'Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão'. Desde então, está acontecendo nas Igrejas particulares a primeira fase do Sínodo, com a escuta e o discernimento. Os frutos do processo sinodal iniciado são muitos, mas para atingir o pleno amadurecimento é preciso não ter pressa. Por isso, para um maior tempo de discernimento, estabeleci que esta Assembleia sinodal se realizará em duas sessões. A primeira de 4 a 29 de outubro de 2023 e a segunda em outubro de 2024. Acredito que esta decisão possa favorecer a compreensão da sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja e ajudar todos a vivê-la em um caminho de irmãos e irmãs que testemunham a alegria do Evangelho".

 

Com essas palavras, no último domingo no final do Angelus, o Papa Francisco anunciou a extensão do processo sinodal da Igreja, dividindo a Assembleia Geral em duas sessões entre 2023 e 2024. 

 

O comentário é de Marcello Neri, teólogo e padre italiano, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, publicado por Settimana News, 16-10-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Dar tempo à Igreja, como corpo de crentes, é a razão dessa decisão. Na nota da Secretaria Geral do Sínodo especifica-se que visa dar a possibilidade “de um discernimento prolongado não só por parte dos membros da Assembleia sinodal, mas de toda a Igreja. [Porque] o sínodo não é um evento, mas um processo, no qual todo o povo de Deus é chamado a caminhar junto para o que o Espírito Santo o ajuda a discernir como sendo a vontade do Senhor para sua Igreja".

 

Tempo para se dedicar ao aprendizado daquela negociação fraterna que ajuda a Igreja Católica a superar a polarização em que se encontra atualmente, para que não seja a representação partidária, mas a docilidade ao Espírito a instruir o tecido da dupla assembleia sinodal.

 

É claro que a extensão também traz riscos - dada a escassa disponibilidade de encontrar um terreno comum de encontro entre as diferentes sensibilidades eclesiais. Riscos que o Papa Francisco se mostra determinado a assumir para dar ao Sínodo sobre a sinodalidade aquele amplo alcance que deve caracterizá-lo.

 

O tempo dado é sobretudo para o povo de Deus, para os crentes comuns e, consequentemente, também para a representação episcopal, para que aprenda realmente a dar-lhes a palavra - uma palavra não simplesmente consultiva, mas efetivamente indicativa do caminho que a Igreja católica, deve trilhar no novo milênio para ser concretamente fiel ao Evangelho.

 

Tempo e palavra que, agora após a decisão de Francisco, no entanto, pedem para se tornar um momento estruturante para a arquitetura da Igreja institucional – para não ser uma simples oportunidade perdida. Em primeiro lugar, na configuração representativa da segunda sessão da Assembleia Geral – onde, neste momento, a presença de leigos e leigas não pode mais ser apenas uma exceção esporádica, mas deveria se tornar o polo inédito de uma triangulação de vozes e mandatos eclesiais, ao lado daquele do ministério petrino e dos bispos.

 

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