Tempo da Criação – Sugestão de Oração para a 3ª semana – Escutemos a voz dos pobres, migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano

"Migrantes", de Cândido Portinari (1955).

17 Setembro 2022

 

No Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação iniciou-se Tempo da Criação 2022, que se estenderá até o dia 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis,  padroeiro da ecologia. O Tempo da Criação é um período ecumênico, no qual os cristãos ao redor do mundo se unem em torno a um mesmo propósito: através da oração e ações concretas responder conjuntamente ao grito da Criação proteger nossa casa comum.

 

Em sintonia com esta proposta e no compromisso de contribuir no enfrentamento da emergência climática na qual o mundo de hoje está imerso, o Instituto Humanitas Unisinos se propõe oferecer semanalmente algumas sugestões para a oração pela Criação, tendo como fio condutor o tema-convite "Escute a voz da Criação!"

 

Oração pela Criação - 3ª semana do Tempo da Criação



Em sua mensagem para o Tempo da Criação neste ano de 2022, o Papa Francisco escreve que “se se aprende a escutá-la, notamos uma espécie de dissonância na voz da criação. Por um lado, é um canto doce que louva o nosso amado Criador; por outro, é um grito amargo que se lamenta dos nossos maus-tratos humanos. Ao rezar pela criação ao longo desse Tempo da Criação deixemo-nos sensibilizar e desafiar por essa “dissonância na voz da Criação” que cada vez mais se acentua em meio à emergência climática, cujos sinais se agravam ao redor do mundo.

 

Que a escuta do canto doce da Criação nos ajude a fortalecer uma comunhão universal com todas a criaturas, na certeza da presença de Deus na criação.



Unamo-nos aos salmistas em sua oração de louvor pela Criação, “espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho”.

 

Salmo 19

Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.

Um dia fala disso a outro dia; uma noite o revela a outra noite.... não se ouve a sua voz.

Mas a sua voz ressoa por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo". 

 

Salmo 150

 

"Todo ser que respira louva o Senhor. Aleluia!" 

 

Salmo 148

 

Louvai ao SENHOR! Louvai ao SENHOR desde os céus, louvai-o nas alturas.

Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos.

Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes.

Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus.

Que louvem o nome do SENHOR, pois mandou, e logo foram criados.

E os confirmou para sempre e lhes deu uma lei que não ultrapassarão.

Louvai ao SENHOR desde a terra, vós, baleias e todos os abismos,

fogo e saraiva, neve e vapores e vento tempestuoso que executa a sua palavra;

montes e todos os outeiros, árvores frutíferas e todos os cedros;

as feras e todos os gados, répteis e aves voadoras;

reis da terra e todos os povos, príncipes e todos os juízes da terra;

rapazes e donzelas, velhos e crianças.

Que louvem o nome do SENHOR, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o céu.

Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao SENHOR!

 

A canção doce da Criação é acompanhada de um “coro de gritos amargos”, sobre os quais o Papa Francisco escreve:

 

“Primeiro, é a irmã Madre Terra que grita. À mercê dos nossos excessos consumistas, geme implorando para pararmos com os nossos abusos e a sua destruição. Depois gritam as diversas criaturas. À mercê dum «antropocentrismo despótico» (Laudato si', 68), nos antípodas da centralidade de Cristo na obra da criação, estão a extinguir-se inúmeras espécies, cessando para sempre os seus hinos de louvor a Deus. Mas gritam também os mais pobres entre nós. Expostos à crise climática, sofrem mais severamente o impacto de secas, inundações, furacões e vagas de calor que se vão tornando cada vez mais intensas e frequentes. E gritam ainda os nossos irmãos e irmãs de povos indígenas. Por causa de predatórios interesses económicos, os seus territórios ancestrais são invadidos e devastados por todo o lado, lançando «um clamor que brada ao céu» (Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Querida Amazonia,9). Enfim gritam os nossos filhos. Ameaçados por um egoísmo míope, os adolescentes pedem-nos ansiosamente, a nós adultos, que façamos todo o possível para prevenir ou pelo menos limitar o colapso dos ecossistemas do nosso planeta.[1] 



Convidamos nesta terceira semana de Oração pela Criação rezar em comunhão e solidariedade com os pobres, migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano, que são os que mais sofrem em meio a confluência das múltiplas crises que afetam o mundo em que vivemos. Convidamos a acolher sua voz e seus clamores através da leitura de notícias atualizadas sobre sua realidade e suas lutas na defesa de seus territórios, de sua cultura e do meio ambiente. Que suas vozes ecoem através de nossa oração como apelo ao cuidado de nossa Casa Comum.

Escutemos suas vozes e rezemos com e por elas e eles!

 

Por que o clima afeta os mais fracos

 

Para entender quanto são interconectadas as desigualdades e as mudanças climáticas, basta olhar dentro e fora das nossas fronteiras quem está pagando o preço mais altos pelo aquecimento global. São os países em desenvolvimento, que menos contribuíram para causá-lo. Dentro de nossas fronteiras vale o mesmo: quem corre o risco de ser mais afetado pela emergência climática são aqueles que não podem escolher onde viver, onde trabalhar, que ar respirar. (continuar lendo)

 

Fome atinge 33 milhões de pessoas no Brasil, mesmo número do início da década de 90, diz pesquisa

A fome no Brasil voltou a patamares registrados pela última vez nos anos 1990, de acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, lançado nesta quarta-feira, 8.

Atualmente 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no País; 14 milhões a mais do que no ano passado. (continuar lendo)

 

Migração climática e o cuidado da Casa Comum: uma perspectiva global


inter-relação entre migração e fenômenos ambientais que ocorrem no mundo é agora evidente. Segundo o IDMC, em 2020, 30,7 milhões de novos deslocamentos foram causados por catástrofes em 145 países e territórios. Um número que é importante se compararmos com outras causas de migração e que tem impacto em diferentes escalas: local, nacional, continente e global.(continue lendo)

 

Perspectivas do deslocamento forçado no contexto da emergência climática

"O vertiginoso avanço da crise climática e os desastres associados obrigam um número crescente de pessoas no mundo a abandonar seu habitat. (...)

Como centenas ou milhares de milhões de deslocados forçados serão tratados nas próximas décadas? O sinal das políticas que forem adotadas marcará, sem dúvida, se passaremos a marcos de coexistência e coesão social ou a uma maior fragmentação, tensão e conflito. Agora, cabe a nós decidir”, escreve Nuria del Viso, jornalista e antropóloga. (continuar lendo)

 

Papa: os migrantes não são invasores, a sua contribuição enriquece a sociedade

 

"Construir o futuro com os migrantes e refugiados" é o título do documento, assinado em São João de Latrão em 9 de maio e apresentado nesta quinta-feira (12), no qual o Pontífice entrelaça a sua análise sobre o fenômeno migratório - ainda atual e tornado ainda mais urgente pela guerra na Ucrânia - com passagens bíblicas dos Profetas e do Evangelho. (continuar lendo)

 

Refugiados, uma maré humana em fuga: 100 milhões pedem proteção

 

Quem evidenciou o alerta em relação um fenômeno que cresceu exponencialmente na última década foi o segundo relatório anual da Acnur, “Global Trends”, relativo em particular a 2021, que o Avvenire leu de antemão. Números que não conseguem contar as histórias, as malas de quem foge, cheias de dramas e esperanças. (continuar lendo)

 

Oração cristã com a criação

(Encíclica Laudato Si')

Nós Vos louvamos, Pai,
com todas as vossas criaturas,
que saíram da vossa mão poderosa.
São vossas e estão repletas da vossa presença
e da vossa ternura.
Louvado sejais!

Filho de Deus, Jesus,
por Vós foram criadas todas as coisas.
Fostes formado no seio materno de Maria,
fizestes-Vos parte desta terra,
e contemplastes este mundo
com olhos humanos.
Hoje estais vivo em cada criatura
com a vossa glória de ressuscitado.
Louvado sejais!

Espírito Santo, que, com a vossa luz,
guiais este mundo para o amor do Pai
e acompanhais o gemido da criação,
Vós viveis também nos nossos corações
a fim de nos impelir para o bem.
Louvado sejais!

Senhor Deus, Uno e Trino,
comunidade estupenda de amor infinito,
ensinai-nos a contemplar-Vos
na beleza do universo,
onde tudo nos fala de Vós.
Despertai o nosso louvor e a nossa gratidão
por cada ser que criastes.
Dai-nos a graça de nos sentirmos
intimamente unidos
a tudo o que existe.
Deus de amor,
mostrai-nos o nosso lugar neste mundo
como instrumentos do vosso carinho
por todos os seres desta terra,
porque nem um deles sequer
é esquecido por Vós.
Iluminai os donos do poder e do dinheiro
para que não caiam no pecado da indiferença,
amem o bem comum, promovam os fracos,
e cuidem deste mundo que habitamos.
Os pobres e a terra estão bradando:
Senhor, tomai-nos
sob o vosso poder e a vossa luz,
para proteger cada vida,
para preparar um futuro melhor,
para que venha o vosso Reino
de justiça, paz, amor e beleza.

Louvado sejais!


[1] Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação

 

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