Dia da Salvaguarda da Criação. A mensagem do Patriarca Bartolomeu

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01 Setembro 2022

 

"[A humanidade] Insiste em nutrir ilusões sobre a capacidade inata da natureza de se autoproteger e superar as feridas geradas pelo homem. Sabemos, mas continuamos a agir como se estivéssemos desinformados, a rejeitar a verdade de que, em referência à relação com o ambiente natural, o tecnocrata contemporâneo e nossa cultura que tem a economia como centro, não constitui um progresso, pois a maior destruição do ambiente natural foi realizada em nossa época, uma época de predomínio da ciência e da economia", escreve o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, 01-09-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a mensagem.

 

Mensagem de S. S. o Patriarca Ecumênico 1º. de setembro de 2022

Bartolomeu

Pela graça de Deus Arcebispo de Constantinopla

Nova Roma e Patriarca Ecumênico

 

À toda a Pleroma da Igreja,

Graça, paz e misericórdia

Do feitor de toda a criação

O Senhor e Deus e Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo

 

 

Eminentíssimos Irmãos Bispos e amados filhos no Senhor,

 

Entrando hoje, pela bênção de Deus, no novo ano eclesiástico, honramos durante esta festa da proclamação do "Dia da salvaguarda do meio ambiente natural" e elevamos orações de glória e agradecimento ao Criador de tudo pelo "grande dom da criação".

 

E voltamos a proclamar em voz alta que o respeito pela criação e a preocupação constante pela sua proteção fazem parte do cerne da nossa identidade ortodoxa, como um dos seus elementos mais preciosos. A Igreja sabe e ensina que a causa da alienação do homem da criação "muito boa" e do próximo é a "alienação de Deus". Lembra corajosamente de que não existe autêntica liberdade sem a Verdade e fora da Verdade, que é a força libertadora por excelência. "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo 8,32).

 

Há três décadas e mais, a Santa e Grande Igreja de Cristo vem apresentando a mensagem ecófila da Ortodoxia com ênfase e dinamismo, através de múltiplas iniciativas. O dia 1º de setembro de 1989 será o início e representará para sempre o começo de um movimento abençoado, que produziu muitos frutos, destacou as raízes espirituais e éticas e os parâmetros da destruição do meio ambiente natural, mobilizou pessoas e instituições, inspirou o resto do mundo cristão, mostrou o caminho para enfrentar o grande problema, caminho que passa primeiro pela compreensão de sua conexão com a crise da liberdade humana e a necessidade de uma mudança radical na forma de pensar e de comportamento diante da criação, e depois através da ação comum de toda a humanidade, dadas as dimensões mundiais e as trágicas consequências do desastre ecológico.

 

Um precioso depósito para o futuro é constituído pela importante produção literária no campo da ecologia teológica, na qual um lugar central é ocupado pelos estudos do Eminentíssimo Metropolita João de Pérgamo, Professor e Acadêmico. Uma fonte inesgotável de inspiração também será constituída pelos trabalhos dos nove Simpósios Ecológicos Internacionais realizados, que contaram com a presença de renomados cientistas específicos e representantes da política da cultura e do espírito. Esses textos são particularmente úteis também na educação ambiental, que reivindica um papel significativo na educação atual. Foi dito corretamente que "no futuro, uma educação sem uma orientação ecológica será uma paródia da educação".

 

O desenvolvimento contínuo é um caminho de mão única. O que assegura o equilíbrio ecológico no presente e constitui uma garantia para o futuro tem suas próprias condições: a ecologia econômica, a mudança na agricultura e na produção biomecânica, na produção e uso da energia, na movimentação e transferência de bens, em novos padrões de consumo etc.

 

Infelizmente, muitas vezes, as boas intenções, os entendimentos e as declarações permanecem pura teoria, "grandes palavras", promessas do marinheiro nos fatos, "cheques sem fundo", como foi escrito. A humanidade não reconhece seus erros pelas mudanças climáticas, incêndios catastróficos, ondas de calor, inundações, redução violenta da biodiversidade, poluição da atmosfera e dos mares, desmatamento e repercussões sociais da crise ambiental, que têm como primeiro efeito a emigração em massa por motivos ambientais.

 

Insiste em nutrir ilusões sobre a capacidade inata da natureza de se autoproteger e superar as feridas geradas pelo homem. Sabemos, mas continuamos a agir como se estivéssemos desinformados, a rejeitar a verdade de que, em referência à relação com o ambiente natural, o tecnocrata contemporâneo e nossa cultura que tem a economia como centro, não constitui um progresso, pois a maior destruição do ambiente natural foi realizada em nossa época, uma época de predomínio da ciência e da economia. A mudança climática é uma grande catástrofe, causada pela irresponsabilidade humana e pelo modelo sem saída da organização da vida econômica. Só teremos futuro se entendermos que proteger a integridade da criação não só não constitui um obstáculo ao crescimento econômico, mas é o veículo para o progresso real.

 

Este ano, as celebrações do Dia da Proteção da Criação ressoam junto com o barulho das armas na Ucrânia, com o grito das vítimas da violência bélica, com os bombardeios de cidades e infraestruturas, com a natureza ferida e os gemidos dos refugiados. Toda guerra é uma catástrofe humana e ecológica. A violência que continua, além dos milhares de vidas humanas que destrói e da poluição do meio ambiente natural, obriga os países e os povos a voltarem a formas não favoráveis ao meio ambiente para garantir a suficiência energética. Desta forma, a humanidade entra em um novo círculo vicioso de catastróficos becos sem saída. Confirma-se novamente o ditado de que o homo sapiens ainda hoje chega a se comportar de maneira semelhante ao homo demens, como um ignorante e um louco.

 

Irmãos no Senhor e filhos abençoados,

 

Para a Igreja, os bens do mundo, segundo uma expressão mais que teológica, "não são simplesmente o dinheiro, um material necessário às necessidades individuais, mas os fatos, ou seja, as ações - realizadas por uma Pessoa criadora". Todas as obras do Senhor o abençoam, louvam e exaltam nos séculos, os céus narram a Sua glória. Esta mensagem manifesta a preocupação da Grande Igreja pela salvaguarda da criação. A vida da Igreja de Cristo é uma antecipação do que esperamos como realidade no Reino do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ao longo do caminho rumo às coisas últimas, a Santa Igreja oferece ao mundo como guia o Evangelho da graça e a certeza inabalável de que o mal, sob todas as suas formas, não tem a última palavra na história.

 

Concluindo, desejamos um feliz novo ano eclesiástico e que gere frutos, invocando sobre todos vós, por intercessão da Primeira Santa, a Virgem de Pammakaristos, a graça ardente e grande misericórdia do feitor e redentor de toda a criação, Cristo Deus, princípio e fim de nossa fé imaculada, a ele a glória e o poder nos séculos infinitos. Amém.

 

1º. de setembro de 2022

O Patriarca de Constantinopla

fervoroso intercessor junto a Deus de todos vós

 

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