Relatórios sinodais de todo o mundo levantaram questões sobre clericalismo e mulheres. Artigo de Phyllis Zagano

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17 Agosto 2022

 

“Se alguma coisa resultará de todo esse esforço, ninguém sabe, mas palavras fortes em vários idiomas estão chamando clérigos de arrogantes que, convencidos de que controlam o acesso ao céu, estão arruinando a Igreja e afugentando membros, especialmente mulheres e meninas. No geral, as pessoas concordam com Francisco. Esses clérigos não. Se o clericalismo pode bloquear os pedidos de reforma vindos do sínodo é incerto”, escreve a teóloga estadunidense Phyllis Zagano, professora de religião na Hofstra University, Nova York EUA, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 17-08-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis o artigo.

 

Mais de um ano atrás, o Papa Francisco anunciou o Sínodo sobre a Sinodalidade, uma iniciativa para impulsionar a Igreja Católica. Os católicos estadunidenses foram mais silenciosos sobre esses esforços, mas em muitos países, incluindo Austrália, França, Inglaterra e Gales, Alemanha, entre outros, as coisas se movimentaram a todo vapor.

 

Os dois maiores problemas que aparecem uma, e outra, e mais uma vez novamente: o clericalismo e o lugar das mulheres na Igreja.

 

Se você não escutou muito sobe esses esforços, que encerraram a primeira fase no mês passado, você não está sozinho. Em maio de 2021, seis meses antes da abertura do sínodo, que foi em outubro, o Vaticano pediu aos bispos de todo o mundo para nomearem coordenadores sinodais em suas dioceses, que eram esperados para organizar uma programação de reuniões públicas para católicos, ex-católicos e não-católicos para falarem sobre a Igreja.

 

Alguns fizeram. Alguns não fizeram. Mesmo assim, a maioria das dioceses dos EUA, 95% de acordo com a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, escreveu relatórios, embora poucos tenham sido divulgados. As dioceses participantes anexaram os relatórios paroquiais aos relatórios diocesanos, os quais foram combinados com os relatórios regionais. Dos relatórios regionais, assim como os de 110 organizações católicas independentes, as conferências episcopais nacionais criavam um relatório de 10 páginas para enviar a Roma.

 

Alguns relatórios diocesanos, como os de Buffalo, Louisville, Salt Lake City e Trenton, apontam o clericalismo e a falta de mulheres em posições de liderança como problemático. Louisville, Trenton e Salt Lake City clamam por mulheres diáconas. O relatório de Buffalo relaciona os escândalos de abusos e a falta de respeito com as mulheres como a manifestação de um clero totalmente masculino e que causa o declínio de participação na Igreja.

 

Mesmo San Francisco, arquidiocese liderada pelo conservador Salvatore J. Cordileone, admite o clericalismo, e o relatório de Washington D.C. aponta um fato central: o povo não confia nos bispos.

 

O sínodo é um evento mundial, e os primeiros relatórios de conferências de bispos fora dos EUA repetem a mesma história: o clericalismo é um flagelo para a Igreja e as mulheres não são respeitadas ou incluídas na liderança.

 

A Austrália sobreviveu recentemente a uma reunião conturbada do Concílio Plenário, durante a qual os bispos do país votaram contra uma declaração testemunhando a igual dignidade de mulheres e homens, aparentemente porque incluía um pedido para restaurar as mulheres ao diaconato ordenado. Depois que quase um quarto dos membros do concílio protestaram, recusando-se a tomar seus assentos após uma pausa para o chá, as reuniões de emergência suavizaram a declaração de que os bispos aceitariam a decisão de Roma sobre as diáconas.

 

A França relatou profunda insatisfação com o lugar das mulheres na Igreja e a necessidade de reconhecer seus sofrimentos e expectativas.

 

A Inglaterra e o País de Gales reconheceram que as mulheres eram uma maioria silenciada, não reconhecida, excluída da liderança e do ministério.

 

A Alemanha foi tão longe nesses e em outros tópicos que ganhou um lembrete publicado do Vaticano: Embora eles possam discernir, Roma decidirá.

 

Assim que todos os relatórios nacionais chegarem a Roma, o plano é criar um documento geral para outra rodada de discussão no próximo ano, em preparação para a reunião sinodal de outubro de 2023 de cerca de 300 representantes em Roma.

 

Historicamente, os sínodos são sínodos de bispos, mas até agora pelo menos uma mulher, a irmã xaveriana Nathalie Becquart, uma das duas subsecretárias (segunda em comando) no escritório do sínodo de Roma, terá um voto. A lista de membros do sínodo, observadores e especialistas deve aparecer até o final do ano.

 

Se alguma coisa resultará de todo esse esforço, ninguém sabe, mas palavras fortes em vários idiomas estão chamando clérigos de arrogantes que, convencidos de que controlam o acesso ao céu, estão arruinando a Igreja e afugentando membros, especialmente mulheres e meninas. No geral, as pessoas concordam com Francisco. Esses clérigos não. Se o clericalismo pode bloquear os pedidos de reforma vindos do sínodo é incerto.

 

Como pode ser isso?

 

Para começar, a chamada solução biológica anunciada pelos católicos conservadores está se firmando. À medida que padres e bispos apoiadores do Concílio Vaticano II e de Francisco envelhecem ou morrem no local, eles são substituídos por um quadro de bispos ordenados sacerdotes durante o reinado do Papa João Paulo II, que por sua vez nomeiam pastores conservadores ordenados durante o reinado do Papa Bento XVI. Francisco, tão forte e alerta como está hoje, não está ficando mais jovem.

 

Positivo assume a situação dizer que a voz do Espírito Santo é ouvida através do povo, e Deus firmará a barca de Pedro. Mas enquanto isso, a Igreja Católica como uma força para o bem continua a perder influência dentro e fora de seus muros, em grande parte por causa de como muitos de seus clérigos tratam as mulheres.

 

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