Sínodo. Papa Francisco. “Falem com coragem: as críticas, quando honestas, ajudam; as ilações, não”

Abertura XV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos. Foto: Vatican Media

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Outubro 2018

O objetivo não é fazer com que saia um documento que “geralmente é lido por poucos e criticado por muitos”, mas “propósitos pastorais específicos”, capazes de “estimular a confiança, curar as feridas, entabular relações” e, acima de tudo, inspirar os jovens, “todos os jovens”, mas também os adultos, para uma visão positiva do futuro. Ajudar, pois, a tentar “frequentar o futuro”. Por esta razão, o Papa Francisco indica os tempos, as maneiras e as atitudes precisas que servirão nos trabalhos do Sínodo sobre os jovens, que começa hoje e termina no dia 28 de outubro. Esta grande assembleia, desta forma, deverá ser realmente uma oportunidade de reflexão e de mudança para uma Igreja que parece “cheia de fadigas, problemas e pesos”, especialmente depois do ressurgimento dos escândalos dos abusos sexuais no último ano.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 03-10-2018. A tradução é de André Langer.

O Pontífice explicou, em sua saudação durante a primeira congregação geral na Aula do Sínodo do Vaticano, que é preciso ser franco ao falar e humilde ao escutar. Também é bom criticar; o importante é que a crítica seja “honesta e transparente”, porque assim é “construtiva e útil, ao passo que as conversas inúteis, as murmurações, as ilações ou os preconceitos”, não. Também é preciso deixar de lado os “estereótipos” e os “preconceitos”, como o dos jovens em relação aos adultos (muito chatos e ultrapassados) e dos adultos em relação aos jovens (muito inexperientes e superficiais). Devemos evitar o perigo do clericalismo, “perversão e raiz de tantos males da Igreja”, e expor o “vírus da autossuficiência e das conclusões precipitadas de muitos jovens”.

“A abertura no falar e a abertura na escuta são fundamentais para que o Sínodo seja um processo de discernimento”, disse o Sucessor de Pedro, assegurando que o discernimento “não é um bordão publicitário, não é uma técnica organizativa, nem uma moda deste pontificado, mas uma atitude interior que se enraíza num ato de fé”. Por isso, o Papa dispôs “que durante os trabalhos, na assembleia plenária e nos grupos, a cada cinco intervenções se observe um momento de silêncio (cerca de 3 minutos) para permitir que todos prestem atenção às ressonâncias que as coisas ouvidas suscitam no seu coração, para aprofundar e descobrir o que mais o impressiona”.

Como durante os dois Sínodos anteriores sobre a família, acompanhados pelas turbulências que se seguiram à publicação da exortação Amoris Laetitia, o Papa Bergoglio pede que os 267 participantes sinodais trabalhem com a mais absoluta “parresia”, “aliando liberdade, verdade e caridade”. E também coragem, tanto ao tomar a palavra, como ao tornar-se a voz de “tantos jovens do mundo que não estão presentes”.

O Sínodo deve ser “um exercício de diálogo, especialmente entre aqueles que dele participam”, disse Francisco. “E o primeiro fruto desse diálogo é que cada um se abra à novidade, esteja pronto para modificar a própria opinião graças ao que ouviu dos outros”.

Por isso, embora quase todos os padres sinodais tenham preparado a sua intervenção antes de chegar a Roma, o Papa convidou-os a se sentirem “livres para considerar o que prepararam como um rascunho provisório aberto a quaisquer acréscimos e mudanças que a jornada sinodal possa sugerir a cada um”. “Sintamo-nos livres – afirmou o Papa – para acolher e compreender os outros e, portanto, mudar nossas convicções e posições: é um sinal de grande maturidade humana e espiritual”.

Leia mais