''Na China, a Igreja continua sob o controle do Estado.'' Entrevista com Bernardo Cervellera

Foto: Business Insider

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04 Fevereiro 2018

“Se há sete bispos que retornam à obediência ao papa, fico muito feliz, porque a comunhão da Igreja fica fortalecida. Só lamento que essa reconciliação ocorra às custas de alguns bispos não oficiais que sofreram pela própria fé e agora se veem deixados de lado.” O padre Bernardo Cervellera, missionário do Pime, diretor da agência Asia News, conhece profundamente a realidade chinesa: em Pequim, ele foi professor de História da Civilização Ocidental na Universidade de Beida.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 03-02-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Você considera que, se confirmada, a decisão do Vaticano pode penalizar os bispos clandestinos?

É mais do que um temor. Parece-me que se privilegia uma atitude política em vez de uma atitude religiosa. Muitos fiéis se queixam que esses bispos heroicos parecem ter se tornado um pouco como resíduos.

Não acha que esse reconhecimento pode levar a uma maior liberdade para os católicos na China?

Não estou convencido disso. Há alguns dias, estão em vigor os novos regulamentos para as atividades religiosas, aprovados já há alguns meses. São normas muito duras, porque preveem que todas as atividades religiosas devem passar por uma aprovação por parte do Ministério dos Assuntos Religiosos no nível dos vilarejos, das cidades, das províncias. Basicamente, trata-se de um controle abrangente sobre toda a atividade da Igreja na China.

As coisas não poderiam mudar no futuro?

É desejável, mas, de fato, a tendência é de restrições sempre maiores. Estão previstas multas equivalentes aos salários de dois ou três anos de um empregado para quem transgredir. Preveem-se a expropriação do edifício em que ocorrem as reuniões, a prisão. Isso significa a eliminação da Igreja clandestina, que não poderá mais se reunir. Não se poderá mais levar os jovens para os acampamentos de verão, porque está previsto que todas as atividades ocorram nos prédios sob o controle do Estado. Na China, quase não há mais episódios de violência persecutória grave, mas existe um controle espasmódico.

Na Asia News, vocês noticiaram a decisão do Vaticano de pedir que dois bispos clandestinos, os prelados de Shantou e Mindong, deem lugar a dois bispos de nomeação governamental, ambos ilegítimos. O cardeal Zen criticou essa escolha. Por quê?

O cardeal Zen sempre esteve em contato com a Igreja clandestina. Antes de se tornar bispo, ele ensinou nos seminários chineses, tanto nos oficiais quanto nos clandestinos. Ele conhece os sacerdotes pessoalmente. Sua preocupação é motivada. Além disso, o esclarecimento da Sala de Imprensa a esse respeito também foi para reivindicar a unidade entre o papa e a cúpula vaticana, não por outra razão, mas suas preocupações não foram desmentidas. Há sacerdotes na China que se sentem traídos no seu sofrimento. O cardeal Parolin também falou desse sofrimento passado e presente que não deve ser esquecido.

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