Salvar a fraternidade, o apelo dos teólogos

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10 Junho 2021

 

Dez homens e mulheres (Kurt Appell, Carlo Casalone, Dom Dario Cornati, João Manuel Duque, Isabella Guanzini, Padre Marcello Neri, Giovanni Cesare Pagazzi, Vincenzo Rosito, Gemma Serrano e Lucia Vantini) estudiosos das ciências sagradas refletem juntos "convocados" pelo arcebispo Paglia e Monsenhor Sequeri: "Devemos impedir que o dinheiro divida o que Deus une".

A reportagem é de Mimmo Muolo, publicada por Avvenire, 09-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Pedimos humilde e firmemente aos intelectuais de nosso tempo que purifiquem a cultura dominante de qualquer concessão complacente aos espíritos conformistas do relativismo e da desmoralização. Os povos já estão bastante desgastados pela prepotência da tecnocracia econômica e da indiferença pelo humano compartilhado: a idolatria do dinheiro tornou-se uma ideologia sofisticada e evasiva, capaz de mil justificativas racionais e dotada de meios extraordinários para se afirmar”. Por isso, “pedimos-lhe, em primeiro lugar, não oferecer à injustiça do dinheiro a cumplicidade da razão e do pensamento, da ciência e do direito”.

Este é o apelo Salvar a fraternidade - Juntos, escrito por um grupo de dez teólogos e teólogas, convocados pelo presidente da Pontifícia Academia para a Vida, arcebispo Vincenzo Paglia, e pelo decano do Pontifício Instituto João Paulo II para as ciências do matrimônio e da família, monsenhor Pierangelo Sequeri. “Devemos impedir - continuam os autores - que o dinheiro divida o que Deus une: os seres humanos, em primeiro lugar. Imploramos-lhe restituir aos povos o pensamento amigável da nossa origem comum e do nosso destino comum”. Tudo baseado numa convicção precisa: “É chegado o tempo de devolver ao conhecimento humano a honra da sua retidão e o ônus de sua responsabilidade: o conhecimento da verdade nunca é exonerado da paixão pela sua justiça”. De fato, prossegue o apelo, “não podemos sustentar por muito tempo uma prática do conhecimento que permite que a ciência se exima da sensibilidade responsável pelo humano que é comum”.

O texto parte de um exame cuidadoso da situação atual. “A exasperada autorreferencialidade do indivíduo moderno - afirmam os autores do documento -, sujeito de um desejo que procura a realização de si na separação do outro, contaminou as formas da comunidade. Elas próprias estão se tornando permeáveis a um espírito de competição hostil pela fruição dos bens disponibilizados pela natureza e pela cultura”. E eis que voltam a explodir "os velhos fantasmas: racismo, xenofobia, familismo amoral, seleção elitista, manipulação demagógica".

Disso, portanto, o convite a assumir a "provocação" da encíclica Fratelli tutti, "inaugurando o clima de uma ‘fraternidade intelectual’ que reabilite o elevado sentido de ‘serviço intelectual’ do qual os profissionais da cultura - teológica e não teológica – estão em dívida com a comunidade". Os teólogos, aliás, vão ainda mais longe, propondo "uma inversão da tendência do pensamento da época". “Não desprezem - escrevem - o Nome de Deus, a quem a invocação dos fiéis sinceros se dirige para todos os homens e mulheres do planeta, e pelo qual os mesmos fiéis se colocam à disposição para interceder por todos os pobres e os abandonados. Critiquem-nos quando for necessário - e mesmo quando não o for - mas cuidem com respeito o mistério - também insondável para vocês - do Nome de Deus”.

O apelo, de fato, exprime a certeza de que “ninguém está num beco sem saída e sem esperança, enquanto este nome for cuidado por todos. Todos ficamos mais nus e piores quando o crucifixo é escarnecido e o ressuscitado zombado. A fé cristã ousa a proclamação e o testemunho de um Deus destinado ao homem de modo irrevogável, eterno, sem hesitações: disposto a honrar o seu vínculo, trazendo-o de volta para casa, de todo descaminho”. Em última análise, "deixai-vos reconciliar com o santo Nome de Deus", invocam os autores do apelo, entre os quais figuram Kurt Appell, Carlo Casalone, Dom Dario Cornati, João Manuel Duque, Isabella Guanzini, Padre Marcello Neri, Dom Giovanni Cesare Pagazzi, Vincenzo Rosito, Gemma Serrano e Lucia Vantini. Também porque, concluem, é necessário "salvar a fraternidade para permanecer humano", enquanto "a teologia, por sua vez deve, aceitar enfrentar criticamente as perversões do sagrado, por meio de provas e erros, para que não usufruam da cumplicidade da fé".

No fundo, como escreve Paglia no posfácio, “já não é possível, face às urgências dos novos desafios que enfrentamos, permanecer inertes e continuar a repetir cansadamente o pensamento de sempre. Por outro lado, há uma urgência de que a teologia e a ciência empreendam de forma criativa o confronto com os novos cenários que o desenvolvimento tecnológico e as mudanças antropológicas colocam diante dos nossos olhos”. E por isso, como pede o Papa, também as instituições eclesiais “são chamadas a fazer a sua parte na promoção de um diálogo mais profundo e assíduo entre a inteligência da fé e o pensamento humano”.

 

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