Alemanha, o cardeal Marx doa 50.000 Euros para salvar migrantes no Mediterrâneo

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23 Janeiro 2020

O Cardeal Reinhard Marx, Presidente da Conferência episcopal alemã e arcebispo de Mônaco e Frising, doou 50.000 euros para o navio de resgate da associação United 4 Rescue, mantida pela Igreja Evangélica da Alemanha, a fim de salvar os migrantes no Mediterrâneo.

A reportagem é de Daniele Piccini, publicada por ACI Stampa, 20-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O navio, cuja missão no mar é esperada nos primeiros meses de 2020 e requer fundos de um milhão de euros, estará à disposição da organização de resgate Sea Watch.

Segundo informações da Igreja Evangélica da Alemanha, cerca de 150 organizações diferentes, igrejas evangélicas locais e até a cidade de Palermo participam da missão. A iniciativa nasceu em junho de 2019 e a captação de recursos para a United 4 Rescue já começou no início de dezembro de 2019.

O nome do navio, united, não parece ser dos mais felizes, pois a iniciativa já criou divisões dentro da própria Igreja Evangélica, com o teólogo vienense Ulrich Körtner, que acusou o presidente do Conselho da Igreja Evangélica, Heinrich Bedford-Strohm, de "comportamento moralista na política de refugiados". Bedford-Strohm confessou ao jornal Augsburger Allgemeine, de Augsburg, que até recebeu ameaças de morte como resultado de seu empenho com organizações de resgate de migrantes. "A associação United 4 Rescue quer levar os responsáveis na Europa a assumir seus deveres para pôr um fim das mortes no Mediterrâneo e, ao mesmo tempo, contribuir diretamente para salvar essas pessoas", explicou Bedford-Strohm. Aqueles que acolhem a iniciativa, por outro lado, a assumem como pretexto para destacar as lacunas na política federal sobre os refugiados.

Mas se Esparta chora, Atenas não ri. Após as discussões acaloradas na "casa evangélica", agora o gesto do cardeal Marx está destinado a ampliar o espectro das polêmicas. Depois que a notícia da doação se espalhou - confirmada pela Arquidiocese de Mônaco e Freising a pedido do Serviço de Imprensa do Evangelho e da própria United 4 Rescue, que admitiu o recebimento da doação - o arcebispo de Mônaco e Freising, já foi definido de "chapeuzinho vermelho populista" ou "cardeal-contrabandista". Outros, ao contrário, agradeceram "por sua coragem" ou por fazê-los redescobrir "o orgulho de pertencer à Igreja". Também não é a primeira vez que o cardeal Marx apoia essas organizações de resgate no mar: ele já o havia feito no final de 2018 e no início de 2019 com duas doações, cada uma de 50 mil euros, que provocaram na época as mesmas reações contrapostas.

As críticas mais ferozes vieram de Stephan Brandner, porta-voz adjunto do partido político (que na Itália chamaríamos de "soberanista") Alternative für Deutschland (AfD), que publicou uma carta aberta no Twitter ao cardeal Marx, perguntando "as motivações que o teriam levado a essa decisão e se a mesma foi ratificada pela comunidade". Brandner também pergunta ao cardeal se os 50 mil euros provêm de sua conta particular ou dos cofres da arquidiocese: “Gostaria de saber se essa doação também contém meus impostos para a Igreja, que venho pagando generosamente há 30 anos, em desrespeito a minha total falta de intenção de financiar os contrabandistas". De acordo com Brandner, de fato, a intervenção de navios de resgate no Mediterrâneo encorajaria cada vez mais homens a arriscar suas vidas na travessia para a Europa. O colega do partido e deputado Johannes Huber reforça a dose no Twitter: “Marx desperdiça 50 mil euros, provenientes dos impostos para a Igreja. Dessa maneira, ele e seu companheiro evangélico financiam os negócios dos contrabandistas”.

Uma pesquisa da agência de imprensa KNA esclareceu que, na realidade, muitas dioceses alemãs, não apenas a de Mônaco e Freising, teriam um fundo de caixa disponível para ser usado livremente e sem muitos impedimentos burocráticos, para atender emergências. O caixa seria em grande parte financiado pelos impostos para a Igreja, deduzidos de todo católico alemão. É difícil dizer qual o volume desse fundo: no final de 2018, falava-se de 1,5 milhão de euros.

O "fundo de emergência" da diocese de Bamberg seria de 300 mil euros. O de Würzburg, de 400 mil, cujas modalidade de emprego podem ser decididas, a curto prazo, pelo arcebispo e pelo vigário geral. O mesmo procedimento rápido se aplica à diocese de Münster, cujo "fundo de emergência" serve para ajudar outras dioceses em dificuldade, devido a terremotos, inundações e outras catástrofes. A arquidiocese de Friburgo nos últimos anos ajudou vítimas de enchentes no Peru, vítimas do ciclone em Moçambique e do tsunami na Indonésia.

Com esses fundos, que podem ser obtidos evitando os entraves da burocracia, são ajudadas outras dioceses alemãs, famílias ou mulheres grávidas em dificuldade. Somente em 2014, a Arquidiocese de Colônia financiou projetos, organizados por comunidades ou organizações, em favor de refugiados no valor de 5,9 milhões de euros.

Independentemente das diferentes finalidades e valores dos auxílios, todas as dioceses confirmaram à KNA que nenhuma dessas despesas ocorre em segredo ou escapa ao registro nos livros contábeis.

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