Canadá. “O Papa Francisco está nos dizendo que ele ama os povos indígenas”, afirma dom Krótki, bispo de Iqaluit

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29 Julho 2022

 

A parada final do Papa Francisco no Canadá será no Ártico Canadense, em Iqaluit, onde dom Anthony Wiesław Krótki, Oblato de Maria Imaculada, lhe dará as boas-vindas, liderando um importante momento no qual o Santo Padre encontrar-se-á com sobreviventes das escolas residenciais e a população local.

 

Nesta entrevista, o bispo da Diocese de Churchill-Baie d'Hudson reflete sobre por que é tão importante para o Papa Francisco visitar e se encontrar com esses sobreviventes, mesmo se por poucas horas, e sobre a peregrinação penitencial do pontífice ao Canadá centrado no encontro, cura e reconciliação com os povos indígenas.

 

Iqaluit é a capital e onde está a maior comunidade Nunavut no Ártico Canadense, território natal de mais da metade da população Inuit do país.

 

A diocese está em um grande território do Ártico Canadense com 16 comunidades tendo uma população católica. É uma diocese relativamente nova no mundo, com a primeira missão estabelecida em 1912, na costa ocidental da Baía de Hudson, em Chesterfield Inlet. Cinco bispos já serviram na diocese, começando pelo fundado da missão, o também oblato dom Arsène Turquetil.

 


Localização da cidade Iqaluit, e destaque para o território Nunavut, no Ártico Canadense. Fonte: Enciclopédia Britannica

 

Durante sua visita apostólica, o Papa Francisco pediu desculpas aos povos indígenas pelos “erros catastróficos” cometidos no passado por muitos cristãos com o sistema de escolas residenciais, e pediu por uma investigação para aprender a como prevenir tais tragédias de voltarem a ocorrer.

 

A Diocese de Churchill-Baie d'Hudson foi a primeira diocese no Canadá a se desculpar com os ex-estudantes de uma escola residencial volta em 1996, e como outras dioceses no Canadá, e recentemente contribuiu com o Fundo dos Bispos Canadenses para a Reconciliação Indígena.

 

Na entrevista, dom Krótki denuncia os “inaceitáveis abusos” perpetrados contra os indígenas no passado, e informa sobre várias paróquias católicas que está sendo assumidas por lideranças leigas Inuit.

 

A entrevista é de Deborah Castellano Lubov, publicada por Vatican News, 27-07-2022. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

Eis a entrevista.

 

Dom Krótki, na sua opinião, quão importante é a visita do Papa Francisco a Iqaluit e ao Canadá?

 

Ao visitar o Canadá, incluindo a cidade de Iqaluit, Sua Santidade está nos dizendo que ama os povos indígenas e quer que todos vivamos em paz e reconciliação uns com os outros.

 

Não é importante que o Papa venha a Iqaluit, mas é importante que ele venha ao território de Nunavut, lar de mais da metade da população Inuit do Canadá. Iqaluit não foi escolhida em razão de uma grande população católica indígena, pois a principal população indígena da cidade é anglicana.

 

A paróquia católica é uma paróquia ativa que inclui indígenas e uma grande população multicultural não-indígena.

 

Iqaluit também foi escolhida devido a suas medidas de segurança de aviação, número de quartos de hotel para acomodar estudantes e visitantes e seu acesso à administração política, igreja e organização indígena em Ottawa.

 

Você fala de paróquias católicas ativas, que incluem indígenas e são diversificadas. Você poderia compartilhar mais sobre a Igreja que você serve na Diocese de Churchill-Baie d'Hudson?

 

A diocese cobre um grande território onde o único acesso entre as comunidades é por via aérea, um desafio para o ministério realizado por um pequeno número de clérigos e líderes leigos. A população de Nunavut – cerca de 80% Inuit – se declara cristã, seguindo principalmente as tradições anglicana e católica romana. Várias de nossas paróquias católicas são cuidadas por líderes leigos Inuit. Embora nossa diocese tenha sido uma das primeiras a formar líderes leigos para assumir esse tipo de papel em 1968, hoje é um desafio atrair a próxima geração de líderes que sofrem com o choque cultural associado à rápida modernização e o estigma social associado à não sempre vivendo uma vida perfeita.

 

Nossa Diocese tem uma orgulhosa tradição de homens e mulheres que dedicaram sua vida para levar a Boa Nova aos Inuit, principalmente Oblatos de Maria Imaculada e as Irmãs da Caridade de Montreal.

 

Você poderia me falar mais sobre essa tradição?

 

Temos a maior coleção de materiais bíblicos e litúrgicos impressos em uma língua indígena no Canadá, com ênfase especial nos últimos anos no desenvolvimento de ajudas para líderes leigos. De muitas maneiras, os Inuit sempre foram essenciais para espalhar as Boas Novas em sua terra. Eles guiaram os missionários para visitar acampamentos avançados, ensinaram-lhes a língua e mostraram-lhes como colher animais da terra e do mar. Em algumas áreas, eles mesmos foram os únicos a levar a mensagem do cristianismo para outros campos.

 

Iqaluit é a única comunidade com uma população não-indígena tão grande. Muitos empregos profissionais são ocupados por pessoas de fora. Governos e organizações Inuit têm altas metas de emprego para essa população, que estagnaram em torno de 50%. Enquanto o nível de educação não for elevado, muitos dos empregos profissionais não serão ocupados pela população local, e isso cria uma tensão porque o grupo de fora de seu território também tem acesso a moradias escassas.

 

Iqaluit tem sido considerada a capital mais jovem e de crescimento mais rápido do Canadá, com uma mistura diversificada de culturas, empilhadas no topo de uma civilização Inuit que remonta a milênios, mas à medida que se desenvolveu, houve problemas e tensões associados a esse desenvolvimento e à coexistência? Como você acredita que o Papa Francisco pode ajudar a aliviar essa tensão?

 

Esperemos que a presença do Santo Padre não apenas traga cura para as pessoas afetadas pelo legado das escolas residenciais, mas ajude a nos lembrar de nossa humanidade comum e desejo de viver juntos como filhos de Deus.

 

Em nossa diocese, podemos continuar a caminhar com os membros de nossa congregação tanto em seu caminho de cura quanto em alegres eventos e celebrações, tanto dentro como fora da Igreja. Podemos continuar a encorajar a liderança leiga local em nossas paróquias.

 

O Papa Francisco ofereceu um profundo pedido de desculpas aos povos indígenas do Canadá por quantos membros da Igreja local estiveram historicamente envolvidos neste sistema de escolas residenciais e pelos “erros catastróficos” que foram cometidos. Ao pensar nessas escolas residenciais, como você lidou com isso?

 

Nossa diocese esteve envolvida apenas com uma escola por menos de 15 anos. Os benefícios educacionais dessa instituição foram comprovados pelo número de ex-alunos que se tornaram líderes em sua sociedade, governo e na área de negociações de reivindicações de terras. A escola também trouxe dor e sofrimento aos jovens que passavam a maior parte do ano longe de casa, bem como causou alguns abusos inaceitáveis.

 

A Diocese de Churchill-Baie d'Hudson foi a primeira diocese no Canadá a pedir desculpas aos ex-alunos de uma escola residencial em 1996. Como outras dioceses no Canadá, recentemente contribuímos para o Fundo dos Bispos Canadenses para a Reconciliação Indígena. Isso será usado para projetos de promoção de cura e revitalização cultural.

 

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