O efeito dominó ligado ao trigo é a chave da guerra. Entrevista com Mario Mauro

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13 Junho 2022

 

“O trigo é a chave da guerra, porque como intuiu também o Santo Padre, que assinalou o risco de esta matéria-prima ser feita refém por estratégias de poder, não afeta apenas a questão da segurança alimentar, mas é o indicador de um efeito dominó...” É o que afirma Mario Mauro, por 15 anos eurodeputado e vice-presidente do Parlamento Europeu e também ministro, que preside o centro de estudos geopolíticos Meseuro, que analisa as questões mediterrânicas. No domingo realizou um encontro para a associação ABClive, que organiza webinars desde a época da Covid, com uma grande rede de participantes.

 

A entrevista é de Paolo Viana, publicada por Avvenire, 12-06-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

De que efeito dominó se trata?

 

A Ucrânia é um país de 44,5 milhões de habitantes que produz cereais e sementes de girassol para um bilhão e meio de pessoas e isso explica a dimensão do desafio e a visão geoestratégica com que os russos roubaram grãos e terras cultiváveis e mantém sob ameaça o mundo e a África em particular, produzindo um efeito dominó que tem a função de prevenir que se alinhem contra a Rússia aqueles países que agora estão ameaçados de fome pelo Kremlin.

 

Então não estamos diante de uma inflação "normal", mas de uma estratégia diplomática?

 

Aquilo a que estamos assistindo não é a inflação clássica, mas depende de uma crise de oferta que pela primeira vez em anos é proposta no plano alimentar, determinando uma insegurança que pode realmente explodir em carestias e tumultos de rua, revoluções como as primaveras árabes. Essa escassez de terras cultiváveis faz parte de uma estratégia que antecedeu a guerra e que faz parte de uma visão geopolítica. Não é coincidência que Putin tenha especificado que não cometerá os erros da URSS, que se isolou. Lavrov está viajando pelo mundo para dialogar com os países que está deixando em crise de alimentos.

 

O que a Europa pode fazer?

 

A possibilidade europeia é muito estreita. Em 31 de maio, houve um confronto europeu com o presidente da União Africana, que não escondeu que estava em dificuldade em relação às sanções e pediu um empenho europeu extraordinário.

 

Especificamente, o que a África pede?

 

No Conselho Europeu de junho, o tema não será o fornecimento de armas para Kiev, mas sim se a Comissão estará pronta até aquela data com os corredores alternativos para escoar os cereais da Ucrânia através de Varna na Bulgária ou se estará em condições de lançar iniciativas como a grande ponte para Berlim; em suma, é necessária uma logística em larga escala para alimentar a África, liberando o trigo ucraniano.

 

Mesmo assim, não será fácil, pois muitos países africanos têm acordos de longo prazo com a China e a Rússia e pedem a Bruxelas uma atitude diferente do passado. Mas é necessário, caso contrário criaremos as condições para alianças nefastas, como as que levaram à explosão do fundamentalismo islâmico.

 

Então, é urgente uma nova política europeia?

 

Os mercados devem ser mantidos abertos para que o comércio possa continuar a fluir, apoiar os países em maior risco, e nesse sentido se coloca a viagem de Von der Layen na próxima semana para discutir com o presidente egípcio al-Sisi como melhor direcionar o apoio à região. E depois investir para tornar a produção local mais sustentável e resiliente, principalmente na África.

 

Finalmente, garantir uma resposta global: a segurança alimentar deve, portanto, ser uma questão-chave na próxima cúpula dos líderes do G7.

 

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