O mundo está faminto pelo trigo ucraniano. A ONU: “Reabrir imediatamente os portos”

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09 Mai 2022

 

Reabrir imediatamente os portos da Ucrânia porque "os silos estão agora cheios de grãos" e "ao mesmo tempo 44 milhões de pessoas no mundo começam a sofrer fome". O diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos da ONU, David Beasley, lança mais um apelo porque a possibilidade de alimentar "centenas de milhares de pessoas" depende daquele grão preso sob as bombas na Ucrânia. "Estamos quase sem tempo, e os custos da inação serão maiores do que qualquer um possa imaginar - continua Beasley -. Peço a todas as partes envolvidas que permitam que esse alimento saia da Ucrânia para chegar onde é desesperadamente necessário, para que possamos evitar a ameaça iminente da fome".

 

A reportagem é de Rosaria Amato, publicada por La Repubblica, 07-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Um apelo que se soma àquele lançado algumas horas antes pela FAO. "É uma situação quase grotesca que vemos neste momento na Ucrânia, com quase 25 milhões de toneladas de trigo que poderiam ser exportadas, mas não podem sair do país simplesmente por falta de infraestrutura e do bloqueio dos portos", denunciou Josef Schmidhuber, vice-diretor da FAO, em entrevista de imprensa em Genebra.

 

Se os silos não forem esvaziados, o prejuízo é dobrado porque a falta de abastecimento dos países que precisam desesperadamente desse alimento, explica o PAM, se soma à impossibilidade de depositar a nova safra deste ano para os agricultores ucranianos que, apesar da guerra, semearam trigo, milho e tudo o que puderam.

 

Embora as dificuldades em encontrar sementes e fertilizantes e os ataques do exército russo ameacem as próximas colheitas, que poderiam ser reduzidas em até 40% em relação às médias habituais, em julho e agosto novas toneladas de cereais terão que ser depositadas em armazéns, caso contrário serão desperdiçadas, enquanto no mundo aos 276 milhões de pessoas que sofreram de fome aguda, outros 47 milhões estão sendo acrescentados devido às consequências da guerra na Ucrânia, especialmente nas regiões do Chifre da África onde a seca não dá trégua há muito tempo, e à falta de água somam-se os conflitos e outras calamidades ligadas às mudanças climáticas.

 

 

O bloqueio dos portos também pesa nos preços: os do trigo aumentaram 5% no mundo na última semana, observa Coldiretti, tomando como referência o fechamento semanal da Bolsa de Chicago. Embora a Itália não esteja entre os países que correm risco de fome, o peso dos aumentos de preços está se tornando insustentável para os agricultores e para toda a cadeia agroalimentar, denuncia a organização. Os fertilizantes aumentaram 170%, as rações 90%, até as embalagens são insustentáveis: no geral, o aumento dos custos devido às consequências da guerra para as empresas agrícolas italianas ultrapassa os 9 bilhões de euros, calcula Coldiretti, tanto que, denuncia a organização, "mais de uma empresa agrícola em cada 10 encontra-se numa situação tão crítica que conduz à cessação da atividade", e um terço trabalha em condição de rendimentos negativos.

 

Embora o índice de preços de alimentos da FAO tenha desacelerado ligeiramente em abril, após os máximos históricos alcançados em março, ainda permanece 29,8% maior do que há um ano: aumentos dessa magnitude estão ampliando cada vez mais a distância entre ricos e pobres, mesmo nos países mais industrializados, onde o chamado "carrinho de compras" está cada vez mais caro.

 

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