Crise alimentar: não percam de vista os bancos

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02 Junho 2022

 

“Quando há eventos, crises, furacões, guerras, é o momento em que há maior pressão sobre o movimento dos preços, aparece a chamada volatilidade, e é aí, nessas variações de preços, expectativas de futuro, que os grandes operadores entram e apostam como se fosse um grande cassino”, escreve Javier Guzmán, diretor da organização Justiça Alimentar Global, em artigo publicado por La Marea, 01-06-2022. A tradução é do Cepat.

 

Eis o artigo.

 

Estamos enfrentando uma nova crise alimentar que ameaça ser devastadora, talvez a pior da história. Uma crise alimentar decorrente do aumento dos preços de alimentos básicos para a humanidade, como trigo e milho, que se traduz em milhões de pessoas passando a ter dificuldades em pagar pelos alimentos mais básicos. Lembrem-se que em muitos países do mundo mais de 60% da renda é dedicada à alimentação.

 

Na verdade, a guerra na Ucrânia não criou esta crise, está alimentando-a, mas o aumento dos preços já havia começado um ano antes, devido à saturação das cadeias de abastecimento, após a pandemia, e o aumento do preço do fertilizante químico, cujo principal custo é o gás utilizado para fabricá-lo. Os cálculos da ONU são de que o aumento de pessoas que passam fome será de 13 milhões por causa da guerra, que se somarão aos 800 milhões que já existem.

 

Cada crise alimentar tem seu próprio gatilho e forma de ser deflagrada, mas podemos dizer que as causas e o padrão de desenvolvimento de agora repetem aos das duas últimas que sofremos, a partir de 2008. Vivemos sentados em uma bomba-relógio, um sistema baseado na concentração do grão básico, de apenas algumas variedades, nas mãos de um punhado de multinacionais que comercializam com meio mundo, sob um modelo de produção baseado no consumo intensivo de combustíveis fósseis. Um sistema concentrado e privado, sem transparência e controle público de stocks.

 

Um sistema extremamente vulnerável, com pouquíssimos nós, onde se algo falhar toda a rede entra em colapso. Tudo vai bem enquanto tudo vai bem, mas em tempos de dificuldades perdem sua estabilidade, confiabilidade e ameaçam a segurança alimentar no mundo, sobretudo para a população mais vulnerável. Junto a isso, é necessário acrescentar que uma das características comuns das crises é que sempre, antes ou depois, surge o fenômeno da especulação alimentar, que aprofunda e prolonga as crises, quando não, simplesmente as geram.

 

De uma forma muito simples, as coisas funcionam assim: quando há eventos, crises, furacões, guerras, é o momento em que há maior pressão sobre o movimento dos preços, aparece a chamada volatilidade, e é aí, nessas variações de preços, expectativas de futuro, que os grandes operadores entram e apostam como se fosse um grande cassino.

 

A fórmula nunca falha, por isso os bancos vendem esses produtos financeiros como um grande investimento, já que são anticíclicos, que, traduzido, significa: quanto mais crises, mais lucros. Veja um exemplo: no mercado de trigo de Paris, um dos mais importantes da Europa, a participação dos especuladores nos contratos futuros de trigo aumentou de 23%, em maio de 2018, para 72%, em abril de 2022.

 

Após a crise alimentar de 2008 e 2011, os governos dos países ricos e a própria União Europeia se comprometeram em lutar contra essas práticas especulativas, mas a verdade é que continuamos na mesma, não houve melhora na regulação dos mercados regulamentados, as offshore não sofreram perseguição e agora vemos como um jato de dinheiro aparece novamente em fundos de investimento ligados ao trigo e o milho. A própria Jennifer Clapp, vice-presidente do painel de especialistas de alto nível da ONU em segurança alimentar, disse que os governos falharam em conter a “especulação excessiva” nos estoques de alimentos e mercados de produtos básicos.

 

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