O colapso da Terra está cada vez mais próximo

Fonte: Wikimedia Commons

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Mai 2019

A Organização das Nações Unidas (ONU) deu um alerta claro e contundente: o planeta se dirige para o colapso climático, sanitário e social. Contudo, também ressaltou a solução (que ainda é possível): reduzir as emissões de gases do efeito estufa (que provocam a mudança climática), diminuir os níveis de consumo, proteger a água e a biodiversidade (entre outras). São algumas das conclusões publicadas em seu relatório Perspectivas do Meio Ambiente Mundial.

A reportagem é de Darío Aranda, publicada por Página/12, 08-05-2019. A tradução é do Cepat.

Em diversos parágrafos, a ONU alerta que, caso não ocorram mudanças drásticas e urgentes, haverá consequências devastadoras. “Estamos provocando a mudança climática e a perda de biodiversidade. Não haverá amanhã para muitas pessoas, a menos que paremos”, afirmou Joyce Msuya, diretora executiva da ONU Meio Ambiente.

A Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente é o maior espaço internacional na temática. Reuniu-se em março passado, no Quênia, e lá foi apresentada a pesquisa Perspectivas do Meio Ambiente Mundial 6, uma foto do clima: nove milhões de pessoas morrem por ano pela poluição do ar e da água. Desde 1970, desapareceram 40% das zonas úmidas e houve uma redução de 60% da população mundial de vertebrados.

A partir de 1880, a temperatura mundial aumentou de 0,8 a 1,2 graus centígrados. Na última década, ocorreram oito dos dez anos mais quentes da história. Há uma advertência que a temperatura do Ártico aumentará de 3 a 5 graus centígrados até 2050, situação que “devastará” a região e elevará o nível dos oceanos em todo o mundo. As terras em risco de degradação abarcam 29% das terras do mundo, onde habitam 3,2 bilhões de pessoas.

Um dos lemas do relatório, de 745 páginas, é “planeta sadio, pessoas sadias”. Especifica que 2,3 bilhões de pessoas (uma em cada três habitantes do mundo) não têm acesso a serviços de saneamento adequados. A cada ano, morrem 1,4 milhão de pessoas por doenças evitáveis (como diarreia), associadas à água potável contaminada.

Nas conclusões, a ONU é concreta: “As atividades antropogênicas (humanas) degradaram os ecossistemas da Terra e minaram as bases ecológicas da sociedade”. Esclarece que é necessário “adotar medidas urgentes, em uma escala sem precedentes, para deter e reverter essa situação e assim proteger a saúde humana e ambiental”. Algumas das medidas essenciais são reduzir a degradação da terra, a perda de biodiversidade e a poluição do ar, da terra e das águas; melhorar a gestão da água, mitigar a mudança climática e reduzir a queima de combustíveis fósseis.

A mudança climática é produto do aumento da temperatura pela ação humana e implica mudanças drásticas no meio ambiente (inundações, secas, derretimento de geleiras). A principal causa é a emissão de gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2). A queima de combustíveis fósseis (gás, petróleo, carvão) está entre as principais causas.

O relatório da ONU coloca seu eixo na mudança climática, mas não aponta os responsáveis. É que as grandes potências econômicas são as principais culpadas: 76% das emissões provêm dos países do G20, encabeçados por China, Estados Unidos, União Europeia, Índia, Rússia, Japão e Alemanha.

O relatório recorda que a mudança climática tem efeitos diretos e profundos na economia e sociedade, “coloca em risco os meios de subsistência, aumenta a pobreza, a migração e afeta particularmente as populações em situação de vulnerabilidade”.

Uma crítica pela esquerda, que costuma ser feita aos âmbitos diplomáticos da ONU, é que não enfatiza as causas econômicas do desastre ambiental. O relatório dá um passo: “Os padrões atuais de consumo, produção e desigualdade não são sustentáveis”. Em diversos parágrafos menciona os níveis de consumo, sobretudo de países desenvolvidos. Naomi Klein, autora de Esto lo cambia todo, resume a questão de outro modo: “O problema não é a mudança climática, mas, sim, o capitalismo”.

Um argumento comum das empresas do agronegócio (de transgênicos e agrotóxicos) é que são necessários mais alimentos para a crescente população. A Via Campesina (movimento internacional de pequenos produtores e indígenas) refuta tal argumento há décadas: o problema não é a falta de alimentos, mas, sim, sua injusta distribuição. A Organização das Nações Unidas aponta um elemento nesse sentido: 33% dos alimentos do mundo se perdem ou são desperdiçados. E 56% dessas perdas acontecem nos países desenvolvidos.

Nessa mesma semana, a ONU apresentou o relatório Panorama dos recursos globais. Sem mencioná-lo, aponta para o papel do extrativismo. “O rápido aumento da extração de materiais é o principal culpado pela mudança climática e a perda de biodiversidade, um problema que só piorará, a não ser que o mundo empreenda urgentemente uma reforma sistêmica do uso de recursos”. Especifica que a extração de recursos naturais triplicou, de 1970 até hoje, e que o uso de combustíveis fósseis aumentou 45%.

Adverte que, caso o mesmo caminho seja mantido, em 2060, as emissões de gases do efeito estufa poderão aumentar 43%. “Francamente, não haverá amanhã para muitas pessoas, a menos que paremos”, alertou Joyce Msuya, diretora executiva da ONU Meio Ambiente.

Leia mais