Pandemia não inventou a desigualdade, mas enriqueceu alguns e empobreceu bilhões

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03 Julho 2020

“Estamos na mesma tempestade, no mesmo furacão. Só que uns têm barco, outros têm terra firme, outros têm salva-vidas meia-boca, muitos estão tentando nadar”, afirmou o secretário-geral do IndustriALL.

A reportagem é publicada por Rede Brasil Atual – RBA, 02-07-2020.

A desigualdade econômica e social não surgiu com a pandemia do coronavírus, mas sua superação passa pela contribuição dos beneficiados com a crise, afirma o secretário-geral do IndustriALL, o brasileiro Valter Sanches. Em entrevista na manhã desta quinta-feira (2) a Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual, Sanches falou de Genebra, sede do sindicato global, que representa mais de 50 milhões de trabalhadores em 140 países, avaliou os impactos da crise sanitária e observou que aqueles que se beneficiaram da situação precisam agora dar sua parcela para iniciar um processo de recuperação.

Sanches usa uma expressão recorrente neste período, de que todos estão “no mesmo barco”, para fazer uma ressalva. “Estamos na mesma tempestade, no mesmo furacão. Só que uns têm barco, outros têm terra firme, outros têm salva-vidas meia-boca, muitos estão tentando nadar”, comparou. “Esse é o efeito perverso da pandemia, porque a desigualdade não foi inventada pelo coronavírus, já vinha sendo o problema do planeta. Essa crise, que vem se somar à emergência ambiental, social, só aprofundo as desigualdades”, avalia o secretário-geral do IndustriALL.

O jornalista cita como exemplo a Amazon, cujo dono, Jeff Bezos, engordou seu patrimônio em US$ 24 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, enquanto se recusava a pagar um salário mínimo/hora aos empregados. Sanches lembra que há uma discussão a respeito da criação de um imposto global sobre grandes fortunas. “Uma série de sindicatos globais e outras organizações, como a Oxfam, vêm falando de criar um imposto global”, lembra o dirigente. “Se nós olharmos esses três a quatro meses mais agudos, os bilionários do planeta aumentaram suas fortunas em cerca de 2 trilhões de dólares. Só nos Estados Unidos, foram 500 bilhões de dólares, enquanto 40 milhões (de pessoas) foram para o desemprego”, acrescenta.

Confira a entrevista em vídeo.

 

De seis a sete bilionários vêm justamente da economia digital, observa Sanches. “Recursos que estão sendo drenados do conjunto da sociedade para um pequeno número de empresas. Esse (taxação das grandes fortunas) é o caminho para a recuperação global. Sem uma fonte, vai ser mais difícil ainda.”

É um caminho, inclusive, para o próprio Estado, aponta o sindicalista. Para que os Estados possam recuperar sua capacidade de formular política industrial, oferecer serviços públicos, atrair investimentos e proporcionar condições para a criação de empregos.

O impacto da crise sobre o mundo do trabalho será ainda maior que o estimado inicialmente, lembra o entrevistador, citando dados da Organização Internacional do Trabalho sobre horas trabalhadas. Sanches lembra que a OIT falava em perda de até 305 milhões de empregos formais e agora já projeta 400 milhões. E o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estimava queda de 3% no PIB global, agora já fala em -4,9%. “É um impacto brutal.”

Na América Latina, por exemplo, a OIT fala em até mais 41 milhões de pessoas excluídas do mercado. E o secretário-geral do IndustriALL afirma que enquanto a Argentina tenta se recuperar, após sofrer com políticas neoliberais até um período recente, o Brasil vem piorando as condições de trabalho.

Precarização não ajuda a economia

Com 13 milhões de desempregados, o país aumenta a precarização em plena pandemia, lamenta Sanches, ressalvando apenas a aprovação do auxílio emergencial, após muita pressão social e da oposição sobre o governo. Alguns países se aproveitam de um momento de fragilidade dos trabalhadores para reduzir direitos. “Isso não vai fazer ninguém sair da crise. O que vai resolver é a economia voltar a funcionar”, afirma o dirigente, emendando um questionamento: “Qual é a política industrial para integrar o brasil na economia global de maneira soberana?”.

A parte final da entrevista foi sobre a greve nacional dos entregadores de aplicativos, ou plataformas. Sanches considerou a mobilização “um exemplo para o mundo”, de trabalhadores tidos absurdamente como empreendedores e cujas empresas viram “explodir” seus lucros durante a pandemia. “Esses trabalhadores estão sendo fundamentais para a economia e não tem o menor reconhecimento, pelo contrário, as empresas aumentaram a exploração nesse período.”

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