Governo Temer "envelheceu" com episódio Jucá, diz cientista político

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27 Maio 2016

A queda do ministro do Planejamento, Romero Jucá com apenas 12 dias do governo interino de Michel Temer (PMDB) evidencia ainda mais o desgaste do sistema político brasileiro e a falta de lideranças para conseguir fazer o País deixar o delicado momento de crise em que se encontra. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo Estadão.

A reportagem é de Mateus Coutinho e Fausto Macedo, publicada por O Estado de S. Paulo, 25-05-2016.

“Tem que se cobrar grandeza e responsabilidade dos políticos”, afirma o professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp) Aldo Fornazieri, para quem o governo interino de Temer “envelheceu” com o episódio polêmico. “Tendo em vista que o Temer não tem legitimidade das urnas, ele tinha que ter começado muito bem, e nesse sentido começou muito mal. Ele praticamente envelheceu em 12, 13 dias, venceu o prazo de validade, que já era curto, antes do tempo”, segue o professor.

Segundo ele tanto o episódio envolvendo Jucá quanto o fato de se ter nomeado vários ministros investigados na Lava Jato mostram que o governo dele não correspondeu aos anseios da sociedade, que foi às ruas contra a corrupção e pela saída de Dilma, mas que também já rejeitava o peemedebista.

“Praticamente o mesmo numero dos que queriam a saída de Dilma, queria a saída de Temer”, lembra Fornazieri.

Já o cientista político e professor do Insper Carlos Melo avalia que Temer escolheu Jucá por sua articulação política para atuar como um “ministro do orçamento” que iria negociar com o Congresso a liberação de verbas durante os debates sobre as medidas do ajuste fiscal a serem implementadas pela equipe do ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Neste sentido, a perda do ministro foi um grande problema para o governo interino. “Não basta você só ter equipe econômica coerente e com boa aceitação, você tem que ter estratégia política e a estratégia adotada por Temer foi o jogo de sempre”, diz Melo.

Na avaliação do professor, Temer assumiu a ideia de que ao se solucionar a crise econômica, diminuindo as taxas de desemprego e melhorando o bem-estar da população, ele conseguiria resolver a crise política. “Mas não é simples assim, a crise cobra um preço muito alto da economia que precisa de algum consenso na política, e o sistema político está completamente desarranjado”, explica o professor, lembrando que o próprio cargo de presidente da Câmara, por enquanto assumido interinamente por Waldir Maranhão (PP-MA) após o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB) pelo Supremo Tribunal Federal, está indefinido.

Para o coordenador do Laboratório de Política e Governo da Unesp, Milton Lahuerta, Temer tinha consciência dos riscos que havia assumido ao confiar em Jucá, e o episódio pode ser até “pequeno” em relação à futuras revelações que eventualmente surjam na Lava Jato. “Com esse tipo de tumulto político realmente fica muito difícil que a estratégia armada por Temer possa se concretizar, de manter o Legislativo sobre um certo controle e até atender as demandas do Legislativo, com a perspectiva de atender as demandas econômicas (do ajuste fiscal)”, avalia.

Para ele, o problema do sistema político passa também pela falta de diálogo das lideranças políticas brasileiras e pelo clima conflagrado que se instaurou no País. “Não vamos recuperar confiança da população com esse embate de narrativas que perdura na sociedade, de ‘golpe’ ou ‘não golpe’. Precisamos pautar no debate que é preciso tomar medidas seríssimas, temos que discutir qual que é o caráter do ajuste fiscal, coisa que já deveria ter sido feita na disputa eleitoral”, explica.

Falência. Na avaliação de Lahuerta, o próprio processo de impeachment foi também um resultado da falência do sistema político, pois explicitou a incapacidade das lideranças políticas de encontrar uma saída para a crise. “Isso vale tanto para o PT quanto para o governo agora. Quanto mais levarmos a crise política pra ficar dependente do Judiciário, menores serão as possibilidades de encontrarmos uma saída duradoura e sustentável”, afirma.

Para Fornazieri, o momento é de as lideranças políticas se posicionarem, inclusive para preservarem suas biografias para o futuro, e mostrarem que não compactuam com o tipo de “jogadas” para “estancar” a Lava Jato que os diálogos de Jucá com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado sugeriram. “Tem muita gente querendo salvar o próprio pescoço, mas atores que participaram do processo (de impeachment) vão ter suas biografias contaminadas se não adotarem um posicionamento público, afinal tem pessoas com biografia relevante que apoiaram o processo. Como eles ficam diante de uma declaração (de Jucá nos diálogos sobre ‘estancar’ a Lava Jato) dessas ?”, indaga Fornazieri.

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