Exortação de Francisco como uma mudança radical para ver a graça na imperfeição, sem temer confusão moral

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11 Abril 2016

Em um distanciamento radical da prática pastoral recente, o Papa Francisco pediu ao clero mundial que deixem suas vidas se tornarem “maravilhosamente complicadas” acolhendo a graça de Deus em jogo nas situações difíceis e, por vezes, não convencionais que as famílias e os matrimônios enfrentam – mesmo sob o risco de obscurecer as normas doutrinais.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 08-04-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Amoris Laetitia

O pontífice também pediu que os bispos e sacerdotes do mundo ponham de lado os temores com a confusão moral, dizendo que devem evitar a tendência de uma “moralidade burocrática fria” e se evitarem de avaliar as situações morais das pessoas com base em normas canônicas rígidos.

Em um documento substancial e já grandemente debatido sobre o ensino católico em torno da família, Francisco diz que os bispos e padres não podem mais fazer determinações morais triviais sobre as chamadas situações “irregulares” tais como o divórcio e o segundo casamento.

Em sua nova exortação apostólica, intitulada Amoris Laetitia (Sobre o Amor na Família), o papa defende a dignidade do matrimônio cristão para a vida toda, mas fala respeitosamente sobre quase todos os modelos de família.

Ele igualmente pede aos pastores da Igreja a se afastarem dos modelos de ensino focados na repetição da doutrina em favor da compaixão e compreensão das lutas das pessoas, e de como Deus pode estar chamando-os nas profundezas de suas próprias consciências.

“Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante”, afirma o pontífice a certa altura no documento publicado pelo Vaticano nesta sexta-feira.

“É mesquinho deter-se a considerar apenas se o agir duma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral, porque isto não basta para discernir e assegurar uma plena fidelidade a Deus na existência concreta dum ser humano”, em seguida escreve ele.

“O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites”, afirma Francisco. “Por pensar que tudo seja branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus”.

No começo do texto, o papa reconhece que a forma como a Igreja expressou os seus ensinamentos sobre a família no passado não deixou espaço suficiente para que os indivíduos tomassem decisões adequadas a respeito de suas próprias vidas.

“Durante muito tempo pensamos que, com a simples insistência em questões doutrinais, bioéticas e morais, sem motivar a abertura à graça, já apoiávamos suficientemente as famílias, consolidávamos o vínculo dos esposos e enchíamos de sentido as suas vidas compartilhadas”, escreve Francisco.

“Temos dificuldade em apresentar o matrimônio mais como um caminho dinâmico de crescimento e realização do que como um fardo a carregar a vida inteira”, continua ele.

“Também nos custa deixar espaço à consciência dos fiéis, que muitas vezes respondem o melhor que podem ao Evangelho no meio dos seus limites e são capazes de realizar o seu próprio discernimento perante situações onde se rompem todos os esquemas”, afirma ele. “Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las”.

Uma tal linguagem, abertamente reavaliativa de como a Igreja aborda e considera as famílias ao redor do mundo, pervade o documento de 263 páginas, amplo em escopo.

Iniciando com uma exegese comovente e em profundidade de passagens do Antigo e do Novo Testamento que tratam da vida em família, o texto passa a abordar uma ampla gama de questões, primeiro avaliando as lutas enfrentadas pelas famílias no mundo e, em seguida, sugerindo respostas pastorais.

Raramente Francisco dá uma orientação direta sobre como o clero deveria responder a situações particulares, fazendo, em vez disso, reflexões ou dando conselhos gerais e permitindo que os indivíduos determinem o que pode ser o adequado.

O papa diz que precisamos ser “humildes e realistas, para reconhecer que às vezes a nossa maneira de apresentar as convicções cristãs e a forma como tratamos as pessoas ajudaram a provocar aquilo de que hoje nos lamentamos, pelo que nos convém uma salutar reação de autocrítica”, declara o pontífice.

“Outras vezes, apresentamos um ideal teológico do matrimônio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são.

Esta excessiva idealização, sobretudo quando não despertamos a confiança na graça, não fez com que o matrimônio fosse mais desejável e atraente; muito pelo contrário”, continua o papa.

“No entanto, muitas vezes agimos na defensiva e gastamos as energias pastorais multiplicando os ataques ao mundo decadente, com pouca capacidade de propor e indicar caminhos de felicidade”, escreve Francisco na sequência.

“Muitos não sentem a mensagem da Igreja sobre o matrimônio e a família como um reflexo claro da pregação e das atitudes de Jesus, o qual, ao mesmo tempo que propunha um ideal exigente, não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis”, continua ele.

Amoris Laetitia, exortação apostólica que estava há meses sendo aguardada, foi escrita pelo Papa Francisco como uma resposta a dois encontros seguidos dos bispos católicos ocorridos no Vaticano em 2014 e 2015 centrado em questões de família.

Os dois encontros, conhecidos como Sínodos, fizeram recomendações ao pontífice após algumas semanas de discussões dos prelados. A exortação do papa cita extensivamente tais recomendações, por vezes citando-os antes de expandir-se em suas próprias considerações.

O documento, que se desdobra em mais 325 parágrafos numerados e em nove capítulos, também cita extensivamente papas antecessores, documentos do Concílio Vaticano II, Conferências Episcopais locais, um teólogo e São Tomás de Aquino do século XIII, e mesmo o falecido protestante americano o Rev. Martin Luther King Jr.

O Papa João Paulo II recebe a maior quantidade de notas de rodapé entre os citados, com mais de 40 entradas. Aquino aparece em, pelo menos, doze notas.

“Misericórdia pastoral” aos divorciados e recasados

Francisdo dedica todo o capítulo oito da exortação para considerar a forma como a Igreja deveria agir para com os católicos que se divorciaram e casaram novamente sem primeiro obter anulações, pessoas que a prática eclesial tem proibido de participar da Comunhão.

Embora o papa não emita especificamente uma nova lei ou um regulamento permitindo que estes fiéis participam da Eucaristia, ele altera em níveis significativos a postura da Igreja diante de pais pessoas. Como o documento final emitido pelo Sínodo 2015, ele pede por um “discernimento pastoral” das situações individuais.

Ele igualmente propõe aquilo que chama “a lógica da misericórdia pastoral” no trabalho junto às pessoas que casaram pela segunda vez.

Ao citar João Paulo II, Francisco traz à tona a noção de “gradualidade”, ou seja, que os católicos podem às vezes crescer em direção à adesão ou compreensão do ensino da Igreja ao longo de suas vidas.

“Não é uma ‘gradualidade da lei’, mas uma gradualidade no exercício prudencial dos atos livres em sujeitos que não estão em condições de compreender, apreciar ou praticar plenamente as exigências objetivas da lei”, afirma o papa. “Com efeito, também a lei é dom de Deus, que indica o caminho; um dom para todos sem exceção”.

“Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho!”, exorta ele.

“Não me refiro só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem”.

Em seguida, Francisco passa a distinguir entre pessoas recasadas que estão em seu novo relacionamento por um longo período de tempo e aquelas que recentemente se recompuseram de um divórcio anterior.

“Os divorciados que vivem numa nova união, por exemplo, podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral”, afirma.

Em relação às diferentes situações que as pessoas recasadas podem se encontrar, Francisco escreve sobre condicionamentos e circunstâncias atenuantes que o clero poderia considerar em seu discernimento pastoral no trabalho junto às pessoas recasadas.

“A Igreja possui uma sólida reflexão sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes”, diz ele. “Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante”.

Citando primeiramente Aquino e, então, o formal Catecismo da Igreja Católica, o papa escreve: “Por esta razão, um juízo negativo sobre uma situação objetiva não implica um juízo sobre a imputabilidade ou a culpabilidade da pessoa envolvida”.

Em outras palavras, ele diz que não se pode julgar uma pessoa com base na maneira como a situação dela se comporta diante de algum padrão geral.

Na sequência, ele afirma que o documento do Sínodo de 2015 pede que o discernimento pastoral “embora tendo em conta a consciência retamente formada das pessoas, deve ocupar-se destas situações”.

Mais adiante, o papa passa a refletir sobre o magistério católico a respeito da consciência, dizendo que “a consciência das pessoas deve ser melhor incorporada na práxis da Igreja em algumas situações que não realizam objetivamente a nossa concepção do matrimônio. (…) Mas esta consciência pode reconhecer não só que uma situação não corresponde objetivamente à proposta geral do Evangelho”, escreve Francisco.

“Mas reconhecer também, com sinceridade e honestidade, aquilo que, por agora, é a resposta generosa que se pode oferecer a Deus e descobrir com certa segurança moral que esta é a doação que o próprio Deus está a pedir no meio da complexidade concreta dos limites, embora não seja ainda plenamente o ideal objetivo”, afirma ele.

“Lembremo-nos de que este discernimento é dinâmico”, acrescenta, “e deve permanecer sempre aberto para novas etapas de crescimento e novas decisões que permitam realizar o ideal de forma mais completa”.

Francisco diz querer que “nos lembremos [encarecidamente] sempre de algo que ensina São Tomás de Aquino” ensina em sua Suma Teológica.

“Embora nos princípios gerais tenhamos o carácter necessário, todavia à medida que se abordam os casos particulares, aumenta a indeterminação”, escreve o papa citando o santo.

Francisco diz então sem rodeios: “Por isso, um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas.

É o caso dos corações fechados, que muitas vezes se escondem até por detrás dos ensinamentos da Igreja ‘para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas’”, continua ele.

Propondo a sua “lógica da misericórdia pastoral”, o pontífice diz que “de modo algum, deve a Igreja renunciar a propor o ideal pleno do matrimônio”, é também “é preciso acompanhar, com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia”.

“Compreendo aqueles que preferem uma pastoral mais rígida, que não dê lugar a confusão alguma”, afirma Francisco.

“Mas creio sinceramente que Jesus Cristo quer uma Igreja atenta ao bem que o Espírito derrama no meio da fragilidade: uma Mãe que, ao mesmo tempo que expressa claramente a sua doutrina objetiva, ‘não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada’”, continua ele.

“Às vezes custa-nos muito dar lugar, na pastoral, ao amor incondicional de Deus”, escreve o papa.

“Colocamos tantas condições à misericórdia que a esvaziamos de sentido concreto e real significado”, declara. “Esta é a pior maneira de aguar o Evangelho. É verdade, por exemplo, que a misericórdia não exclui a justiça e a verdade, mas, antes de tudo, temos de dizer que a misericórdia é a plenitude da justiça e a manifestação mais luminosa da verdade de Deus”.

Casamento homoafetivo, contracepção, ideologia de gênero

Francisco aborda várias outras questões por vezes polêmicas ao longo da exortação, incluindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contracepção e aborto.

Embora reconheça os valores que, segundo diz, expressam-se nos relacionamentos homossexuais, o pontífice separa claramente eles das relações heterossexuais. Ele também reafirma incisivamente o ensino do Papa Paulo VI contra o uso de métodos contraceptivos por parte dos católicos e fala abertamente contra o aborto.

“Devemos reconhecer a grande variedade de situações familiares que podem fornecer uma certa regra de vida, mas as uniões de facto ou entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, não podem ser simplistamente equiparadas ao matrimônio”, escreve o papa. “Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade”.

Citando o documento sinodal de 2015, assim afirma: “Quanto aos projetos de equiparação ao matrimônio das uniões entre pessoas homossexuais, que não existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família”.

Sobre a contracepção, Francisco declara: “Desde o início, o amor rejeita qualquer impulso para se fechar em si mesmo, e abre-se a uma fecundidade que o prolonga para além da sua própria existência. Assim nenhum ato sexual dos esposos pode negar este significado,86 embora, por várias razões, nem sempre possa efetivamente gerar uma nova vida”.

No entanto, mais adiante no documento, o papa também reafirma e repete uma passagem do documento sinodal de 2015 que coloca a escolha para empregar métodos contraceptivos no domínio das decisões informadas pela consciência individual.

“A opção da paternidade responsável pressupõe a formação da consciência que é “o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser”, escreve.

Sobre o aborto, Francisco diz: “É tão grande o valor duma vida humana e inalienável o direito à vida do bebé inocente que cresce no ventre de sua mãe, que de modo nenhum se pode afirmar como um direito sobre o próprio corpo a possibilidade de tomar decisões sobre esta vida que é fim em si mesma e nunca poderá ser objeto de domínio doutro ser humano”.

Porém o pontífice fala francamente contra a violência ou a opressão para com as mulheres, ao afirmar: “Neste relance sobre a realidade, desejo salientar que, apesar das melhorias notáveis registadas no reconhecimento dos direitos da mulher e na sua participação no espaço público, ainda há muito que avançar nalguns países”.

“A idêntica dignidade entre o homem e a mulher impele a alegrar-nos com a superação de velhas formas de discriminação e o desenvolvimento dum estilo de reciprocidade dentro das famílias”, afirma o papa.

“Se aparecem formas de feminismo que não podemos considerar adequadas, de igual modo admiramos a obra do Espírito no reconhecimento mais claro da dignidade da mulher e dos seus direitos”, continua ele.

Francisco também escreve abertamente contra o ensino do que chama “ideologia de gênero”, ao afirmar: “Não caiamos no pecado de pretender substituir-nos ao Criador. Somos criaturas, não somos omnipotentes. A criação precede-nos e deve ser recebida como um dom”.

Mas, na sequência do texto, ele parece reconhecer também que o gênero existe numa espécie de espectro.

“É verdade que não podemos separar o que é masculino e feminino da obra criada por Deus, que é anterior a todas as nossas decisões e experiências e na qual existem elementos biológicos que é impossível ignorar”, afirma o pontífice. “Mas também é verdade que o masculino e o feminino não são qualquer coisa de rígido”.

“Não percamos a esperança”

Francisco dedica o quarto capítulo da exortação a uma consideração comovente e profunda da famosa e frequentemente citada descrição de São Paulo sobre o amor como paciência, bondade, atitude de serviço, cura da inveja e crença em todas as coisas.

Analisando cada uma das palavras gregas originais empregadas pelo santo, o pontífice as coloca dentro do contexto linguístico e cultural para melhor explicar a visão cristão do amor. Esta reflexão soa bom uma explicação cuidadosa, bondosa, de volta aos elementos básicos sobre como os cristãos deveriam agir.

Sobre a descrição de Paulo segundo a qual o amor “tudo desculpa”, por exemplo, o pontífice afirma: “Os esposos, que se amam e se pertencem, falam bem um do outro, procuram mostrar mais o lado bom do cônjuge do que as suas fraquezas e erros”. Quanto ao amor que “confia em todas as coisas”, ele diz: “Não é necessário controlar o outro, seguir minuciosamente os seus passos, para evitar que fuja dos meus braços. O amor confia, deixa em liberdade, renuncia a controlar tudo, a possuir, a dominar”.

Mais adiante ainda neste capítulo, Francisco fala diretamente às pessoas que estão considerando casarem-se ou que estão no início de seu casamento, dando conselhos bondosos e francos sobre a parceria para a vida toda.

Ele convida os parceiros a praticarem o diálogo um com o outro, dizendo: “Não é necessário controlar o outro, seguir minuciosamente os seus passos, para evitar que fuja dos meus braços. O amor confia, deixa em liberdade, renuncia a controlar tudo, a possuir, a dominar”.

O papa convida os parceiros a praticarem o diálogo um com o outro, dizendo: “Homens e mulheres, adultos e jovens têm maneiras diversas de comunicar, usam linguagens diferentes, regem-se por códigos distintos”.

“[Reservem] tempo, tempo de qualidade”, sugere o pontífice. “[Isso significa estar pronto a] permita escutar, com paciência e atenção, até que o outro tenha manifestado tudo o que precisava de comunicar. Isto requer a ascese de não começar a falar antes do momento apropriado”.

“[Desenvolvam] o hábito de dar real importância ao outro”, aconselha ele. “Trata-se de dar valor à sua pessoa, reconhecer que tem direito de existir, pensar de maneira autónoma e ser feliz. É preciso nunca subestimar aquilo que diz ou reivindica, ainda que seja necessário exprimir o meu ponto de vista”.

“[Tenham] amplitude mental”, diz Francisco “para não se encerrar obsessivamente numas poucas ideias, e flexibilidade para poder modificar ou completar as próprias opiniões. É possível que, do meu pensamento e do pensamento do outro, possa surgir uma nova síntese que nos enriqueça a ambos”.

O papa conclui o documento com um capítulo sobre a espiritualidade do matrimônino, citando a ênfase do Concílio Vaticano II sobre a espiritualidade nascida na família.

“Assim como [Deus] habita nos louvores do seu povo, assim também vive intimamente no amor conjugal que Lhe dá glória”, afirma Francisco.

“A presença do Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários”, continua ele.

“A espiritualidade do amor familiar é feita de milhares de gestos reais e concretos”, escreve. Deus tem a sua própria habitação nesta variedade de dons e encontros que fazem maturar a comunhão”.

“A vida em casal é uma participação na obra fecunda de Deus, e cada um é para o outro uma permanente provocação do Espírito”, afirma Francisco. “Assim, os dois são entre si reflexos do amor divino, que conforta com a palavra, o olhar, a ajuda, a carícia, o abraço”.

“Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante”, conclui o pontífice. “Avancemos, famílias; continuemos a caminhar!”

“Aquilo que se nos promete é sempre mais”, escreve. “Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida”.

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