Em subúrbio mexicano, Francisco denuncia a riqueza que tem “gosto de dor”

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16 Fevereiro 2016

O Papa Francisco deu continuidade à sua turnê mexicana nesta segunda-feira (15 de fev.) com uma ida a um subúrbio na Cidade do México para lançar uma forte crítica contra as tentações da riqueza, da vaidade e do orgulho – as quais, disse, “nos fecham num círculo de destruição e pecado”.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 14-02-2016. A tradução de Isaque Gomes Correa

Viajando cerca de 30 quilômetros ao norte do centro moderno da capital nacional, o pontífice celebrou uma missa em meio a casas simples e lojinhas de camelôs numa região do país que tem sofrido com a violência desenfreada, especialmente contra as mulheres.

E numa homilia a uma multidão de aproximadamente 1,5 milhão que moram na área, muitos dos quais comutam diariamente para a capital a trabalho, Francisco pareceu estar falando menos para eles do que aos que se encontram na Cidade do México e que mantêm um sistema de mercado que deixa muitos sem o básico para viver.

Dizendo que as três tentações “buscam destruir aquilo a que fomos chamados a ser”, o pontífice falou duro particularmente aos ricos, que, segundo ele, “estão se apropriando dos bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para ‘os meus’”.

Disse que isso é “conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. É aquela riqueza que tem gosto de dor, amargura e sofrimento – este é o pão que uma família ou sociedade corrupta dá de comer aos próprios filhos”.

A vaidade, disse ele, é “a busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoam a fama dos outros”. E o orgulho: “[É] colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha ‘a vida comum dos mortais’”.

Francisco estava falando na segunda-feira em uma missa a céu aberto diante de uma multidão junto à Universidade de Altos Estudos de Ecatepec. Cerca de 300 mil pessoas estiveram no local da missa, com pelos menos mais um milhão reunida no trajeto que vai do campus ao aeroporto local, onde o papa chegou de helicóptero.

Muitos do lado de dentro do espaço universitário dormiram aí durante a noite sob temperaturas quase congelantes, tudo a fim de garantir um lugar durante a celebração, com alguns viajando longas distâncias para aproveitar a oportunidade. Uma mulher, carregando um bebê, disse que viajou 20 horas de ônibus vindo de Yucatan, cerca de 1,500 quilômetros a sudeste.

Ecatepec é uma cidade no estado de México, que circunda a capital do país a leste, norte e oeste. Possuindo uma população de aproximadamente 1,7 milhão, ela é uma das várias no estado que vem assistindo uma onda de violência terrível contra mulheres.

De acordo com as estatísticas do Observatório Nacional para Femicídios, uma coalização de 43 grupos que documentam crimes graves contra a mulher, 1.258 meninas e mulheres desapareceram no estado em 2011 e 2012.

Em um momento de seu discurso improvisado durante a homilia, Francisco fez um comentário afiado que pareceu uma referência à violência na região.

“Escolhemos não o diabo, mas Jesus”, disse ele, quase gritando de paixão. “Tenhamos em nossas mentes: com o demônio não se dialoga!”

Na missa de segunda-feira, uma jovem viu a visita de Francisco à região como um sinal intencional do seu cuidado com o povo local.

“O papa vem para as pessoas que precisam dele”, disse Alexa Olguin, que viajou do estado vizinho de Hidalgo. “Por esse motivo, ele não só veio para a Cidade do México; ele veio para Ecatepec”.

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